WASHINGTON, Estados Unidos: Os eventos das últimas semanas foram um triunfo para o canal a cabo de notícias, Al-Jazeera; suas reportagens da Tunísia e do Egito em árabe têm sido assistidas com atenção por todo o mundo árabe.
Sua cobertura logo se tornou espinhosa para os governantes do Egito, que prontamente decidiram que não conseguiriam retirar a Al-Jazeera árabe das televisões egípcias rápido o suficiente.
Porém, é a sua versão em inglês que permitiu a Al-Jazeera penetrar o mercado mais resistente, os Estados Unidos.
A cobertura da Al-Jazeera em inglês – AJE –dos protestos no Egito foi invejada por muitas agências de notícia por todo o mundo, que se baseavam em vídeos do canal sediado em Doha.
Semelhante ao papel da CNN na cobertura da Guerra do Golfo de 1990-91, a AJE ganhou respeito por suas reportagens em cima do lance e por seu contexto com relação aos protestos tunisinos e egípcios.
Enquanto os canais estadunidenses estavam tentando se organizar para enviar repórteres e produtores para o Cairo, os canais da Al-Jazeera já estavam lá. As outras redes noticiaram: No programa de debate da ABC “This Week” [Essa Semana, que discute diversos assuntos] aos domingos, Sam Donaldson [repórter e âncora do canal] se virou para um repórter da Al-Jazeera e disse: “Obrigado pelo que vocês estão fazendo.”
É um fato conhecido em Washington que até a Casa Branca está assistindo à AJE.
Sua cobertura não vem sem um preço a ser pago. Por suas dores, Al-Jazeera é um dos alvos da repressão draconiana crescente das forças egípcias contra a mídia.
Os militares egípcios detiveram um correspondente da AJE do Cairo no último domingo e seus escritórios de língua árabe e inglesa foram alvo frequentes durante todo o período de instabilidade no Egito.
A Al-Jazeera iniciou seu canal em inglês em 2006, e ele está geralmente acessível a visitantes do mundo todo. Contudo, dentro dos EUA, só lhe foi concedido direitos totais de distribuição em algumas cidades: Washigton D.C.; Burlington, Vermont; e Toledo, Ohio.
Por isso, foi necessário recorrer a outros métodos de distribuição. Desde 27 de janeiro, AJE teve de aumentar sua capacidade de exibir vídeos para poder manter o site no ar durante os enormes picos de acessos, um porta-voz contou aos repórteres na terça. Mais de 7 milhões de visitantes estadunidenses passaram perto de 50 milhões de minutos assistindo o site da AJE desde as rebeliões egípcias.
Porém, poucas pessoas pensam que assistir a cobertura ao vivo na internet ou em seus celulares seja tão satisfatório quanto assisti-la na telvisão.
“Desde o lançamento em 2006, a Al-Jazeera em inglês é o melhor canal a cabo que não consegui acessar,” escreveu o jornalista Aaron Barnhart em sua seção Kansas City Star na segunda-feira.
“Transmitindo 24 horas por dia de 65 escritórios por todo o mundo, a AJE envergonha qualquer organização de notícia estadunidense. Sua cobertura ao vivo das lutas em Gaza em 2009 levou muitas pessoas a assisti-las na internet, mas isso ainda era visto como novidade por muitos estadunidenses até os eventos no Egito,” escreveu Barnhart.
“Houve um grande apelo da população estadunidense para ter acesso à AJE,” disse Al-Anstey , diretor administrativo do serviço anglófono da Al-Jazeera, aos repórteres essa semana.
Anstey disse que ele pensava que o canal sofria de “alguns preconceitos com relaçãoo ao que a Al-Jazeera defende.” Durante a Guerra do Iraque, o canal em árabe foi criticado pelos oficiais da administração Bush, e recentemente (na sexta-feira) o comentarista conservador da Fox News Bill O’Reilly chamou a Al-Jazeera de anti-estadunidense.
Porém, essa visão tem sido afogada por pessoas como Donaldson que içaram a imagem da AJE por sua cobertura dos protestos. O número de acessos do site em inglês cresceu em 2.500 % desde sexta-feira, disse Anstey.
Contudo, o problema aqui é que a rede sediada no Qatar tem sido incapaz de fazer muitos avanços na criação de contratos de distribuição com grandes nomes da TV a cabo e a satélite.
Agora a AJE está buscando a oportunidade de cortejar as distribuidoras midiáticas dos EUA. Ela lançou propagandas de página completa no New York Times e no Washington Post nessa semana e irá falar com os operadores dos cabos dos EUA a respeito acordos “nos próximos dias e semanas,” disse Anstey.
Fazer publicidade em grandes jornais estadunidenses é bom, mas a maior aclamação é de seus competidores.
Aqui temos um exemplo de comentários sobre a cobertura no Egito:
“Esse é o momento da Al-Jazeera” – The New York Times; “Obrigado pelo que vocês estão fazendo” – Sam Donaldson no This Week da ABC; “A cobertura mais compreensiva de qualquer rede em qualquer idioma” – The Nation; “Ótima reportagem. Al-Jazeera tem sido uma precisa linha de tempo para o resto do mundo entender o que está acontecendo” – Rachel Maddow, apresentadora de um talk show da MSNBC durante uma entrevista com Ayman Mohyeldinn [jornalista da Al-Jazeera] no dia 28 de janeiro.
“Leitura obrigatória” – Salon.com. “Washigton abraça Al-Jazeera” – jornalista da Pacifica Radio Jeremy Scahill.
O melhor elogio vem do Business Insider: “Até o presidente dos Estados Unidos está assistindo à Al-Jazeera.”
Barbara Ferguron
Tradução de Alexandre Piffero Spohr
Acesse o original aqui
Imagem retirada aqu
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