
2012 marcou o fim das grandes apostas de Dilma Roussef. Como efeito da estratégia de superação da crise, no período 2008-2010, os bancos públicos assumiram protagonismo inédito. Numa ponta, o Banco Central conduzia a redução da Selic; na outra, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, e BNDES forçavam a uma queda inédita no spread bancário.
Teve início um movimento de migração da renda fixa para a renda variável. Só na Funcef, a queda na Selic liberou R$ 50 bilhões que, à falta de títulos para serem rolados, iriam necessariamente para os novos fundos de infraestrutura.
Em 2013, as pressões já tinham dobrado a candidata a dama de ferro. Pouco antes, houve uma reversão no processo de queda da Selic, pegando no contrapé os que tinham acreditado na promessa anterior, de taxas de juros internacionais. A Fazenda havia identificado pressão de demanda em alguns eletrodomésticos e as cotações globais pressionaram preços de alimentos. Em junho aconteceram as grandes passeatas refletindo o clima de mal-estar na economia.
Entrou-se em 2014 com dados objetivos de que as desonerações de folha, distribuídas com evidente exagero a dezenas de setores, não haviam produzido aumento de investimento pretendido. Não foi dinheiro jogado fora. Permitiu alguma redução da enorme alavancagem das empresas não financeiras, no período anterior, e a manutenção dos níveis de emprego. De qualquer modo, Dilma estava perdendo o grande álibi que lhe garantiu uma folga política nos dois primeiros anos de mandato, que era uma economia em crescimento.
A perda de fôlego da economia deixou a presidente com uma hipersensibilidade para as críticas. Duas, em particular, produziram respostas rápidas, e nem sempre adequadas.
A primeira, as críticas contra contra a expansão dos bancos públicos, obrigando os bancos privados a reduzir os spreads.
Em janeiro de 2014 Dilma Roussef foi a Davos tentando tranquilizar o chamado mercado. Sua mensagem foi: fiquem tranquilos que bancos púbicos não vão concorrer com vocês. Foi um momento apenas para superar a crise. O discurso foi bem recebido e Dilma tratada como estrela do encontro, ofuscando até o recém-eleito presidente do México, Enrique Peña Nieto.
Foi seu último momento de brilho.
A guerra contra os bancos públicos já era enorme, e, no Palácio, sentiu-se o aumento da pressão quando o Banco Itaú passou a se valer de Marina no discurso público.
A segunda crítica foi do presidente da FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Paulo Skaf, contra os preços da energia, nas vésperas da renovação de algumas outorgas relevantes.
Dilma decidiu da sua grande tacada no setor elétrico. Montou um modelo pelo qual as concessões seriam relicenciadas sem a chamada outorga onerosa, isto é, sem pagar pela nova outorga. As usinas já estavam depreciadas e não havia a necessidade de fundos de reversão – destinados a ressarcir os investimentos iniciais – e outras contas que encareciam as tarifas. Estas passariam a refletir apenas os custos operacionais.
Ao mesmo tempo, tentou antecipar outorgas relevantes, em mãos de companhias estaduais, especialmente da Cemig, de Minas, da CESP, de São Paulo, e da Copel, do Paraná. Esbarrou em uma disputa pesada, em parte por motivos políticos (os três estados dominados pela oposição); em parte pelo valor oferecido.
E, aí, criou-se a tempestade perfeita, com uma série de eventos totalmente fora de controle do governo.
O primeiro deles foi a seca do nordeste, a maior em décadas, que arrebentou com a tentativa de reduzir as tarifas de energia elétrica.
O mercado é composto por energia contratada e mercado livre. A energia contratada é fornecida pelos geradores às distribuidoras em contratos de longo prazo. Quando ocorre algum problema na oferta, as distribuidoras são obrigadas a buscar o que faltou no mercado à vista.
A seca derrubou a oferta de energia. Com o impasse com o governo federal, as três concessionárias saíram do mercado de energia contratada. Houve uma notável redução na oferta de energia contratada, obrigando as distribuidoras a irem para o mercado livre – cujas cotações explodiram.
