No dia Internacional da Mulher devemos falar sobre os homens.

Hoje é dia 08 de março (dia Internacional da Mulher), mas devemos falar dos homens nessa data.

 

Criado de forma oficial pela ONU (Organização das Nações Unidas) em 1977, o dia 08 de março já era utilizado por movimentos femininos como uma data para celebrar a luta pelos direitos das mulheres desde o início do século 20. 

 

Influenciaram a criação da data, vários eventos, como: o incêndio na fábrica de roupas Triangle Shirtwaist, em Nova York, em 1911, onde foi revelada as condições extremamente precárias de trabalho à que as mulheres estavam submetidas e ainda a marcha das mulheres russa por pão e paz em 1917, que a história registra como sendo responsável por deflagrar uma grande revolução no mundo, que possui efeito até hoje na luta pelos direitos das mulheres.

 

Contudo, falar dos homens é necessário, sobretudo, para entendermos que parte do mal maior que atinge as mulheres são os homens.

 

Somente no ano de 2019, 1.314 mulheres foram mortas pelo fato de serem mulheres – uma a cada 7 horas, em média.

 

É estarrecedor sabermos que nas próximas 7 horas uma mulher irá ser morta no nosso país e que nesse momento, alguma mulher está sendo morta no planeta. 

 

Mais que isso é absurdo pensarmos que a cada segundo alguma mulher é espancada, estuprada, humilhada, desencorajada ou atacada de alguma outra forma.

 

E por qual razão devemos falar dos homens?

 

Devemos falar dos homens no dia Internacional da mulher, para revelarmos quem comete e é responsável pelo grande mal que atinge as mulheres.

 

São os homens que matam as mulheres a cada 7 horas. São os homens que espacam, estupram, agridem por todas as formas, impedem o crescimento pessoal, profissional e o desenvolvimento das mulheres.

 

São os homens que se colocam em lugar de privilégio, para entender que não devem lavar a louça, roupa, fazer comida, limpar a casa, cuidar dos filhos, cachorros…, e que isso são afazeres domésticos que as “mulheres levam jeito para fazer”.

 

São os homens também responsáveis por termos um mercado de trabalho, onde não importa a capacidade ou empenho da mulher em determinada função, pois esta reservada a mesma um salário e condições de trabalho inferior as mesmas.

 

Somos nós os homens responsáveis por tudo de ruim que acontece com as mulheres e seguimos fingindo de forma cínica e muitas vezes irônicas que não somos nós, seguimos agredindo as mulheres desde a tenra infância, quando escolhemos para as nossas filhas, a cor de suas roupas (rosa), o fogãozinho, ferrinho de passar, bonequinha e todos os brinquedinhos que “mulher gosta”, reafirmando a condição histórica de onde queremos que elas realmente fiquem no curso da história.

 

Enquanto isso compramos roupas azul, carrinhos, bolas de futebol, arminhas e outros “brinquedinhos que homem gosta”, para os nossos filhos.

 

Um dia essas crianças crescem e reproduzem exatamente o que aprenderam com o pai, que lugar de mulher ė na cozinha, que mulher deve estar no piloto, mas, do fogão, que mulher que se pinta é vagabunda, e os brinquedinhos dados a infância começam a produzir seus efeitos, o homem sequer beira o fogão, não faz qualquer coisa nas tarefas de casa, pois tudo isso é “coisa de mulher”.

 

Isso vai se intensificando com certa naturalidade absurda, até que aquela criança que cresceu vendo o pai chegar embriagado em casa e agredir a mãe com xingamnetos, socos e pontapés, simplesmente faz exatamente o que aprendeu e lança mão da arma (arminha), para o desfecho trágico que apontam nossas estatísticas. 

 

Os homens são sem sombra de dúvidas os maiores algozes das mulheres, seja por ação ou por omissão. Digo isso, pois nem todos possui o comportamento que refletimos nesse momento, mas, quase todos agem assim.

 

A omissão está na percepção que temos de que qualquer mulher está sofrendo qualquer tipo fe violência e não reagimos, permitindo que continue esse ciclo de violência. 

 

“Homem que é homem”, não  deve aceitar amizade de alguém que agride, fala mal, ou conta vantagem de agredir à uma mulher.

 

Devemos reagir diante de qualquer ataque às mulheres, em casa, na escola, no trabalho, na rua e em qualquer lugar, invertendo definitivamente esse quadro de violência contra as mulheres, pois somos, nós homens, os responsáveis únicos por exsitir essa violência.

 

No dia 08 de março, desejo um dia de reflexão, luta e paz às mulheres.

 

Cleiton Leite Coutinho. Advogado. Presidente do PT de São Bernardo do Campo, membro da ABJD e dirigente do SASP.

Cleiton Leite Coutinho

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