O ex-ministro Aloísio Mercadante tomou posse do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento) na manhã desta segunda, 6 de janeiro.
Na presença de Lula, do vice Geraldo Alckmin, dos ministros Bruno Dantas (TCU) e Gilmar Mendes (STF), da ex-presidente Dilma Rousseff e de ministros de Estado, Mercadante listou as prioridades de sua gestão para retomar o protagonismo do banco público, que passou os últimos anos tendo seu papel esvaziado e sendo vítima de uma campanha de difamação orquestrada pela direita.
Mercadante começou dizendo que economistas e pensadores desenvolvimentistas e liberais serão ouvidos na construção das políticas desenvolvidas pelo banco. E afirmou que seu foco é construir o “BNDES do futuro, que será verde, inclusivo, tecnológico, digital e industrializante.”
A primeira prioridade anunciada por Mercadante é a de apoiar as exportações brasileiras, e não apenas as de commodities agrícolas, mas de produtos de valor agregado.
“O BNDES desenvolve projeto de um EXIM (Export-Import) Bank, a exemplo do que existe nas principais economias do mundo”, disse o presidente do banco.
“Produtos industriais de valor agregado são essenciais. As empresas brasileiras precisam disputar esse mercado, ganhar escala e se integrar às cadeias globais de valor”, justificou.
A segunda novidade é que o BNDES vai investir mais em pequenas e médias empresas, cooperativas e na economia solidária. Para estes, o banco disponibilizará “65 bilhões de reais por meio de crédito indireto do banco e alavancagem via garantias para o crédito privado”.
Em parceria com o Congresso e o Ministério da Ciência e Tecnologia, o BNDES discutirá o “desafio” de reajustar a TLP, que é a taxa de longo prazo utilizada pelo banco hoje.
“Não queremos e não estamos reivindicando um retorno ao padrão de subsídio do passado, mas uma taxa de juros mais competitiva, sobretudo para MPMEs”, pontuou.
Segundo o economista, atualmente a TLP apresenta enorme volatilidade e custo financeiro acima do custo da dívida pública federal, “o que penaliza de forma desnecessária as micro, pequenas e médias empresas.”
“Não é papel do BNDES ficar disputando mercado com o sistema financeiro privado. Nós precisamos de parcerias e o BNDES pode contribuir reduzindo riscos, abrir novos mercados, alongar prazos e elaborar bons projetos para investimentos privados”, endossou.
Emergência climática e social
Outra prioridade do BNDES no governo Lula 3 será “BNDES precisa “apoiar a transição justa para economia de baixo carbono, com empregos verdes e de baixa emissão.”
O presidente defendeu metas alinhadas com o Ministério do Meio Ambiente, como o de combater o desmatamento, mas ressalvou que é preciso levar alternativas de emprego para a população de 20 milhões de pessoas que vivem na Amazônia brasileira.
“Não existirá futuro sem preservar Amazônia e outros biomas. Essa será a prioridade do BNDES do futuro”, disse Mercadante, lembrando que o BNDES vai gerir o Fundo Amazônia, que foi reativado após a posse de Lula.
Reindustrialização e América Latina
Mercadante também indicou que o BNDES deve fomentar a reindustrialização. “Não se trata da velha indústria, mas da nova indústria digital, descarbonizada, baseada em circularidade e intensivo conhecimento. Inovação e investimento em pesquisa aplicada”, apontou.
Sobre parcerias com os países vizinhos, o BNDES deve manter a postura de gestões petistas anteriores. “O BNDES tem que ser parceiro do desenvolvimento regional. Nosso destino está ligado ao destino da nossa região. Brasil é grande, mas será ainda maior quando atuar em conjunto com seus vizinhos.”
Gênero e raça
Mercadante também afirmou que a agenda de gênero e de combate ao racismo estrutural “será parte da estratégia de negócios” do banco público, que terá linha de crédito e ações de fomento para empoderar economicamente mulheres, negros e negras desse país.
Ele também anunciou que o BNDES abrirá programa de estágio para negros e negras, e que retomará concurso público para preencher cargos defasados, com cotas para a população negra.
Na presença da ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, Mercadante disse que o BNDES vai ajudar a construir o museu sobre a história da escravidão do Brasil.
Por fim, ele afirmou que “teremos uma diretoria plural e com diversidade de gêneros. Nós encontramos só 4 mulheres CEOs em todo o mercado financeiro. Nós trouxemos duas delas, Luciana Costa e Natália Dias”, anunciou.
O presidente ainda elencou outros nomes que compõem as diretorias do BNDES. Estarão na equipe a ex-ministra Tereza Campello, o ex-CGU Luiz Navarro, e ex-ministro Nelson Barbosa, entre outros.
Rafael Luchesi será o novo presidente do conselho de administração do BNDES. Carlos Nobre e Izabela Teixeira farão parte do conselho, entre outros.
Já o economista André Lara Resende coordenará a “Comissão de Estudos Estratégicos”.
Lula e Alckmin participam da posse
Em seu discurso, o presidente Lula lembrou que o BNDES foi, durante os últimos anos, “vítima de difamação muito grave”, sobretudo no período eleitoral. Segundo ele, a principal das mentiras custou caro.
“O BNDES nunca foi caixa preta. De tanto martelar isso na cabeça das pessoas, o banco gastou 48 milhões de reais em uma auditoria internacional em 2020, e o resultado é que nada foi encontrado porque todas as operações eram técnicas, e o banco, dirigido por corpo técnico altamente qualificado”, comentou Lula.
Já o vice-presidente Geraldo Alckmin exaltou a nomeação de Mercadante para o BNDES e parabenizou pelas prioridades elencadas na posse. “Um dos melhores economistas, de sólida formação acadêmica, experiência legislativa, ministro da presidente Dilma, estudioso, comandou a Fundação Abramo e, acima de tudo, tem espírito público”, disse Alckmin.
Alckmin destacou sobretudo que o BNDES será essencial no financiamento de PPPs e concessões. Ele frisou ainda a discussão sobre o papel do BNDES como EXIM Bank. “Financiar exportações brasileiras é gerar emprego no Brasil, é fortalecer empresas brasileiras para que elas possam exportar e melhorar competitividade”, pontuou.
Leia o discurso completo aqui.
Assista:
Roubinialerta
6 de fevereiro de 2023 7:40 pmAté a Cassandra alerta o colapso iminente, que será lento e irreversível do duplo pilar do gigante americano: OTAN e dólar.
Será impossível o BC manter sua fictícia independência em breve.
Lula está se antecipando. Ciro Gomes já teria dado ultimato a Campos.
https://archive.is/2023.02.05-120741/https://www.ft.com/content/e03d277a-e697-4220-a0ca-1f8a3dbecb75