Ao mesmo tempo, a queda no nível de água dos reservatórios obrigou a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) a acionar todas as eletrotérmicas, mesmo aquelas de baixíssima eficiência, aumentando a conta do setor. Repassar os custos para as tarifas de energia significaria aumentar o custo de produção e tirar a comida da mesa do mais pobre. E o Tesouro foi bancando esses subsídios. Criou-se uma conta pesada no setor elétrico, ao mesmo tempo em que a seca obrigou a desembolsos de R$ 5 a R$ 6 bilhões para enfrentar as questões sociais.
Os problemas ganharam uma nova dinâmica em meados de 2014, com os primeiros sinais do fim do grande ciclo de commodities que ajudou a sustentar a economia na década anterior.
O ano abriu com petróleo a US$ 110,00 o barril; bateu nos US$ 140,00. Mas, em agosto, havia despencado para US$ 45,00. O mesmo ocorreu com as cotações de commodities, afetando setores chaves para o crescimento.
Todos esses elementos, seca e commodities, estavam fora do controle do governo federal.
No final de agosto, estava claro para Dilma e Mercadante que, passadas as eleições, seria inevitável um choque de arrumação.
Em 2011 tinha havido um ajuste fiscal rigoroso, mas com todas as variáveis sob controle. Agora, era um jogo sem controle de todas as variáveis.
Foram dois meses de debates internos pesadíssimos, sobre como sair da armadilha com o mínimo possível de perdas. Foi o período em que, terminadas as eleições, Dilma enfurnou. Nessas discussões, definiram-se as peças chaves, intocáveis, como Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida e outras prioridades.
Para completar a tempestade perfeita, entrou o fator Petrobras. O pré-sal já andava a pleno vapor. O país fechou 2014 com a produção do pré-sal respondendo por 25% da produção nacional. Em 2013 e 2014 ela havia sido fundamental para garantir os investimentos internos, trazendo consigo a cadeia do petróleo-gás-estaleiros. Quando despencaram os preços do petróleo, a Petrobras precisou desacelerar o ritmo de investimento.
As discussões maiores eram sobre quem receberia a incumbência de promover o ajuste rigoroso. Acabaram se fixando no nome de Joaquim Levy. Sua ideia inicial era um pacote ainda mais recessivo do que o que foi anunciado. Levy levou propostas pesadas de corte nos investimentos públicos.
Dilma reagiu:
— Estamos no meio de um choque monetário e você quer um choque fiscal? Assim vamos parar o Brasil.
Antes de terminar o ano, houve a estreia de Levy, um desastre inicial como prenúncio dos desastres posteriores. Mesmo com pleno emprego havia o crescimento do seguro desemprego. Sem conhecimento maior da economia real, Levy supôs que estivesse ocorrendo uma fraude gigantesca.
Na verdade, tratava-se da rotatividade normal na economia brasileira, especialmente na construção civil, que vinha comandando o crescimento. Os especialistas avisaram, depois, que a construção civil abria o ano com um estoque de trabalhadores e terminava com outro contingente, mostrando rotatividade total.
Em dezembro, entre Natal e Ano Novo, Levy anunciou a revisão do seguro desemprego. Foi o cartão de visita da nova gestão, provocando o primeiro grande impacto negativo.
Até então, Dilma achava que, passado o terceiro turno, do julgamento do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) conduzido por Gilmar Mendes, o Judiciário daria uma folga.
Mas quando declarou que não havia nenhuma possibilidade de apoiar Eduardo Cunha para a presidência da Câmara, abriu a caixa de Pandora. O então vice-presidente Michel Temer chegou a propor a Dilma ficar neutra. Mas ela e Mercadante decidiram partir para o confronto.
Não tinham noção de que Cunha já comandava uma bancada de 200 deputados do baixo clero, cuja campanha ele ajudara a financiar.
O embate final se deu quando Dilma ousou apresentar uma nova lei dos portos.
