4 de junho de 2026

Os 150 anos de Olavo Bilac

Poeta amado é desprezado, durante muito tempo era sinal de sofisticação criticar o parnasianismo de Olavo Bilac, como foi o de criticar os sambas-exaltações de Ari Barroso.

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Poeta dos maiores, Bilac conseguiu atingir a alma do povo. Nos seus 150 anos de nascimento, o maior de seus poemas: Língua Portuguesa.

Língua Portuguesa

Última flor do Lácio, inculta e bela,
És, a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela

Amo-se assim, desconhecida e obscura
Tuba de algo clangor, lira singela,
Que tens o trom e o silvo da procela,
E o arrolo da saudade e da ternura!

Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te, ó rude e doloroso idioma,

Em que da voz materna ouvi: “meu filho!”,
E em que Camões chorou, no exílio amargo,
O gênio sem ventura e o amor sem brilho!

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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12 Comentários
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  1. lucianohortencio

    14 de dezembro de 2015 12:10 pm

    Ouvir Estrelas!!!

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=iodP0pDz-k%5D

    1. carlos afonso quintela da silva

      14 de dezembro de 2015 1:31 pm

      Alguns errinhos, como por

      Alguns errinhos, como por exemplo a troca de pálio por pátio, não invalidam a beleza dos versos e da voz afinadíssima da Paula Toller. Olavo Bilac, o poeta da minha adolescência e um gênio pouco conhecido no mundo. É deste Brasil que quero ter orgulho.

  2. altamiro souza

    14 de dezembro de 2015 12:27 pm

    oras, dreis ouvir

    oras, dreis ouvir estrelas.

    além de digeri-las,

    luto por ouvi-las.

  3. antonio francisco

    14 de dezembro de 2015 12:39 pm

    O nome dele já é um verso

    Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac é um verso com doze sílabas, dodecassílabo, ou alexandrino.

    A gente decorava poesias como esta e as declamava em salas de aula, era muito bom! Tem de corrigir o Amo-se, Nassif: Bilac escreveu Amo-te. 

    Foi um dos fundadores da ABL, cadeira 15:

    http://www.academia.org.br/academicos/olavo-bilac

  4. antonio francisco

    14 de dezembro de 2015 1:16 pm

    Os governos do Brasil odeiam a língua portuguesa!!!!!

    Quando a Receita Federal vai criar um CPF, ou quando outros órgãos vão fazer outros documentos, usam programas que não estão nem aí prá nossa língua: como resultado, altera-se o nome de pessoas, João fica sendo Joao, José de Freitas vira Jose De Freitas,  Joseane Teixeira-Batista vira Joseane Teixeira Batista sem o hífen, e dane-se a língua. Não se encorajam empresas brasileiras a criarem tais programas em uso pelos órgãos do Brasil, respeitando integralmente a nossa língua.

    Havia um movimento forte, determinado a desenvolver programas de software livre por aqui, mas ao que tudo indica as microsoft da vida estão vencendo as paradas.

    Do mesmo modo, os aparelhos eletrônicos não são forçados a respeitar nosso idioma, e fica inútil a tentativa dos  usuários de celulares e quejandos de  escreverem corretamente, pois acentos circunflexo, agudo, grave, til etc podem até existir nalguns aparelhos, mas não é fácil usá-los. Daí que naum, vaum, eh, e outras criaçõe vão ocorrendo para que uma comunicação se faça. 

    Pior ainda: como o Brasil de “cima” ama com força os EUA e demais países do chamado Primeiro Mundo, o Brasil tem ruas com nomes estrangeiros, inclusive de difícil pronúncia, como a rua que mencionei outro dia no GGN, a rua Aimée Semple McPherson que fica na Pampulha, em BH – e nomes de prédios públicos, como Corporate, em Brasília, além de  edifícios de particulares nomeados em francês, inglês, etc.

    E as maluquices de se importar ideias como Black Friday, 50% OFF, For Sale, com cartazes expostos em vitrines? A quem aquilo serve?

    Admiro a fama francesa de tentar a todo custo evitar os estrangeirismos, a ponto de colocarem comentaristas de TV a dizerem Ilarí Clintón nas TV lá deles, quando têm algo a falar sobre  Hillary Clinton – que os repórteres brasileiros dizem sonoramente Rêlare Clên tân, fazendo cara do tipo “viram, como sei falar a única língua que presta?”

     

  5. antonio francisco

    14 de dezembro de 2015 1:24 pm

    A tal reforma ortográfica, uma lástima!

    Se Olavo Bilac estivesse por aqui nos dias de hoje, ia ficar uma fera com aquela história de grafar “acriano” ao invés de “acreano”, fruto daquela normatização  que tirou o trema da lingüiça e fez mais mudanças que andaram irritando aos que gostam de nossa língua.

  6. caju azedo

    14 de dezembro de 2015 1:36 pm

    A Camões, de M Bandeira

    E por falar em língua portuguesa, últimos versos do soneto de Manuel Bandeira para Camões:

     

     

    E enquanto o fero canto ecoar na mente

    da pátria que em perigos sublimados

    plantou a cruz em cada continente

     

    Não morrerá sem poetas nem soldados

    a língua em que cantaste rudemente

    as armas e os barões assinalados.

