No mundo das conversas para boi dormir do debate político brasileiro, este só vislumbrou sair do seu estádio original quando Dilma introduziu as duas palavras que assustam os que querem que tudo seja como antes no quartel de Abrantes: Reforma Política. De lá para cá podemos detectar a emergência de temas para que esse monstro amedrontador fosse propriamente dissolvido na sopa contendo: rolezinhos, gastança da copa; cartel do metro; contabilidade criativa do Governo; e toda a sorte de ingrediente que no final não dão de fato o sabor necessário à iguaria: a Democracia brasileira.
Ao final do ciclo petista, que eu acredito ser em 2016, a Democracia do Brasil terá sido reforçada, mais ao mesmo tempo ainda imatura como refletida na fala e expressão de milhões de acordados que desejam um Brasil melhor, mas não sabem o que é uma LDO, ou mesmo que é preciso aprovação de maioria parlamentar para que determinada Lei de interesse nacional seja elaborada. É triste, caímos no descrédito mútuo; de um lado a apresentação de projetos e obras de infraestrutura é taxada de propaganda enganosa, de outro, a crítica consistente ao Governo não consegue se ver livre das vestes da desconfiança ideológica. Ao final, tudo se resume às mesmas adjetivações vazias: pelêgo, peleguismo, direitismo, playbozinho, elites, alienado pela mídia, fascista, esquerda caviar, direita Miami, sonháticos, reaças, vagabundos, bolsa-esmola, bolsa-presidiário, e outra pá de coisas. Mas e daí? E daí é que o bode da Reforma Política vai se esvaindo, se perdendo em nossas briguinhas diárias em blogs e no mundo não virtual.
Por mais odioso que possa parecer o que vou dizer, está mais do que óbvio que a eterna vitimização do povo frente ao Estado é arma usada por todos os espectros ideológicos. É nítido, claro, cristalino o ato de pisar e ovos dos eleitos quando estes estão discursando para aqueles que o elegeram. Não, não se vê um político, seja de direita ou de esquerda, ter a coragem de vir a público e dizer à população que ela tem responsabilidade, e uma delas é apoiar a Reforma Política, e outras tantas que são de interesse geral. Não, não e não, não se pode cair sempre naquela vala comum de que o pagamento de impostos é a retirada dos encargos do cidadão em relação ao seu país. As pessoas vão para as ruas querendo mais e mais direitos, até ai tudo bem, mas a balança tá desequilibrada. É preciso lembrar que o estado de bem estar social almejado pelos brasileiros não vem sem contrapartida. Falar em falta de direitos, que me perdoem a redundância, é um direito, mas menos, por favor. As vezes parece que queremos ser mimados, todos nós brasileiros, independentes da ideologia, mas ao mesmo tempo ter liberdade para fazer as cacas que desejarmos, obviamente, sem punições.
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