Foram mais de 20 reuniões para o marco portuário. No Congresso, Cunha havia apresentado uma emenda que abria caminho para a lambança. Embora todo mundo soubesse das ligações históricas do PMDB, especialmente de Temer, com o porto de Santos, não tinham ideia da sua dimensão. Temer não largava do pé de Luiz Adams, chefe da Advocacia Geral da União (AGU), buscando uma portaria que permitisse ao grupo Libra se candidatar à renovação da concessão sem quitar seus débitos fiscais.
Mas o lance final, que precipitou o golpe, foi quando Aécio e o PSDB aderiram a Cunha. Este pretendia manter o governo sob rédea curta; os tucanos apostavam no golpe, acreditando que Temer se apoiaria neles para a nova gestão.
Nos meses seguintes, o Congresso foi paralisado com as pautas-bombas do PMDB. A Globo se pôs a campo, conclamando a população para as grandes passeatas, e o STF piscou.
A partir daí, o caminho estava aberto para a tomada do poder pela mais deletéria organização criminosa gerada pela política brasileira. Com a luxuosa contribuição da Lava Jato.
Andre Luiz RRR
30 de abril de 2018 11:45 pmAproveitando que o assunto é
Aproveitando que o assunto é Dilma, vejam como ela era despreparada, o próprio Lula aponta isso em seu livro.
Ele escolheu muito mal a sucessora:
https://www.facebook.com/alinepjsantana/posts/10212386938364590
Marco Xin A. Lee
1 de maio de 2018 12:18 amLula escolheu a Dilma, o
Lula escolheu a Dilma, o Temer, o Cabral, o Renan, o Sarney, o Maluf, etc.
Bruno Cabral
1 de maio de 2018 2:12 amSe for por isso…
51.041.155 incautos ludibriados (ou coxinhas, se preferir) escolheram o Aecio em 2014…
Maria Roland
1 de maio de 2018 2:41 amChinglings e sua ignorância em relação à política brasileira
Só um chingling, mesmo, para não entender a complexidade da política partidária brasileira. Ai, que preguiça…
Rodrigo Roal
1 de maio de 2018 12:22 amGrande Nassif
Grande análise!
ou melhor:
Grande síntese!
C.Poivre
1 de maio de 2018 1:01 amEm 2014 o PT deveria ter imposto Lula
Dilma se fez de desentendida e não devolveu o bastão a Lula em 2014, como era o esperado. Mas o erro fatal foi do PT que tinha obrigação de impor o nome de Lula na convenção partidária daquele ano.
Dilma conseguiu governar em águas calmas mas não tinha jogo de cintura para enfrentar qualquer turbulência. Ela não soube preservar o cargo que o povo lhe confiou em 2014, mesmo com os inúmeros instrumentos legais e constitucionais disponíveis num regime presidencialista como o nosso.
bfcosta
1 de maio de 2018 2:11 amSe Lula realmente quisesse
Se Lula realmente quisesse concorrer, a vaga era dele e não tinha quem no PT lhe tirasse. A verdade é que Lula não quis concorrer (por que, não sei…), acho até que nem Dilma queria mas não havia outro nome no PT para se apresentar para a disputa.
Jus Ad Rem
1 de maio de 2018 4:10 am#
Muitas pessoas agem e opinam como quem entende que Lula é um objeto do PT, e portanto, faz o que o PT decidir.
Na ocasião da prisão do Lula, lá no Sindicato dos Metalúrgicos, muitas pessoas manifestaram revolta contra Luís Marinho e outros que ali estavam em solidariedade. Como se eles tivessem o poder de decidir que Lula não deveria se entregar.
Ora! Quem manda no Lula é ele mesmo!
Em minha opinião, agiu corretamente.
joel lima
1 de maio de 2018 11:21 ame aí a gente volta ao
e aí a gente volta ao mensalão de 2006, que tirou do jogo o Zé Dirceu, o nome que mais chances tinha de ser o presidente do Brasil após Lula. O momento crucial foi dessa tragédia foi Dilma ir pra reeleição e não deixar Lula. Não digo que não haveria golpe e os fdps nao levassem, mas não seria o 7 x 1 que foi com Dilma – ouvindo os conselhos do Zé Cardoso e se deixando engabelar pela ortodoxia dum Levy, burocrata de terceiro escalão.
hc.coelho
1 de maio de 2018 2:52 amNão havia por que tirar a Dilma
Seu governo foi só de sucessos, não havia por que o Lula não esperar a próxima vez.
