4 de junho de 2026

O sentido da CPI sem a mídia

Comentário no post “A negociação partidária para convocar Veja e Gurgel

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Vamos supor que a CPMI não convoque a Mídia e o Gurgel; a CPMI perde a razão de ser já que Cachoeira já está preso e vai ser julgado com base nas investigações e, Demóstenes, além de já estar no Conselho de Ética, tb já está denunciado no STF. Ou seja, farão a CPMI para fazer o quê?

O esquema montado pelo crime organizado funciona a partir da Imprensa; passa, forçosamente, pelos meios de comunicação que viabilizavam e legitimavam os atos da quadrilha. Isso tudo já está DITO nas gravações da PF e todo mundo já viu. O mesmo vale para o PGR, que acobertou todo o esquema. Pinçar políticos e empreiteiras é prender o matador e deixar solto o mandante.

Eu não acredito que os parlamentares perderão a chance de mostrar a sociedade que, diversas vezes, serviram de bodes expiatórios para que os verdadeiros corruptos ficassem resguardados. Podem, não convocar ninguém mas o país inteiro já sabe que está dominado pelo crime organizado e que, de nada adiantaria, remanejar, Gurgel ou Demóstenes. Miro Teixeira, já está prontinho para assumir o lugar de Demóstenes e qq outro PGR que entre já encontrará a casa mobiliada. 

Além disso, as coisas chegaram num ponto em que já se sabe que a grande mídia nativa trabalha em parceria com o crime organizado, para uns, a quadrilha fornece material e para outros o material é encomendado, o que vem a dar no mesmo. Ou seja, a omissão de nossos parlamentares, colocará em risco, um grande número de pessoas que denunciaram a parceria. Vale lembrar que estamos falando de bandidos, matadores e, se parlamentares e membros do judiciário, MP, etc… estão com medo de morrer, deveriam pedir licença e ir para suas casas.

O que não vale é correr agora e deixar os denunciantes na friagem. Uma grande parte do país já entendeu do que se trata e está sim, dando todo o apoio a parlamentares de todos os partidos que não caiam na tentação criminosa de fazer joguinhos partidários numa CPMI desse naipe. O que está em jogo não é o Legislativo e nem o Executivo, essa é a CPMI da Mídia e do Judiciário & Cia e suas ligações com o crime organizado. Não façamos isso, agora e, podemos esquecer todos os escândalos que já conhcemos e os que ainda vamos conhecer; jamais vamos poder saber o que foi real e o que foi criado pelo crime organizado; esqueçamos todos os julgamentos pq tb não teremos como saber em que condições foram tomadas as decisões e, por fim, esqueçamos de votar e tentar escolher candidatos, partidos, etc… pq não se enfrenta o crime organizado com votos e nem com passeatas.

No mundo do crime não existe, Imprensa, Legislativo, Executivo ou Judiciário; o que vale é a lei da bala; exceuções sumárias e vontade do bandido. O resto é embromação; falar em democracia num estado controlado pelo crime é obrigar todo o cidadão a ser um soldado do tráfico. Se não for para convocar Midiático e Judiciário, é melhor nem começar. Essa CPMI já começa com uma investigação da PF, o resultado é cadeia para os envolvidos; nos acostumamos a julgamentos na base do recorte de jornal, que, por óbvio, nunca podem dar em nada mesmo; esse caso é DIFERENTE, os envolvidos estão flagrados em atividades criminosas e já existe, veiculada, inclusive, vasta comprovação de suas participações. A omissão do CN, será, infinitamente, mais criminosa que a do PGR. Parlamentares de todos os partidos, uni-vos! A chapa vai esquentar. 

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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