  7. Zuraya

    14 de dezembro de 2015 3:01 pm

    Vende-se um sítio

    O dono de um pequeno sítio, amigo do grande poeta Olavo Bilac, abordou-o na rua:

    Sr. Bilac, estou precisando vender o meu sítio, que o Senhor bem conhece. Pode redigir o anúncio para o jornal?

    Olavo Bilac apanhou o papel e escreveu: “Vende-se encantadora propriedade, onde cantam os pássaros ao amanhecer; com extenso arvoredo, cortada por cristalinas e marejantes águas de um ribeiro. A casa banhada pelo sol nascente oferece a sombra tranqüila das tardes, na varanda”.

    Meses depois, topa o poeta com o homem e pergunta-lhe se havia vendido o sítio.

    Nem penso mais nisso, disse o homem. Quando li o anúncio e percebi a maravilha que tinha! Desisti imediatamente de vender aquele paraíso!

    Às vezes alguém chega para nós, e com a palavra certa, com a observação adequada e nos muda o ângulo de vista, nos faz quebrar os paradigmas e, entendemos que certas coisas que tanto precisamos e achamos não ter, estão bem do nosso lado…

    Amar a vida e tudo que nos cerca nunca é demais…

    sitedoescritor

  8. Jair Fonseca

    14 de dezembro de 2015 3:04 pm

    A interpretação do célebre

    A interpretação do célebre soneto “Ouvir estrelas”, de Bilac, por Paulo Autran, é excelente: comedida, simples, sem ênfase. Nela o poema, com seu ritmo, se sobressai. A de Juca de Oliveira é por demais “enfeitada” pela interpretação teatral e pelo pianinho, mas também vale. 

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=qWQsuUBw5GU%5D

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=8AH8bxSytpM%5D

     

    1. Anna Dutra

      14 de dezembro de 2015 8:09 pm

      amai para entendê-las
      Jair,
      É óbvio que te encontraria aqui. Onde está a poesia, o congraçamento, a homenagem de coração.
      Foste um ponderado e sempre equilibrado amigo, a nos trazer sempre a palavra verdadeira, sem conotação, sem falseio ou sarcasmo. E como foi bom que assim tenha sido! Te revelou confiável, sólido, um bom companheiro em tantos posts por este Blog, MINHA CASA também.
      Vim até aqui para te desejar um Feliz Natal. Uma noite abençoada, alegre, fraterna. Estando próximo ao Mar na passagem do ano vá até lá e peça por todos nós, pelo Brasil. Iemanjá há de te ouvir. Feliz 2016.
      Abraço da Anna.

      1. Jair Fonseca

        14 de dezembro de 2015 8:36 pm

        Oi, Anna, valeu! Obrigado

        Oi, Anna, valeu! Obrigado pela consideração. E Felizes Natais, pra você também! A propósito, segue o “Soneto de Natal”, de Machado de Assis. Abração.

        Um homem, — era aquela noite amiga,
        Noite cristã, berço no Nazareno, —
        Ao relembrar os dias de pequeno,
        E a viva dança, e a lépida cantiga,

        Quis transportar ao verso doce e ameno
        As sensações da sua idade antiga,
        Naquela mesma velha noite amiga,
        Noite cristã, berço do Nazareno.

        Escolheu o soneto… A folha branca
        Pede-lhe a inspiração; mas, frouxa e manca,
        A pena não acode ao gesto seu.

        E, em vão lutando contra o metro adverso,
        Só lhe saiu este pequeno verso:
        “Mudaria o Natal ou mudei eu?”

        Texto extraído do livro “Poesias Completas – Ocidentais”, 1901, pág. s/nº.

        1. Anna Dutra

          15 de dezembro de 2015 12:55 am

          Plural
          Jair,
          este plural não me contenta. Você tem dúvida de que nos cumprimentaremos pelos Natais de 2016, 2017, 2018 …? Eu não tenho.
          Tão logo passe o Natal, saio por alguns dias a resolver demandas familiares e pessoais.
          Quando o ano finalmente começar, depois do Carnaval, tudo estará, no que depender de mim, sacramentado, resolvido, acertado.
          Aí então poderei estar aqui amiúde, junto aos amigos.
          Estou somente aguardando um sinal verde para dar andamento à solução das pendências para poder usufruir do Novo Ano com alegria e paz.
          Não ponha minha mensagem na conta da consideração. Um amigo como você tem e sempre terá de mim muito mais.
          Te agradeço o poema. Como nem eu nem o Natal – talvez você? – te deixo uma preciosidade que você já postou e que muito me alegrou.
          Que teu Natal seja muito, muito, muito feliz. E 2016, ainda melhor.
          Anna.

          Amor Perfeito
          Clara Nunes e Marisa Gata Mansa

          [video:https://youtu.be/DfqBcQO6iOw%5D

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