Até o nassif com este artigo muito bom se redime das inúmeras e injustas críticas.
A única restrição do LULA à Dilma foi por ela não ter sabido conter os cunha e não ter previsto a traição do teque ninguem prevê, se não não é nem traição.
bobo
1 de maio de 2018 1:55 amNão serve pra governar
Se a lava-jato tivesse levado a sério as investigações na petrobrás que remontavam ao governo tucano ao invés de delimitar arbitráriamente as investigações a ações após Lula assumir por supostas “prescrições” de investigação criminal, a história da corrupção do pmbd no governo poderia ter crescido, mas a lava-jato com moro decidiu tentar influenciar já nas eleições protegendo o partido de Aécio Neves contra Dilma, com o protecionismo vergonhoso da mídia “patriota” embarcaram todos juntos na ponte-que-o-pariu. Se não fosse o primarismo e tivessem coerência com o que falam não teriam elevado Temer (que defendia mais regulação ambiental que global não gosta) e não estariam atolados na lama e sem candidato.
bfcosta
1 de maio de 2018 2:21 amEste post vai ficar para a
Este post vai ficar para a história, mas eu acho que teria que haver uma volta maior no tempo. Essa crise toda começa justamente no primeiro ano do segundo mandato do governo Lula, 2007, em que aconteceram duas coisas. Uma foi a saida de Paulo Laceda da PF para a Abin. Houve quem alertasse Lula de que problemas viriam desse movimento mas ele não deu ouvidos. Outro fato pouco percebido é a movimentação em 2007 do Banco Central, controlado por Meirelles na época, com a nítida intenção de valorizar o real. Em determinado momento cessaram-se os cortes na selic e o câmbio que abriu o ano a R$ 2,20 (já no piso da cotação de 2002) chegaria a R$ 1,70. Eu nunca entendi este movimento, sempre me pareceu suicídio, mas isso ficou por um bom tempo, a ponto de, mesmo com a crise de 2008 que faz a cotação voltar temporariamente à um preço mais confortável para a indústria, o dólar continuaria a se valorizar até chegar a menos de 1,60. Dilma já assume vendo que os problemas de balanço de pagamentos uma hora se fariam presentes. Mas ela tenta manobrar a situação tentando satisfazer a todos da melhor forma possível, até que os bancos chiam com as quedas das taxas de juros. E aí começa tudo que Nassif descreve aqui.
arkx
1 de maio de 2018 2:30 amOs dias decisivos do governo Dilma
Aleppo tinha 2 milhões de habitantes. não ficou pedra sobre pedra. quantas cidades o Brasil tem acima de 2 milhões de habitantes? Apenas 8: São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Salvador, Fortaleza, Belo Horizonte, Manaus e Curitiba.
assim como na Síria, o Imperium não tem mais a mais remota idéia de como estabilizar sua intervenção no Brasil.
afinal, a CIA e o Mossad são especialistas em demolição controlada, ou mesmo descontrolada, tanto faz…
por toda parte a Nova Ordem Mundial redundou numa desordenada fragmentação global.
como superar a crise, tendo esta se tornado um modo de governo? ainda assim, admitamos que no caso brasileiro a arquitetura do caos saiu completamente de controle.
alguns esperam por um mito salvador, muitos crêem em eleições, outros pregam a unidade entre os homens de boa vontade, uns poucos acreditam em Delfim Neto, Ciro Gomes e Fernando Haddad…
há também aqueles apostando tudo numa intervenção extraterrestre. já que a tão aguardada militar já ocorreu, mas não exatamente como supunha-se.
e Lula, onde está? Cunha? “celas especiais”? afinal, qual é o acordo? um Pacto à la Brasil com o STF com tudo?
