Do Brasilianas.org
Participação de PMEs no PIB cai 1% ao ano
Por Lilian Milena
Da Agência Dinheiro Vivo
Entre 1998 a 2011 a participação de micro e pequenas empresas (MPEs) no PIB brasileiro decaiu a uma média de 1% ao ano. Se antes as MPEs contribuíam para 29% da produção de riquezas no país, hoje respondem por 16%.
Em contrapartida surge a cada ano cerca de 200 mil novas MPEs. Em 1998 existiam 5,4 milhões de MPEs. Hoje essa categoria soma 6 milhões de empreendimentos. Os números foram apresentados por Donizete Duarte da Silva, que compõe o Departamento da Micro, Pequena e Média Indústria da Fiesp, durante o 10º Fórum de Debates Brasilianas.org.
Silva destaca que a principal preocupação das MPEs tem sido a disponibilidade de mão de obra qualificada. O empresário, do setor automotivo, diz que estamos assistindo hoje a uma revisão do modelo de compras das grandes montadoras de produtos de micro e pequenas empresas. Muitas MPEs não estão conseguindo atingir as demandas de produtos com mais tecnologia.
“Em 2008, quando os bancos reduziram a disponibilidade de créditos com medo da crise, as grandes montadoras passaram a investir em tecnologia nos seus veículos para atrair os consumidores. Isso colocou a indústria em outro patamar, e as MPEs que atendem essas grandes empresas tiveram seus pedidos reduzidos quase que a zero, porque não apresentavam capacidade tecnológica para atender rapidamente as mudanças exigidas”, conta.
O porta-voz da Fiesp fez reflexões quanto a necessidade de se investir em conhecimento para fortalecer a indústria nacional considerando o desenvolvimento industrial de alguns países. Em 1950, depois da II Guerra Mundial, os americanos já entendiam a diferença entre fábrica e indústria: a fábrica apenas produz, a indústria cria.
A partir disso, exportaram suas fábricas para o Japão. Para se reerguer, o Japão inicia a cópia de produtos americanos e, mais adiante, graças a investimentos em educação, a desenvolver seus próprios produtos. Num momento seguinte, o Japão exportou suas fábricas para a Coréia do Sul. Essa, por sua vez, passa por uma revolução educacional – se tornou o maior seleiro de doutores do planeta – e hoje mantém indústrias no país e exporta fábricas para a China.
“Agora, não só a Coréia, mas os grandes player mundiais estão transferindo suas fábricas para a China que tem gerado profissionais invejáveis, lembrando que detém 25% da mão de obra mundial da indústria”, completa Silva.
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