5 de junho de 2026

O futuro do PT está no presente, por Janio de Freitas

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Jornal GGN – Em coluna na Folha de S. Paulo, Janio de Freitas fala sobre a falta de intenção de Lula de ser candidato em 2018. Para o escritor, se sem Lula a situação do PT na eleição é dramática, a da oposição não é melhor. “Aécio, Serra, Alckmim, e quem mais sonhe com candidatura no PSDB, estão dependentes do governo Temer. Se o arremedo de administração fracassa, nem passarem de governistas a oposicionistas lhes servirá: vão ser responsabilizados, perante o eleitorado, como criadores gananciosos da aventura que deu em desastre maior que o anterior”.

Da Folha de S. Paulo

A outra sucessão

Por Janio de Freitas

Já se pode entender a atitude sinuosa de Lula desde que acelerada, há dois anos, a guerra aberta contra ele, contra o PT e contra Dilma. A cada ataque mais infeccioso, Lula falava de uma próxima mobilização petista, do breve início de viagens suas “por este país todo”, da ocupação manifestante das ruas. Essas reviravoltas foram propaladas tantas vezes quantas descumpridas por marasmo inexplicado. Seu e do partido a reboque. É, porém, em mais uma sinuosidade que se encontra o esclarecimento.

Diz Lula que pode ser candidato para salvar os programas sociais, mas está trabalhando pela candidatura de alguém mais moço. Ou seja, é possível candidato nas palavras, mas na intenção não é. Não quer ser. Já não queria, vê-se, quando o conservadorismo se organizava para montar a barragem contra sua assustadora candidatura. A vontade negativa prevalece, invalidando as sucessivas promessas de ação. E agora entra, de leve ainda, no tempo de admitir-se.

Para quem goste das especulações infrutíferas, que têm tantos adeptos na imprensa, uma indagação se oferece: se Lula houvesse deixado clara e firme, bem lá atrás, a desistência à candidatura em 2018, a oposição partidária, o grande empresariado e a imprensa fariam a mesma campanha para liquidá-lo? Ou antes achariam mais útil gerar, para os seus interesses, as candidaturas promissoras que até hoje não têm?

Sem Lula na corrida, a situação do PT é dramática. Mas a da oposição não é melhor. Temer assegurou-a publicamente de que não será candidato em 2018, e isso deu maior ânimo aos pretendentes peessedebistas para impulsionar o impeachment que é, na forma, anti-Dilma, e no objetivo, anti-Lula. Mas quem no PSDB imagina que o bando mercantilista do PMDB abrirá mão das bocas riquíssimas, vai aprender o que Dilma demorou, mas aprendeu.

Aécio, Serra, Alckmim, e quem mais sonhe com candidatura no PSDB, estão dependentes do governo Temer. Se o arremedo de administração fracassa, nem passarem de governistas a oposicionistas lhes servirá: vão ser responsabilizados, perante o eleitorado, como criadores gananciosos da aventura que deu em desastre maior que o anterior. E estar dependente da competência e seriedade de Moreira Franco, Geddel Vieira Lima e congêneres é, no mínimo, beira de abismo. Mesmo o mais badalado, Henrique Meirelles, é experiente em área financeira, mas uma incógnita em direção econômica, além de sua visão ilusória da política brasileira.

Na oposição, o PT pode até não se beneficiar em grande escala do fracasso do governo. Mas prejudicado não será, por certo ganha alguma coisa. O PT hoje está como a Rede de Marina Silva, são partidos que dependem só de si mesmos. Se souber aproveitar as circunstâncias, o PT pode mesmo fazer e ter surpresas. Em seguida ao golpe de 64, o PCB recebeu adesões espontâneas no país todo. Era a reação natural dos indignados, que hoje são multidões. Caso o PT encontre alguma criatividade, com campanhas que busquem adesões à restauração da democracia, à defesa de direitos e à conquista de novos, pode dar-se sua tão falada e nunca iniciada refundação.

