John Donne,
tradução de Lawrence Flores e Marcus de Martini
NATIVIDADE
A imensidade toda em teu ventre divino
Abandona já o amado confinamento,
Ali, a fim de ser possível seu intento,
Surge neste mundo frágil e franzino.
Mas, onde o pouso para ti e teu menino?
Deita-o na manjedoura, pois do Oriente vasto
Sábios e estrelas virão para que o nefasto
Se detenha, o ciúme de Herodes assassino.
Vês, minha alma, c’os olhos da fé, como dorme
O que tudo preenche, mas ninguém segura?
Não é a piedade Dele tão enorme,
Para te apiedares na mesma altura?
Beija-o e até o Egito siga trilha adentro,
Com Sua mãe, que partilha teu sofrimento.
NATIVITY.
Immensity, cloister’d in thy dear womb,
Now leaves His well-beloved imprisonment.
There he hath made himself to his intent
Weak enough, now into our world to come.
But O! for thee, for Him, hath th’ inn no room ?
Yet lay Him in this stall, and from th’ orient,
Stars, and wise men will travel to prevent
The eff ects of Herod’s jealous general doom.
See’st thou, my soul, with thy faith’s eye, how He
Which fi lls all place, yet none holds Him, doth lie?
Was not His pity towards thee wondrous high,
That would have need to be pitied by thee?
Kiss Him, and with Him into Egypt go,
With His kind mother, who partakes thy woe.

Nativity with St. Francis and St. Lawrence
Michelangelo Merisi or Amerighi da Caravaggio
1600? 1609? , San Lorenzo, Palermo (roubada em 1969)
John Donne (1572-1631) é um dos maiores poetas de língua inglesa. Incompreendido na sua época, esquecido por muitos séculos, é hoje reverenciado e lido em todo o mundo. Sua obra serviu de inspiração para muitos outros poetas além do seu tempo.
Foi a partir de um belíssimo texto de John Donne, que o escritor norte-americano Ernest Hemingway, encontrou inspiração para o título do seu romance “Por Quem os Sinos Dobram”. O texto faz parte de “Meditações”, de onde foi extraído o trecho que abre o romance de Hemingway, eternizando-o, fazendo-o um dos textos literários mais conhecidos da atualidade. (1)
A obra do poeta inglês John Donne é mais conhecida no Brasil a partir dos poemas amorosos traduzidos por Augusto de Campos. A poesia religiosa donneana, no entanto, permanece pouco conhecida e traduzida. A seqüência de sete sonetos religiosos que compõe La Corona foi traduzida no país apenas por Afonso Félix de Sousa (1983). (2)
Fontes:
1. John Donne, nenhum homem é uma ilha – 23/06/2008 – Virtuália, o manifesto digital
2. Lawrence FLORES (3) e Marcus de MARTINI (4), “TRADUZINDO LA CORONA, DE JOHN DONNE“, Revista Letras, São Paulo, v.49, n.1, p.29-46, jan/jun 2009.
(3) Doutor em Teoria da Literatura. Docente. UFSM – Universidade Federal de Santa Maria. Programa de Pós-Graduação em Letras. Santa Maria – RS – Brasil 97010-491 – [email protected]
(4) Doutorando em Estudos Literários UFSM – Universidade Federal de Santa Maria. Programa de Pós-Graduação em Letras. Santa Maria – RS – Brasil 97010-491. Docente. UNIFRA – Centro Universidade Franciscano. Campus II. Santa Maria – RS – Brasil. 97010-491. [email protected]. Artigo recebido em 15.12.2008 e aprovado em 24.04.2009.
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