4 de junho de 2026

Livro: O Resgate do Marxismo

 

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

Para renovar marxismo, é preciso recuperar herança revolucionária de autores do século XX, diz pesquisador

 

Dodô Calixto | São Paulo – 23/08/2014 – 06h00

Álvaro Bianchi, professor de Ciência Política da Unicamp, faz reflexão contemporânea do socialismo no livro Arqueomarxismo

 

No livro Arqueomarxismo, o professor de ciência política da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) Álvaro Bianchi defende um recorte contemporâneo para analisar a obra de Karl Marx e o socialismo. “Se quisermos renovar o marxismo, precisamos recuperar a herança revolucionária e o pensamento criativo destes pensadores do início do século XX”, diz Bianchi.

Segundo o autor, a ideia é conduzir o leitor a pensar as questões sociais e políticas “para fora do reformismo e direto para o debate estratégico do socialismo”, diz Bianchi.

Lenin, Trotsky, Gramsci e Lukács são autores cujas obras permanecem vivas e precisam ser permanentemente relidas e atualizadas, a partir da experiência de hoje dos pensadores marxistas, diz o autor.

Bianchi prefere não utilizar a palavra “clássico” para esses pensadores, pois acredita que isso cria um “sentido cânone” à obra. “Não gosto da expressão ‘clássico’. Quando um autor é visto dessa forma, ele é inserido no interior de um cânone e acaba cristalizado. Ou seja, sua obra se transforma apenas em modelos a serem imitados”, diz o pesquisador, ao explicar o título da obra.

“Antes de teóricos da economia, da política ou da cultura, os autores que estão em ‘Arqueomarxismo’ eram revolucionários”, analisa.

Arqueomarxismo

Arqueomarxismo

Comentários sobre o pensamento socialista

 

Esta obra é dedicada ao pensamento socialista. Sendo assim, o neologismo “arqueomarxista” usa o prefixo “arqueo” para designar o início do marxismo. Por isso, os autores aqui analisados – Lenin, Trotsky, Gramsci, Lukács e Benjamin – representam o principio de uma tradição.

O que Álvaro Bianchi nos traz neste ensaio é a essa combinação de autores em torno do fundamento do marxismo, isto é, da autoemancipação dos trabalhadores. Assim, o autor faz um diálogo com Perry Anderson, criador da distinção entre marxismo “clássico” e marxismo “ocidental”. A definição de marxismo “ocidental” seria, de certo modo, oposta àquela dos primeiros marxistas, Lenin e Trotsky. Para o historiador inglês, Lukács, Gramsci e Benjamin seriam os heróis fundadores de uma tradição “pessimista” e “esotérica”, enredada nas tramas da “cultura ocidental”.

Desta forma, Alvaro Bianchi revisitou tanto a obra dos autores clássicos quanto a dos ocidentais a partir de uma preocupação distinta: antes de teóricos da economia, da política ou da cultura, são autores revolucionários. E isso faz toda a diferença. Vitoriosos ou perdedores, os “arqueomarxistas” nunca abandonaram o terreno da revolução socialista.

Essa reflexão, que se faz contemporânea, é a que conduz à renúncia e à acomodação política. Ao contrário do conservadorismo inerente ao classicismo daqueles que identificam na obra desses autores apenas uma rica fonte de ideias, os comentários de Alvaro Bianchi nos arremessam politicamente para fora do reformismo e para dentro do debate estratégico e do socialismo. Provocativamente, ele nos lança na direção do futuro do “arqueomarxismo”.

Álvaro Bianchi
Edição: Alameda (tel.: 11 3012-2400)
Preço: R$ 40,00 (227 páginas)
Compre online na loja Alameda Editorial

http://operamundi.uol.com.br/conteudo/cultura/37561/para+renovar+marxismo+e+preciso+recuperar+heranca+revolucionaria+de+autores+do+seculo+xx+diz+pesquisador.shtml

 

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Recomendados para você

Recomendados