3 de junho de 2026

Morre Antonio Cicero, poeta imortal da ABL, na Suíça

Cicero optou por um procedimento de morte assistida, destacando o debate sobre a eutanásia em sua partida.
Cicero optou por um procedimento de morte assistida, destacando o debate sobre a eutanásia em sua partida.

Morreu na madrugada desta quarta-feira, 23 de outubro, Antonio Cicero, poeta, filósofo e crítico literário, membro da Academia Brasileira de Letras (ABL). A confirmação de sua morte, ocorrida na Suíça, veio da ABL e da cantora Marina Lima, sua irmã, por meio de suas redes sociais. Cicero, que enfrentava o Alzheimer, escolheu um procedimento de morte assistida, deixando um vazio na cena cultural brasileira, onde suas letras e ensaios impactaram gerações.

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Nascido no Rio de Janeiro em 6 de outubro de 1945, Antonio Cicero formou-se em filosofia na Universidade de Londres e se destacou como letrista no final dos anos 1970, especialmente nas canções de sua irmã, Marina Lima. Entre seus sucessos estão “Fullgás”, “Para Começar” e “À Francesa”, além de “O Último Romântico”, famoso na voz de Lulu Santos.

Cicero não apenas enriqueceu a música brasileira, mas também a literatura, publicando obras como o ensaio “O Mundo Desde o Fim” (1995) e as coletâneas poéticas “Guardar” (1997), que ganhou o Prêmio Nestlé de Literatura Brasileira, e “A Cidade e os Livros” (2002).

Integrante da ABL desde agosto de 2017, ele ocupava a cadeira 27 e deixa um legado duradouro, tanto na música quanto na literatura, refletindo sobre o amor, a cidade e a condição humana em suas obras. A contribuição de Cicero à cultura brasileira será sempre lembrada e celebrada.

Leia a carta completa de despedida do imortal Antonio Cícero:

“Queridos amigos,
Encontro-me na Suíça, prestes a praticar eutanásia. O que ocorre é que minha vida se tornou insuportável. Estou sofrendo de Alzheimer.
Assim, não me lembro sequer de algumas coisas que ocorreram não apenas no passado remoto, mas mesmo de coisas que ocorreram ontem.
Exceto os amigos mais íntimos, como vocês, não mais reconheço muitas pessoas que encontro na rua e com as quais já convivi.
Não consigo mais escrever bons poemas nem bons ensaios de filosofia.
Não consigo me concentrar nem mesmo para ler, que era a coisa de que eu mais gostava no mundo.
Apesar de tudo isso, ainda estou lúcido bastante para reconhecer minha terrível situação.
A convivência com vocês, meus amigos, era uma das coisas – senão a coisa – mais importante da minha vida. Hoje, do jeito em que me encontro, fico até com vergonha de reencontrá-los.
Pois bem, como sou ateu desde a adolescência, tenho consciência de que quem decide se minha vida vale a pena ou não sou eu mesmo.
Espero ter vivido com dignidade e espero morrer com dignidade.
Eu os amo muito e lhes envio muitos beijos e abraços!”

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Dolores Guerra

Dolores Guerra é formada em Letras pela USP, foi professora de idiomas e tradutora-intérprete entre Brasil e México por 10 anos, e atualmente transita de carreira, estudando Jornalismo em São Paulo. Colabora com veículos especializados em geopolítica, e é estagiária do Jornal GGN desde março de 2014.

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