Muita coisa gira, já, em torno de 2018. O PSDB não tem muito a fazer, por mais que a imprensa faça pelos pretendidos pré-candidatos do partido. Assim como a Rede e o PSOL, os petistas têm escolha entre aproveitar ou não as circunstâncias: com ou sem candidatura de Lula, o futuro do PT não está no futuro, está no presente.

Jogadas

Nenhum interesse carreia mais dinheiro, nem com maior constância, para congressistas e determinados integrantes de governo do que a reabertura dos cassinos. É assim há dezenas de anos. Durante o governo Sarney, viagens de congressistas eram patrocinadas por donos de cassinos de Las Vegas, para se animarem com o jogo lá e, na volta, o promoverem aqui. Amaral Netto, que liderava a bancada do jogo, organizou numerosas caravanas. Em tempos recentes, o destino passou a ser o jogo no Uruguai.

As torneiras dos já donos de cassinos e dos desejosos de o serem, brasileiros e estrangeiros, não secam. 

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

15 Comentários
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  1. Messias Franca de Macedo

    22 de maio de 2016 12:33 pm

     
     
    ATENÇÃO POVO DO BEM – a

     

     

    ATENÇÃO POVO DO BEM – a direita brasileira é constituída por monstros!

    Palestra memorável do eminente ministro da Justiça Eugênio Aragão.
    E, especificamente, a partir dos 09:00 do vídeo, o catedrático e destemido doutor Eugênio Aragão discorre sobre a farsa do Mensalão.
    Afirma peremptoriamente o ministro:
    “O procurador geral da República, em conversas reservadas com outros procuradores, dizia que não havia nada contra o senhor José Genoino, absolutamente nada. No entanto, José Genoino teria que ser sacrificado para que na denúncia constassem quatro acusados, no sentido de ficar caracterizada a formação de uma quadrilha.
    Do contrário, toda a estrutura da denúncia estaria desmontada.”
    O doutor ministro da Justiça Eugênio Aragão também analisa o protagonismo nefasto do relator Joaquim Barbosa, outra presa da mídia predadora.

    NOTA: 
    a direita brasileira é constituída por monstros!
    O que ‘nois’ já sabíamos!

    ***

    Ministro Aragão: Como aconteceu com os governos da Tailândia e das Filipinas, Dilma foi derrubada através das redes sociais; houve ação de inteligência clandestina?
    21 de maio de 2016 às 09p5
    FONTE [LÍMPIDA!]: http://www.viomundo.com.br/denuncias/ministro-aragao-como-na-tailandia-e-nas-filipinas-dilma-foi-derrubada-pelas-redes-sociais-houve-acao-de-inteligencia-clandestina.html
    https://vimeo.com/167537432#at=0

    1. J.marcelo

      22 de maio de 2016 2:55 pm

      Vaaleu Messias acabei de
      Vaaleu Messias acabei de ver,gostei,já tinha visto o título
      no viomundo mas não tinha me interessado em lê e não reparei q
      tinha esse vídeo que vc comentou,agregou bastante pra mim!

    2. MaGon

      22 de maio de 2016 6:36 pm

      Muito bom o Aragão!

      Este vídeo precisa ser mais divulgado.

      http://www.viomundo.com.br/denuncias/ministro-aragao-como-na-tailandia-e-nas-filipinas-dilma-foi-derrubada-pelas-redes-sociais-houve-acao-de-inteligencia-clandestina.html

      Uma pena que o Aragão tivesse chegado tão tarde no Ministério da Justiça. De qualquer forma eis aí um grande nome para governos democráticos.

  2. ritac

    22 de maio de 2016 2:03 pm

    pena que assumiu o ministerio

    pena que assumiu o ministerio da justiça tarde demais… mas nunca é tarde para recomeçar.

  3. Ricardo Cavalcanti-Schiel

    22 de maio de 2016 2:47 pm

    O futuro está no presente? Ou poderia estar no passado?

    “Caso o PT encontre alguma criatividade, com campanhas que busquem adesões à restauração da democracia, à defesa de direitos e à conquista de novos, pode dar-se sua tão falada e nunca iniciada refundação.”

