4 de junho de 2026

Hora de guerrear. Hora de trabalhar.

 
                 Para que uma ação política seja posta em movimento é imprescindível que aquele que a empreenda se alicerce sobre a expectativa de um resultado a ser alcançado. A força que impulsiona essa ação é a crença do sujeito de que está na posse da verdade, diante dos fatos da realidade, enquanto o seu opositor se agarra em mentiras ou fantasias.  Por outro lado, a intensidade e persistência da ação terá relação direta com o maior ou menor grau de certeza, quanto ao valor do bem que se pretenda conservar ou transformarcom a investida política.
 
 No plano da normalidade, ninguém realiza trabalho inútil. Para o alcance de pretensões morais, inútil será aquela ação que pretenda a realização do mal ao preço do sacrifício do bem. Por isso, na esteira da ética, verdade quanto aos fatos e certeza quanto ao sentido do bemsão os dois pressupostos da ação política eficaz.
         Nestes tempos de formação histórica da hegemonia dos mercados sobre o governo e a sociedade civil, as eleições no Brasil têm abusado de grandes mentiras, ao embalo de manipulações vergonhosas orquestradas pela mídia empresarial.
               As disputas pelo poder econômico ou político se dão em um ambiente de competição difícil de organizar e controlar. Trava-se aí uma verdadeira guerra que, como tal, se move obedecendo a instintos primários que são despertados pelo desafio da sobrevivência. Por essa razão, a conduta dos competidores tende a escapar à ‘normatividade ética’ para facilmente invadir o terreno da ‘liberdade técnica’. A técnica é um modelo de conduta que se norteia exclusivamente pela escolha do meio mais eficaz para se atingir um fim com o máximo de eficácia. Diferentemente do critério ético – em que o alcance do fim está subordinado à escolha do único meio permitido – a escolha técnica não se guia por valores morais, ligados ao bem ou ao mal, ou jurídicos, do lícito ou ilícito. Aqui, no ambiente da técnica e da eficácia, sendo o jogo de ganha-perde, “o feio é perder”.
 
           É assim que funcionam as disputas por acesso à riqueza e ao poder. É assim também na esfera biológica da natureza: a disputa coletiva pelo acesso ao óvulo exibe os espermatozoides em comportamento competitivo e técnico. Nesse nível de disputa também há comportamentos individuais e coletivos, com seus jogos de alianças e golpes baixos. Porém, na natureza, quando o vencedor adentra o espaço conquistado, todos os outros competidores baixam as suas armas, para que assim a vida se perpetue em ambiente de paz. É assim também que deveriam se comportar os políticos ao final de uma guerra eleitoral. É o que se vê nas democracias, no Estado Constitucionalmente estabilizado, como nos exemplos próximos recentes da Argentina e da Venezuela. Os perdedores reconhecem a vitória do adversário e um novo governo se instala, com a paz necessária para conduzir a promoção do interesse público comum.  
 
Aqui no Brasil a eleição de 2014 não teve a sorte de seguir o exemplo da natureza nem das sociedades em que as instituições políticas estão evoluídas e consolidadas ao paradigma da civilização Ocidental.
 
           A emancipação, tão proclamada pelo último grande iluminista, parece que foi finalmente alcançada neste confim do mundo, porém em modo de anomia e fundada em ressentimentos, ódios e imaturidade. Imatura foi a conduta daquela candidata que, frustrada na sua pretensão de ganhar o concurso de miss, arrancou a coroa da vencedora e a arremessou no chão. Ao seguir o exemplo da moça que não suportou a frustração de seu sonho, o candidato perdedor contribuiu, com ajuda da mídia que alimenta ódios, para produzir as consequências que estão causando danos seríssimos à economia e à sociedade brasileiras. Estão sendo reduzidas as potencialidades de o país de encontrar o caminho que o destino lhe reserva dentre as grandes potências mundiais. As conquistas do povo assalariado também estão sendo jogadas ao lixo, como aquela coroa de miss foi jogada ao chão.
 
        Ah, sim, a questão da verdade e a certeza. O que ela tem a ver com o encolhimento do apoio ao impeachment?
A grande mentira da guerra eleitoral foi aquela que a mídia e a oposição construíram como estratégia para ganhar a eleição: responsabilizar Dilma, Lula e o PT pela corrupção que vem sendo praticada na Petrobrás e em toda a administração pública brasileira, nos três níveis federativos, na esfera dos processos licitatórios, pelo menos desde meados dos anos 80. Na verdade, a corrupção só começou a ser combatida na sua raiz, depois que a presidente Dilma tomou duas medidas concretas: demitiu os diretores corruptos em 2011 e deu autonomia legal e profissional aos órgãos republicanos aos quais competem o controle social das condutas criminosas, principalmente a corrupção.
 
             Toda a bandalheira noticiada pela mídia era verdadeira, mas os verdadeiros responsáveis por ela, os jornais esconderam ao conhecimento do povo trabalhador.  É que a imprensa brasileira se notabilizou diante do mundo como uma corporação especializada mais em esconder do que em mostrar a realidade completa dos fatos. É uma versão da história construída com meias verdades.  É comportamento técnico que os incautos e honestos são condicionados a ver como se fosse ético, a serviço da verdade. E se faz isso como método imoral de acessar a riqueza do cofre público, servindo e protegendo a políticos e empresários corruptos.
 
Foi pelas mãos do filho de um delator e não pelas palavras da mídia nem pelos vazamentos da Polícia Federal, que a opinião pública brasileira passou a ter certeza, com grande segurança, sobre a profundidade do buraco em que os partidos e os políticos brasileiros se encontram metidos e há muito tempo.
 
Corrupção e roubo como sistema de manutenção de políticos canalhas no poder – o chamado caixa dois eleitoral – não é obra do partido e nem dos líderes que vêm fazendo a governança do País nos últimos tempos. O barco todo está tomado de ratos.
É o acesso a essa verdade que esvaziou o movimento social golpista. É e a posse dessa certeza que vai dissolver a pretensão de tomada do poder por meio de um arremedo de impeachment.
 
        É por isso que as ruas estiveram vazias nesse domingo, 13 de dezembro. É por esse mesmo motivo que o povo deve aceitar o convite das entidades da sociedade civil organizada, que exigem a saída de Eduardo Cunha das posições que ocupa ilegitimamente no Congresso Nacional, para comparecer às ruas nesta quarta-feira, 16 de dezembro.
 
         Se os corruptos não querem deixar, nós, o Povo nas ruas, é que vamos abrir o caminho para a guerreira Dilma trabalhar!

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  1. Igra

    15 de dezembro de 2015 10:27 am

    Perfeito!
    Deveria ser
    Perfeito!
    Deveria ser distribuído em escolas e universidades pelo didatismo – sem qualquer viés pejorativo, ao contrário – clareza e robustez conceitual.
    Excelente post.

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