o futuro desabou. o presente não é mais como costumava ser no passado. e o passado insiste em se perpetuar.
talvez o Brasil seja mesmo um laboratório. mas ao que tudo indica, algo parece ter saído errado. o experimento explodiu. o país está implodindo. o tecido social se decompondo.
já passamos há muito do ponto de não retorno.
todos nós devemos preparar um lugar para acomodar as tragédias que sabemos serem inevitáveis. mas talvez isto já não mais seja de grande valia.
todos continuam a negar o mundo no qual estão. tentam não ver a extinção de uma realidade para a qual insistem em retornar.
ações criam consequências que geram novos mundos completamente desconhecidos. mas todos estes mundos sempre estiveram aí.
a única coisa a fazer é ver a situação em que estamos.
o mundo no qual se procura desfazer os erros cometidos é muito diferente do mundo em que os erros foram cometidos.
embora estejamos numa encruzilhada, já não há nenhuma escolha a ser feita. a escolha foi feita muito tempo atrás.
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Eduardo Ramos
1 de maio de 2018 7:00 am“já passamos há muito do
“já passamos há muito do ponto de não retorno.
todos nós devemos preparar um lugar para acomodar as tragédias que sabemos serem inevitáveis. mas talvez isto já não mais seja de grande valia.
todos continuam a negar o mundo no qual estão. tentam não ver a extinção de uma realidade para a qual insistem em retornar.”
.
Concordo. Quando a realidade é tão absurdamente dura, perversa, e aparentemente sem solução a curto prazo, um dos recursos desesperados da mente humana é “recriar a realidade” na mente um pouco mais branda, um pouco “menor”. Porque? Porque sem a presença de alguma esperança, a vida perde todo o sentido, resta apenas uma lucidez desesperada, um imenso “nada”.
Mas até isso é falso, quando esquecemos que tudo é um processo. Mesmo o mais lúcido de nós, suponhamos alguém que seja tão absurdamente inteligente, frio e racional que possa prever o que de fato virá….. e suponhamos que você esteja certo, que venham as tais tragédias inevitáveis, uma Marina Silva ganhar a eleição, Lula ser mantido preso, a miséria aumentar, venderem tudo, Eletrobras, Petrobras, CEF, BB, e virarmos quase um Haiti gigante….
Ainda assim é um processo, ainda assim haverá gente doida, insana, sobrevivendo, lutando, refletindo, nem que seja para as coisas só mudarem de novo quando a classe média estiver com a merda próximo à boca, por exemplo, se diminuírem os vencimentos dos servidores públicos federais, 99% (sou um deles, sei o que digo….) ganhando muito, muito bem, e 99% destes, com um nojo profundo por Lula e Dilma, acredite, os dois que nos colocaram num patamar excepcional de vencimentos…. – comparando-se ao que era antes. – Quem não é afetado no bolso, e é indiferente à miséria alheia, lixa-se para golpes, injustiças, petrobras, eletrobras, etc., etc., esse é o tipo de ser humano de nossas classes médias.
Mas e se isso for afetado daqui a dois anos, com quedas cada vez maiores do PIB e do nível de emprego e o aumento da violência? Até quando um país pode ser vendido, fatiado, entregue, até que o câncer comece a devorar as “carnes mais nobres” do organismo social?
Portanto, no fundo não há saída…. Ou se partiria para o confronto – o que não ocorreu e não ocorrerá! ou as forças armadas, se democráticas fossem, fechariam tudo, do Congresso ao STF, devolveriam Dilma à presidência, prenderiam os traidores da pátria, convocariam eleições gerais e nos devolveriam um país democrático…. Se tivéssemos pessoas lúcidas, democráticas, inteligentes e esclarecidas nos altos escalões das Forças armadas, o que obviamente não é o caso, são tacanhos fanáticos de direita, o que nos rouba essa esperança. Portanto, o que resta? Essa espera, assim, meio judaica indo para o Holocausto, perplexos, sem saber o que fazer…..
