Em 1971, com apenas 15 anos Marcos Alan foi garfado no mais importante concurso de violões do país, o Villa-Lobos. Um gênio precoce impressionante. Dois anos depois, faleceu deixando em todos os grandes violonistas brasileiros a sensação de que o país perdera um violonista que seria referencial, não fosse a tragédia.
A vida de Marcos Alan está sendo divulgada agora, por sua irmã Graça Alan.
Famos fazer um especial em homenagem a ele e contamos com a colaboração de vocês, trazendo mais dados, vídeos, áudios (há um programa do Fábio Zanon em que Alan é um dos personagens).
Clique aqui para ir ao Mutirão: Marcos Alan colocar sua contribuição de conteúdo.
Marcos Alan,por Turíbio Santos:
Nada mais constrangedor do que ficarmos impotentes diante de uma injustiça.Foi o que aconteceu no traumático concurso Villa-Lobos de 1971,Na sala Cecília Meirelles,no Rio de Janeiro.
Marcos Alan, do alto de seus 15 anos de idade, dominava tranquilamente o concurso, e todos estávamos certos de sua vitória, na realidade a vitória seria a primeira de uma série estrondosa, pois o jovem músico era um fenômeno total, como interprete e compositor, com uma maturidade que só os desígnios misteriosos da vida explicam.
Na leitura do resultado,uma bomba! O violonista que deveria ser o segundo colocado apareceu como primeiro da lista.A reação dos jurados e do público foi de fúria diante daquela afronta.Pediu-se a recontagem dos pontos e a abertura dos votos secretos.E veio a tona para espanto de todos o voto do compatriota Argentino do primeiro colocado.Ele dera dez ao seu conterrâneo e zero ao fabuloso Marcos.Apesar da furiosa grita,Arminda Villa-Lobos,nada pode fazer.O regulamento do concurso não previa um comportamento tão crapuloso e imoral como desse jurado.
Hoje, temos o habito de cancelar notas extremas no momento da contagem de pontos, seguindo a tradição dos jogos olímpicos.
Em abril de 1973, nova injustiça, esta inexorável e brutal.
Marcos Alan morria, 15 dias depois de ter tido um câncer diagnosticado: Leucemia granulosa. O impacto foi devastador para sua família, seus amigos e professores, entre eles João Pedro Borges, Jodacil Damaceno e eu mesmo.
Hoje,sua irmã,Graça Alan,dois anos mais jovem do que ele,faz uma pausa na sua bela carreira de concertista e professora para nos desvendar totalmente a grandeza do fenômeno Marcos Alan,na sua magnitude como interprete e compositor.Estamos todos de mãos dadas com ela e com o grande violonista Wagner Meirelles,nesse abraço restaurador e generoso em torno de um dos maiores músicos nascidos no Brasil:Marcos Alan
Marcos Alan,por Ricardo Tacuchian:
“Mesmo contando com os recursos da moderna tecnologia de gravação, a memória dos grandes intérpretes pode ser fugidia. Quando este intérprete é um jovem que faleceu com apenas 17 anos, a perda da memória sonora é quase iminente. Este é o caso de Marcos Alan, violonista prodígio e incomparável intérprete de Villa-Lobos. Pela dedicação de sua irmã, a também notável violonista Graça Alan, antigas gravações ao vivo de Marcos Alan foram masterizadas para enriquecer o patrimônio artístico de nosso povo, salvando do esquecimento uma verdadeira preciosidade. A iniciativa de Graça Alan, produzindo o CD Marcos Alan e o Violão, é da maior importância para a história de nossa cultura porque resgata um grande intérprete e mostra o talento criador de um jovem compositor que trazia, dentro de si, um potencial incomensurável para a composição e que foi ceifado precocemente.”
“Com este CD, Marcos Alan continuará vivo através de sua alma de artista que fluía com tanto encantamento, através de seus dedos e de seu coração. Não conheci pessoalmente o Marcos mas, agora, pelas suas gravações, me sinto seu velho amigo e admirador.
Marcos Alan,por ele mesmo:
“A liberdade para criar é fundamental. Eu acho que o fundamental não é buscar raízes nacionais para fazer música, mas de encontrar uma linguagem de expressão universal. E a linguagem da música é a expressão de quem faz.”
“O violão é apenas um meio para mim o fim é a música”
“O grande compromisso do compositor ou do concertista é o de fazer boa música.Com isso o artista pode ajudar os homens com sua arte.”
“Eu experimento as coisas novas que eu aprendo”
“Eu nunca pensei em desistir,só penso mesmo é em melhorar,cada vez mais,para ajudar,também,a quem vier depois de mim.Par que no futuro a música não seja uma coisa tão difícil para as pessoas que vierem depois”.
“O violão é apenas uma das coisas que faço. Mas faço muitas outras coisas e deixo de fazer muita coisa também”.
“Depois que apresentei os números que escolhi, me pediram musica popular e eu atendi prontamente. Não tem nada demais nisso. Eu gosto muito de música popular”.
“Quando eu toco violão eu não estou com máscaras, Talvez eu só use mascaras para falar com as pessoas. Para tocar violão ou fazer música verdadeira as pessoas não podem usar máscaras. Quando eu toco violão tenha certeza de que sou aquilo que você ouve e não aquilo que você vê”.
“Essa foi a grande influencia. Foi aquilo que me fez descobrir, realmente, o gosto pelo violão e pela música”. (Referindo-se a seu pai e professor nos três primeiros anos de ensino do violão, por música).
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“Bach me parece um compositor inteligente e Villa-Lobos, forte”.
“Só penso em fazer música, a sobrevivência não é o mais importante para mim”.
“Turíbio foi dos que mais me influenciaram e o contato com ele me trouxe muitos benefícios”.
Editado por WMeirelles, 11 outubro 2009 – 23:13.
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