Nas pequenas cidades do interior tudo parava quando ocorria algum julgamento na rua. O forum de Itambacuri era pequeno e então em casos mais escabrosos e complicados, muitas testemunhas, muitos advogados, etc., o juiz mandava improvisar uma espécie de palanque em frente ao forum, colocavam-se alto-falantes pendurados nalguns postes, cadeiras para autoridades e o espetáculo começava. Tinha julgamento que durava dias, e muita gente não arredava pé dali, estasiada com os salamaleques, os vossas excelências, o nefando juridiquês.
Não que aquilo fosse novidade, coisa nenhuma, a não ser por ser “ao vivo”. A gente que era vidrada em cinema cansava de ver nos faroestes os julgamentos-relâmpago, juiz e réu rodeados pela multidão, o xerife, e alguém já com a corda para enforcar o facínora. Sim, faroeste tinha esta vantagem: a gente já sabia de antemão quem era bom, quem era mau, quem devia morrer, etc. Justiça com as próprias mãos, tinha muita, e os julgamentos apenas confirmavam a sentença que estava na nossa cabeça desde que as luzes acendiam para a sessão começar. Só para nos sacanear, começaram a aparecer uns filmes em que mocinho era bandido e vice-versa. Aí, enrolava tudo.
Me lembrei disto porque tem um deputado querendo acabar com a transmissão pela TV dos julgamentos “ao vivo” do STF.
A notícia dada pela Folha já joga uns contra os outros. Mas no final do texto ela diz:
EXTINÇÃO
Desde a criação da TV Justiça, as transmissões ao vivo dividem a opinião de ministros e advogados. O ex-presidente da Corte e ministro aposentado Cesar Peluso defende o fim das transmissões porque considera que uma pessoa altera seu modo de ser e agir diante das câmeras. Por diversas vezes, o ministro afirmou publicamente que considera perigoso que as cortes possam estar se alinhando à opinião pública. O ministro Teori Zavascki, que não participou da primeira fase de julgamento do mensalão, declarou quando tomou posse na Corte também ser contra as transmissões.
Não me lembro de ter lido a respeito do custo de transmitir aquela parafernália. Deve ser uma nota.
Penso que quanto mais coisas ao vivo são mostradas, menos os editores da Globo podem distorcer, enrolar, mentir.
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