    O Janio está sendo muito benevolente em conceder o bonus da autocrítica e de uma possível “refundação” ao PT. Benevolente até demais.

    Creio que, no fundo, ele também sabe que o momento para isso passou. Foi o da reeleição de Dilma, e ela acabou tomando exatamente o caminho inverso. Agora, não só o peso da inércia institucional em que o PT está atolado como também da conjuntura, já não vislumbram mais essa alternativa, a da “refundação”.

    A constatação mais efetiva parece a que se pode fazer no sentido contrário ao do Janio:

    “A novidade de tudo isso é que, por conta do seu crônico esgotamento político, o PT se mostre incapaz de capitalizar a indignação gerada no âmbito dessa guerra discursiva, exatamente no patamar mais universal em que agora está posta ― tal como outrora, na década de 80, pôde fazê-lo.” (Feitiçaria, golpe e fim de ciclo)

  4. Flaviano

    22 de maio de 2016 3:41 pm

    Agregar um erre ao infinitivo

    É bom também.

  5. Joao Pereira

    22 de maio de 2016 4:07 pm

    Vi a fala do Eugenio Aragao,

    Vi a fala do Eugenio Aragao, ontem, e fiquei pasmo com as coisas que ele disse a respeito de coisas que ele, seguramente, testemunhou no STF e no TSE, durante o mensalao e agora no julgamento das contas da Dilma. Vale a pena assisir, investir nos 30 minutos que ele usa pra falar. Uma pena que nao esta’ tendo uma repercussao maior.

    1. Marcelo Marti

      22 de maio de 2016 6:51 pm

      A fala de Eugenio Aragão

      Merecedora de destaque… Poderia ser até uma postagem no site…

    2. João de Paiva

      22 de maio de 2016 7:15 pm

      Eugênio Aragão é o cara.

      Caro xará, caros leitores,

      Também assisti à fala de Eugênio Aragão. A seriedade, a sobriedade, a segurança, a convicção, a certeza baseada em observação e análise fática feita pelo sub-procurador geral do MP confirmam quase tudo aquilo em que eu acreditava e que venho comentado neste e noutros blogs em que posto comentários.

      Recomendo fortemente que o GGN e outros blogs progressistas reproduzam a fala de Eugênio Aragão. Se a EBC e a TV Brasil não tivessem sido tomadas pelos comparsas de eduardo cunha e dos irmãos marinho, a rede pública de comunicação também deveria reproduzir o que disse o ex-ministro da Justiça.

  6. ATavares

    22 de maio de 2016 4:25 pm

    Na verdade, Lula tem a

    Na verdade, Lula tem a intenção de ser candidato e sabe perfeitamente que é o único nome do PT com condições de vencer em 2018. 

    Mesmo sem anunciar explicitamente sua intenção de ser candidato, já sofre toda a sorte de perseguição, por parte da mídia e do judiciário, envolvendo, inclusive,  seus amigos e familiares, imagina se ele declarar de antemão sua candidatura…

  7. errante navegante

    22 de maio de 2016 6:16 pm

    É seu Jânio,mas faltou dizer

    É seu Jânio,mas faltou dizer que a corrupção imbricada no jogo financia a máfia que por ocasião assalta o poder da presidencia da República.A mesma que acolhe capitais internacionais, rentistas, ilegais, etc, que pretendem espoliar a mais valia do trabalhador brasileiro.Fora isso, até que seu texto é plausível.

  8. Mariano S Silva

    22 de maio de 2016 6:30 pm

    Cassinos significarão a

    Cassinos significarão a rápida destruição das reservas brasileiras na forma de remessa de lucros(altamente improdutivos!).

  9. Roberto S

    22 de maio de 2016 7:29 pm

    nossa mãe!

    Quem lê o Jânio pode ficar assustado.

    Sim, ele fala como republicano em uma republica com estado de direito. Mas a grande verdade que ficou exposta, como fratura de “motoqueiro”, é que de cidadania não temos nada, quanto mais republicanismo.

