O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu nesta quinta-feira (14) com economia de palavras ao escândalo envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o banqueiro Daniel Vorcaro.
Durante visita à fábrica de fertilizantes Fafen, em Camaçari, na Bahia, Lula foi questionado por uma jornalista sobre os vínculos entre o pré-candidato à Presidência e o banqueiro preso por fraudes financeiras.
“Eu não vou comentar, é um caso de polícia, não meu. Eu não sou policial, não sou procurador-geral. O caso dele é de polícia”, disse o presidente.
Escândalo
A crise para Flávio Bolsonaro começou na quarta-feira (13), com a publicação de uma reportagem do The Intercept Brasil revelando mensagens, documentos e comprovantes bancários que apontam para a articulação de repasses de R$ 134 milhões de Vorcaro ao senador, supostamente para financiar um filme sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro. Um áudio do próprio Flávio menciona a importância do projeto e a necessidade de quitar “parcelas para trás”. Parte dos valores teria sido efetivamente paga entre fevereiro e maio de 2025.
A reportagem indica ainda que os repasses envolveram transferências internacionais de uma empresa ligada a Vorcaro para um fundo nos Estados Unidos gerido por Paulo Calixto, advogado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão do senador.
As últimas mensagens trocadas entre Flávio e o banqueiro datam do início de novembro do ano passado, poucas semanas antes de o Banco Central decretar a liquidação do Master e a PF prender Vorcaro, suspeito de liderar uma organização criminosa especializada em fraudes financeiras. O banqueiro está recolhido na Superintendência da PF em Brasília e negocia acordo de delação premiada.
O filme estaria sendo produzido no exterior, com elenco e equipe estrangeiros, e tem lançamento previsto ainda neste ano. Deputados da base governista já apresentaram denúncia à PF e à Receita Federal pedindo a apuração de possíveis ilegalidades nas transações.
Versão
Inicialmente, o senador negou o envolvimento. Horas após a publicação, porém, mudou de postura e admitiu tanto ter pedido o recurso quanto ter mantido relação com Vorcaro, mas insistiu tratar-se de uma questão estritamente privada.
“É preciso separar os inocentes dos bandidos. O que aconteceu foi um filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de lei Rouanet”, afirmou em nota.
Flávio disse ter conhecido Vorcaro em dezembro de 2024, quando “não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro”, e que o contato foi retomado apenas para cobrar atraso nas parcelas do patrocínio.
O senador negou ter oferecido ou recebido qualquer vantagem e reafirmou ser favorável à criação de uma CPI para investigar o Banco Master. Em vídeo publicado nas redes sociais logo após a nota, acrescentou que havia um contrato formalizado sobre os repasses, mas não forneceu detalhes sobre o documento.
*Com informações da Agência Brasil.
LEIA TAMBÉM:
Deixe um comentário