A eleição brasileira, que culminou na vitória do presidente Lula, ultrapassou as fronteiras nacionais e transformou o país na principal referência em defesa da ordem democrática. O resultado nas urnas garantiu uma vantagem de mais de 4,3 milhões de votos e redefiniu a imagem do Brasil no exterior, reafirmando seu papel de liderança e resistência em um momento de profunda instabilidade geopolítica.
A dimensão internacional da vitória foi o eixo central da análise do renomado advogado criminalista Kakay, durante participação no programa TVGGN 20 Horas desta segunda [confira abaixo]. Em diálogo com o jornalista Luis Nassif, Kakay destacou que o peso de Lula no exterior supera a política doméstica.
“O Lula passou a ser a referência mundial de manutenção da democracia. É uma coisa incrível. A vitória que nós tivemos é muito maior do que só resistir ao fascismo interno, porque no momento em que a ultradireita está dominando o mundo, o Lula sintetizou e sintetiza esse sentimento fantástico de resistência.”
Para ilustrar essa projeção global, o criminalista relembrou episódios marcantes que presenciou na Europa, como o momento em que jovens franceses se emocionaram ao ouvir o presidente na lendária Universidade de Sorbonne, em Paris, além de uma cena emblemática vivida na capital francesa.
“Eu estava na minha varanda lá em Paris, estava passando uma manifestação. Eles estavam passando debaixo da minha varanda e eu comecei a gritar assim: ‘Olê, olê, olê, olá, Lula! Lula!’ Do nada, em português mesmo. E para minha surpresa, as pessoas passando começaram a gritar ‘Lula’! Todo mundo conhecia o gesto. Veio um francês falar comigo e disse: ‘A França está de olho no Brasil, que é uma chance que a gente tem de ganhar do fascismo’.”
Na avaliação de Kakay, esse reconhecimento internacional contrasta com o alarmismo que setores do poder econômico tentam criar internamente. O advogado não poupou críticas à reação do mercado financeiro pós-pleito, classificando o pânico dos investidores como pretexto para especulação. “O mercado estar assim pretensamente desestabilizado por um candidato que é pela quarta vez presidente da República? Isso é uma piada, lógico! É gente fazendo especulação, ganhando dinheiro em cima de especulação.“.
Para ele, o governo Lula oferece previsibilidade e diálogo. “Eu falei isso para 200 pessoas do mercado financeiro que são meus clientes, ou são meus amigos, ou foram meus clientes: ‘Gente, existe um caminho. Querem modificar, querem conversar sobre mudanças? É possível. A democracia é isso, vamos conversar’.”
Além da geopolítica e da economia, o criminalista descreveu o clima de “alma lavada” e a emoção das ruas na noite da apuração em Brasília, quando comemorou no tradicional bar Pardim ao lado da juventude e de estudantes da UnB. “Eu fui comprar uma cerveja e veio um bando de meninos estudantes. Começaram a me carregar. Uma coisa linda! Eu andando no meio de uma multidão de gente sendo carregado.”
Para resumir o significado da virada e a necessidade de defender o pacto republicano, Kakay lembrou uma frase que adotou como bandeira nos últimos meses: “Numa democracia é normal que você perca uma eleição; o que não pode ocorrer é numa eleição você perder a democracia.” Agora, com a eleição sacramentada, o advogado cobra que o Judiciário e os órgãos de controle cumpram seu papel com rigor, pondo fim à impunidade das ilegalidades cometidas no país.
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