    “já não acredito em promessas de sol”

  10. Edi Passos

    23 de maio de 2016 12:00 am

    Assim como muitos

    outros bons analistas da nossa assustadora situação política, atual e futura, Janio de Freitas parece estar ignorando a pior das possibilidades: com o notório enfraquecimento do PT, do Lula e do PSDB, cresce exponencialmente a influência da extrema direita, representada por trogloditas pré-históricos tipo Bolsonaros, Malafaias, Cunhas, Felicianos e outros lixos que os valham…

    Fiquemos alertas!

  11. Cristiane N. Vieira

    23 de maio de 2016 6:02 pm

    Primeiro, não há motivos para
    Primeiro, não há motivos para que Lula siga ou atenda a pauta política que a grande imprensa, como titeriteira, define ou expecta, com todo o respeito ao Jânio de Freitas, grande e honesto jornalista. Lula já havia negado seu interesse em concorrer diretamente desde a última eleição, e estava cumprindo, brilhantemente, o papel de formador de novas lideranças, como fez com o prefeito Haddad, de perfil administrativo, gerencial e político visceralmente diferente da tradição brasileira. Assim como havia feito também com a presidenta, busca pessoas com certas qualidades e características incomuns no jogo político e que, apesar de possíveis críticas e divergências, deve-se reconhecer que estão a anos-luz de distância qualitativa do perfil médio do político nacional.
    Segundo, é necessário esclarecer uma ideia um pouco fantasiosa de que se Lula renunciasse, reiteradamente, à candidatura em 2018, os abutres golpistas não teriam prosseguido com o assalto, que se deu por outros motivos mais do que por este: a direita, sem voto porque sem projeto nem liderança ou apelo popular, sabe que a mera existência de Lula e a vinculação de qualquer candidato a ele seria suficiente para lhes impor outras derrotas. E por que deveria se submeter a chantagem? Portanto, não o responsabilizem pela péssima qualidade dos sistemas de poder – político, econômico, judiciário e de comunicação – do país, que se coadunaram vergonhosamente para produzir o quadro atual, este o verdadeiro problema a ser encarado, além das superfícies. As pessoas geralmente fazem com o PT como na música Geni e o Zepelim, do Chico Buarque. Batem, discriminam, segregam mas esperam que se vire para resolver suas crises internas e expurgos, naturais no curso de sua história, e ainda tirem o país da bancarrota. Não é só o PT que precisa fazer sua autocrítica e uma análise mais profunda de sua responsabilidade no fundo do poço a que chegamos. Quem foi a esquerda brasileira nos últimos 14 anos de governo progressista, quais os partidos que se dedicaram a criar bases consistentes, alternativas e preparadas para exercer o poder, a oposição responsável ou solidária e a crítica político-partidária sem revanchismos ou oportunismos? Muito poucos indivíduos, e como partido, talvez só o PSOL. E a Rede não se compara a nenhum deles, é um partido formado em torno de uma pessoa, que se aproveita de uma imagem, já desgastada porque inverossímil, de impoluta e progressista mas com discursos e atitudes erráticos e inconsistentes, cooptada pelo centro oportunista e imprevisível. Para não dizer quem fomos nós, em conjunto, como sociedade.
    Lula tem 70 anos, é inteligente e experiente o suficiente para saber tudo que está implicado na atual situação e não se comportar como políticos afoitos e sedentos de holofotes, principalmente porque se dedicou por toda a vida não a um projeto pessoal de poder mas a um sonho coletivo de país e mundo mais justos – esse o motivo porque uma campanha de tentativa de destruição de sua imagem e influência, patrocinada, muito provavelmente, pelo governo americano. Acontece com Lula o mesmo que acontece com Pelé (e um não entende muito do metiê do outro, uma inocente provocação!): o Brasil, como país, não sabe dar o devido valor ao que tem de genialidade rara e inestimável herança, curiosamente, fruto dos extratos sempre marginalizados. Mas o mundo inteiro, e seu povo, sabem.
    Senhores jornalistas, tudo a seu tempo, que não é o das manchetes de jornal.

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