E as eleições? podem perguntar alguns…. E eu pensando cá comigo: “dependendo de quem ganhar, nada mudará, virá o caos total até que os militares “não tenham alternativa”…. Ou, alguém de esquerda TOTALMENTE MANIETADO pela mídia, por essa classe média que se imbecilizou completamente, pelo Judiciário onipotente.
.
Por todas essas sandices que escrevi, prezado Arkx, queria que Ciro Gomes, o detestável e surtado Ciro Gomes ganhasse a eleição. Só para ver se o homem é “tudo isso mesmo”, no sentido de audacioso, de capaz de peitar a banca, a Globo, a Lava Jato, e causar algum tipo de confronto num Brasil que talvez precise disso mesmo, uma “quase guerra civil” para mudar um pouco a sua cara.
Desespero meu, não ligue!
Abraço!!!!
arkx
1 de maio de 2018 12:04 pmOs dias decisivos do governo Dilma
-> Até quando um país pode ser vendido, fatiado, entregue, até que o câncer comece a devorar as “carnes mais nobres” do organismo social? Portanto, no fundo não há saída….
meu caro amigo,
vc acredita no anti-Cristo? não importa…
os nazistas acreditam. perderam a II Guerra para ganharem uma potência mundial onde pudessem dar seguimento ao seu projeto. e nos EUA criaram a CIA e a NASA. a bomba atômica e a cibernética.
vc acredita na vinda do Messias? não importa…
os sionistas acreditam. como indenização pelo Holocausto receberam um enclave territorial, onde puseram em prática sua invenção: o Povo Judeu e a Terra de Israel.
o Golpe de 2016 não veio por conta de um breve período de queda de juros, muito menos por causa do Bolsa Família.
sua causa principal é geopolítica. um Imperium em queda inexorável não pode admitir um mundo multipolar sob hegemonia dos BRICS.
seu fator desencadeante é o protagonismo brasileiro em iniciativas como o acordo nuclear com o Irã.
e seu ponto de não retorno foi o atrevimento de Dilma Roussef ao chamar de volta o Embaixador Brasileiro em Tel Aviv.
de nossa situação atual devemos buscar analogias com a Palestina Ocupada e a invasão da Síria.
não será nenhum Lula, ou Ciro, ou Boulos quem nos salvará.
a guerra pela libertação do Brasil será travada por um movimento de massas. ou não será.
p.s.: com meus cumprimentos ao Necrogovernismo, a doença infantil
.
Nender, o tal.
1 de maio de 2018 1:48 pmCartas de Pasárgada…
Uma das Moças do Sabonete Araxá me cochiça no ouvido, entre lâguida e e entediada:
– Nesses anos que lemos o Nassif, é a primeira vez que ele se aproxima de um diagnóstico correto do golpe, sem a lenga-lenga dos “erros” de Dilma, que culpam a vítima pelo seu próprio destino!
Ponto para o Nassif.
Mas a outra moça, entre histéria e enciumada, grita:
– Alto lá, e a geopolítica?
Isso, companheiro Arkx, aqui em Pasárgada, nossa geopolítica se resume a observar os humores do Rei…
E claro, de quando em vez, eu e a terceira Moça vamos a beira da lagoa, e lá o urra o sapo-boi:
Lula foi a guerra!
Foi, não foi!
Não, não foi…
E não irá…
Nunca irá…
Sim, o roteiro escrito pelo Nassif, do ponto de vista interno está próximo do correto, e os detalhes não comprometem a obra.
Como já disse a Moça, a Dilma não caiu pelos seus defeitos, talvez por alguns dos seus acertos (baixar juros, não entregar a rapadura toda a boca cheia de dentes do Levy-Bradesco-Boy e etc.), mas decididamente, por sua crença que poderia reformar aquilo que não tolera reforma, o capitalismo.
Os ciclos do capital não são reformáveis, eles são (auto) destrutivos, porque da terra arrasada surgem as novas bases para novos ciclos de acumulação.
Para parir a maior economia capitalista do planeta (os EUA) eles adubaram o solo entre norte e sul com 600 mil cadáveres, confederados e yankees, que sabemos, é ótima matéria orgânica. Até hoje dá frutos!
