A atual escalada bélica entre os Estados Unidos e o Irã, centrada no bloqueio do Estreito de Ormuz, começa a produzir efeitos que extrapolam o campo militar e atingem a sustentação política de Donald Trump, que, embora tenha iniciado o mandato com controle sobre o Executivo, o Legislativo e uma Suprema Corte de perfil conservador, cenário descrito pelo internacionalista e apresentador no Times Brasil CNBC, Marcelo Favalli, no programa O Mundo é um Moinho, como uma “tempestade perfeita”, a realidade econômica impõe um desgaste acelerado sobre a base eleitoral trabalhadora do país.
O impacto no orçamento familiar
Diferente dos grandes centros urbanos, o eleitorado que define o cenário político americano reside em cidades de pequeno e médio porte, vinculadas a pequenos negócios. De acordo com a análise de Favalli, esse estrato social é o primeiro a sentir a pressão sobre o “American Dream”, estruturado em quatro eixos de despesa fixa: o financiamento imobiliário (mortgage), o leasing de automóveis, a poupança para a educação superior e o seguro-saúde.
Com o fechamento de Ormuz, o orçamento dessas famílias sofreu um acréscimo médio de US$ 450 mensais. O preço da gasolina registrou alta de 40%, enquanto o diesel atingiu níveis históricos, superando crises anteriores como as de 1973, 1979 e 2022. “O eleitor vota com o bolso. Quando o custo de vida sobe a esse ponto, a tendência é que a pressão econômica seja devolvida nas urnas”, pontua Favalli.
Crise de insumos e tecnologia
A paralisia no Estreito de Ormuz afeta fluxos globais que vão além do petróleo. O represamento de fertilizantes, grãos e, especialmente, do gás hélio, cujo Qatar detém uma das maiores reservas mundiais, ameaça setores de alta tecnologia. O hélio é essencial para o resfriamento de data centers de Inteligência Artificial e para a fabricação de semicondutores de alta capacidade em Taiwan e na Coreia do Sul.
Estudo da Harvard Kennedy School estima que os desdobramentos desse conflito podem gerar um prejuízo global de US$ 1 trilhão em uma década. No Brasil, o setor agrário monitora o encarecimento de 35% nos fertilizantes, o que deve impactar o custo de produção das próximas safras.
Fissuras militares e diplomáticas
No âmbito institucional, o governo Trump enfrenta resistências inéditas dentro das Forças Armadas. A demissão de mais de uma dezena de oficiais de alta patente sinaliza uma divergência profunda entre a Casa Branca e o comando militar sobre a condução da guerra. “A exoneração de generais com longa experiência em combate indica um erro no cálculo de risco que não foi aceito por aqueles que conhecem o palco de operações”, observa o jornalista.
No cenário externo, o isolamento diplomático se aprofunda à medida que aliados históricos, como Reino Unido, França e Espanha, recuam de um apoio direto ao conflito. Essa reticência alimenta uma crise de confiança que, segundo a análise, representa a perda do ativo mais difícil de se recuperar nas relações internacionais.
“Confiança é um recurso que se perde uma única vez. A ruptura com alianças que moldaram o pós-Segunda Guerra e o desgaste da reputação internacional dos Estados Unidos deixam um legado que perdurará para além da atual gestão”.
Assista aos trechos na TV GGN e confira a análise completa de Favalli:
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Rui Ribeiro
20 de abril de 2026 6:45 amO Trumpstein se imagina numa luta justa para livrar o rebanho iraniano dos carrapatos. No entanto, pelo andar da carruagem, parece que ele vai matar o boi a fim de livrá-lo do carrapato