Eleito presidente do Brasil para um terceiro mandato a partir de janeiro de 2023, Lula deve receber pedidos de setores do PT para mudar o relacionamento com os beneficiários das políticas públicas que serão desenvolvidas pelo novo governo. Além disso, Lula quer impedir que o tema corrupção seja “instrumento para que o autoritarismo se estabeleça no País.”
A ideia de ampliar a participação popular, reportada ao GGN por um de seus defensores, o senador Humberto Costa (PT-PE), ajudaria a estancar algumas das críticas que o partido mais recebeu nos últimos anos – como, por exemplo, que o PT se distanciou das bases e não se forçou para “politizar” as massas.
A equipe de Lula já trabalha na transição de governo e, segundo Costa, parte do PT vai propor intensificar ao máximo a participação popular na sugestão, execução e fiscalização de políticas públicas, para que as obras de Lula passem longe de ficar “sem paternidade” perante o público-alvo.
“Eu, por exemplo, concordo com companheiros que têm defendido que para cada obra de relevo que viermos a fazer, temos de ter um comitê de moradores ou comitê de beneficiários para acompanhar a obra, dar opinião e fiscalizar. E, ao mesmo tempo, os agentes políticos – e falo em nome do PT – também precisam ter presença. É preciso ter presença do Estado, mas também a presença dos agentes políticos que estão pilotando o governo”, explicou Costa.
Na visão do petista, “quando ações são tomadas e não ficam claras para elas [as pessoas beneficiadas], seja por não terem conhecimento ou não participarem diretamente [do governo], [essas ações] terminam muitas vezes como algo sem paternidade.”
Centrão e corrupção
Outra preocupação de Lula, segundo Costa, está relacionada à relação do governo com o Congresso que, em tempos passados, produziu casos de corrupção nas estranhas do poder. Mensalão e Lava Jato foram, por muitos anos, uma chaga para o PT. Não levaram o partido à lona, mas fomentaram o sentimento antipetista que catapultou líderes extremistas como Jair Bolsonaro.
Segundo Humberto Costa, Lula está “extremamente preocupado” em como vai deixar o tema da corrupção para trás. A prioridade foi externada quando Costa respondia sobre a governabilidade de Lula a partir de janeiro, no contexto da relação com o Centrão, o bloco parlamentar que deu sustentação a Bolsonaro.
De acordo com o petista, Lula terá um ponto a seu favor, que é a redução do número de partidos, inclusive por meio das federações. “No presidencialismo de coalizão, dentro do contexto [atual] de governo de ‘união nacional’ contra o fascismo, eu acredito que os setores que compõem o Centrão vão dialogar, mas Lula tem sido claro em dizer que vai negociar com partidos, não com indivíduos”, pontuou Costa.
“Lula vai procurar evitar que interesses fisiológicos prevaleçam. Vai construir força política para que o entendimento se dê sem que a gente tenha de abrir mão de princípios fundamentais, entre eles, a ética na gestão pública. Nisso Lula está extremamente preocupado, porque há muitas críticas ao PT por conta de coisas que ocorreram no passado [como Mensalão e Lava jato]. Lula quer passar esse tema da corrupção adiante, para que não sirva de pretexto ou instrumento para que autoritarismo se estabeleça no País.”
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