O Habeas Corpus de Lula e a luta de classes


Nesta tarde em que se julga o Habeas Corpus do Lula,
neste 22/3/18, em SP, só acompanha ao vivo quem acessa remotos canais,
pois a Midia Grande (em tamanho e dinheiro, não necessariamente nesta ordem)
reserva-se o direito à edição da versão final[1].

Falam os doutos ministros togados,
devidamente televisionados
vestidos para a ocasião solene.
Muitíssimos adjetivos, rebuscados,
substantivos são poucos e enigmáticos
referem-se a acórdãos desconhecidos dos leigos
a números de normas, leis, artigos codificados.

Em mais de 100 anos, até 2009, 99 mil Habeas Corpus se produziram.
Desde então, nos últimos 9 anos, tivemos outros tantos 50%. Ouviram ?
Eis a que a justiça trabalha, viram ?

Habeas Corpus, das origens do direito ocidental, do latim vulgar:
Quem tem o corpus, o corpo, do réu?
Será ele mesmo o réu?, como é devido até a convicção de culpa,
ou, será o Estado, que através da Justiça e sua grande mão policial e militar
numa cadeia irá guardar ao réu,
ou,  modernamente, através de tornozeleira eletrônica, o irá vigiar ?

Falam por horas a fio perante audiência especializada,
esmiúçam as engrenagens do Poder Judiciário,
seus Tribunais inferiores, seus processos burocráticos,
suas hierarquias institucionais, seus ultrapassados rituais,
suas artimanhas regimentais.

Ao poliglota pós-graduado,
custa entender os obtusos circunlóquios,
os data vênias rococós, suas formalidades,
imagine então ao resto do eleitorado.
Suas essencialidades são surpreendentemente claras:
É notável que, salvo melhor juízo, desculpem suas excelências,
é incrível: não fazem a Lula, a menor referência.  

A quem só ouve as palavras da corte,
não toma conhecimento que nas ruas,
grupos pró e contra um Lula liberto
estão cada vez mais em conflito aberto
sem falar no ascenso das mulheres, Marielles, professores, etc.
O semestre promete!.

Já no final da jornada
quando se configura vitória de 7 a 4
pelo habeas corpus no mérito, resolvem não concluir,
só daqui há 2 semanas é que a pantomima vai prosseguir
Depende do que aconteça na rua, assim será o veredito.
 


[1] Que sonegou recentemente bela imagem:
três ex-presidentes sul-americanos,
Pepe Mujica, Rafael Correa e Lula,
tomando chimarrão
pacificamente conversavam
numa tríplice fronteira:
geográfica, política e cultural.

 

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