4 de junho de 2026

Lembranças dos bancários da Caixa

Armínio Fraga, anunciado por Aécio Neves futuro Ministro da Fazenda na hipótese de vitória tucana à presidência, afirmou em entrevista a O Globo que a candidatura Marina Silva não apresenta, “no genérico”, ideias diferentes daquelas do PSDB. A entrevista tratava de macroeconomia.

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O programa de Marina é de conteúdo próximo ao adotado no período tucano de FHC (1995-2002), de corte neoliberal, época aliás em que Fraga presidiu o Banco Central.

Observe-se o conjunto de propostas de Marina relativa ao crédito (página 59 do Programa). Para ela, bancos públicos têm sido agressivos em sua atuação no mercado, especialmente após 2008/2009, o que inibe o setor privado. Portanto, é necessário concentrar o setor público em operações com empresas pequenas, projetos inovadores, processos de maturação longa. E o crédito agrícola e habitacional? Continuará subsidiado, mas será aberta maior participação ao setor privado.

Trabalhadores da Caixa devem se lembrar de como eram tratados – e o próprio banco – no período FHC. Alguns registros:

Política salarial – De setembro de 1994 a agosto de 2002, o INPC acumulado foi de 104,05% (os meses e índice são referência para a data-base dos bancários). O reajuste salarial aos trabalhadores da Caixa foi de 28,26% – isso mesmo, inferior à inflação. A cada ano o trabalhador perdia, em média, 5,6% do valor de compra de seu salário. Nos governos Lula e Dilma, a Caixa respeita a convenção coletiva dos bancários, o que tem representado reposição de inflação mais ganho real de, em média, 1,21% a cada ano desde 2003.

Agências da Caixa: início do governo FHC, 2.170; final da era FHC, 2.082 (88 agências menos). Nos governos Lula e Dilma a Caixa ampliou o número de pontos de atendimento. Em dezembro de 2013 havia 4.012 agências.

Lucro líquido: no último ano FHC, lucro de R$ 2 bilhões em valor corrigido a dezembro de 2013, ano em que o lucro alcançou R$ 6,7 bilhões (mais 235%).

Carteira de empréstimos: A Caixa, antes quase que exclusivamente banco da habitação e da poupança, registrou em 2013 saldos das operações de crédito com pessoas físicas e jurídicas que superam os do Bradesco e se aproximam daqueles contabilizados pelo Itaú. Em 2013, seus contratos em habitação somaram, em termos reais, valores equivalentes a dez vezes o total de 2002. Liderava em poupança com 35% do mercado.

Base de clientes: 23,1 milhões em 2002; 71,7 milhões em 2013.

Os resultados do modelo neoliberal aplicado a bancos públicos e seus trabalhadores não podem ser desprezados. Por quê? Por que foram semelhantes àqueles de outros tantos setores. Arrocho e encolhimento em um país que naufragava sob a orientação do FMI.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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