Para domesticarem a nostalgia de expansão europeia, expressa em seu neocolonialismo do século XX, eles (os EUA) fertilizaram a Europa e parte da Ásia com outros 60 milhões de cadáveres.
Em cada esquina mais dócil não foram necessárias guerras globais, mas golpes ali, militares acolá, pactos, operações tipo Condor, Irã-Contras, CIA, cocaína e crack a rodo, hutus e tutsis, apartheids, e muçulmanos inimigos números 1 sempre dispostos a serem amigos-inimigos-amigos-inimigos…
Claro que o lugar relativo de cada nação nesse tabuleiro determina o quanto sofrerá cada sociedade.
O nosso não é nada bom.
É a periferia, mano!
E a geografia urbana do capital determina a criação de Eldorados e o surgimento, ao mesmo tempo, de cidades-fantasma.
Cada escombro, cada monumento ao deus-mercado, eis que surge uma oportunidade.
Os algoritmos não dormem jamais.
Nem os sapos.
arkx
1 de maio de 2018 10:42 pmOs dias decisivos do governo Dilma
-> Uma das Moças do Sabonete Araxá me cochiça no ouvido, entre lâguida e e entediada:
é… vc está se superando.
quanto as Moças do Sabonete Araxá nada posso dizer, mas a mulher de cabelo azul elogiou tanto este seu comentário que enciumado fiquei quase histérico. fui prá beira da água e de tão irritado chutei um tronco caído. resultado: enfiei uma farpa embaixo do dedão. agora não para mais de latejar. já tôu ficando doido de tanta dor. a única coisa a fazer é uma aplicação de argila branca com babosa, junto com pomada de veneno de abelha. feito isto, subi até o cume do morro. a dor até foi aliviando, mas o que lá do alto se descortinou me doeu ainda mais… na alma.
-> Nesses anos que lemos o Nassif, é a primeira vez que ele se aproxima de um diagnóstico correto do golpe
-> Sim, o roteiro escrito pelo Nassif, do ponto de vista interno está próximo do correto, e os detalhes não comprometem a obra.
o artigo me faz presumir tratar-se de um trabalho de maior escopo. talvez uma síntese das diversas rodadas do Xadrez do Golpe.
-> a Dilma não caiu pelos seus defeitos, talvez por alguns dos seus acertos
-> mas decididamente, por sua crença que poderia reformar aquilo que não tolera reforma, o capitalismo.
apesar dos erros e sobretudo pelos acertos, Dilma (e nós, por conseguinte) sofreríamos de qualquer modo um Golpe. um tanto menos cedo ou um pouco mais tarde. ou de um jeito ou de outro.
assim, se o golpe no Brasil era inevitável, a questão é: como devemos nos preparar? quais as contramedidas? sem isto, 1954 se repetirá em 1964 e em 2016, muitas e muitas vezes.
se reformar o capitalismo se reduz a perfumar merda, o que resta fazer? antes de mais nada, ao menos perder a ilusão quanto a isto. e também quanto a isto deixar de iludir as pessoas.
é como seguidamente argumento no movimento em defesa das águas minerais do Sul de Minas, do qual me honro em participar (muito embora só estejamos tomando porradas): não lutamos pela água! isto seria um equívoco! lutamos pelas pessoas! lutamos uns pelos outros!
-> eles adubaram o solo entre norte e sul com 600 mil cadáveres, confederados e yankees,
-> fertilizaram a Europa e parte da Ásia com outros 60 milhões de cadáveres.
seguindo na mesma proporção, e frente a catastrófica crise atual do Capital, se arrastando desde 2008, seriam necessários agora uns 600 milhões de defuntos para adubar um novo ciclo de acumulação.
ou 600 milhões ainda é pouco? e deveríamos logo contabilizar na casa dos bilhões?
talvez o Capital tenha cruzado sua última linha vermelha, e seria necessário destruir logo tudo de uma vez por todas. convenhamos, não é de todo tão ruim assim…
-> Claro que o lugar relativo de cada nação nesse tabuleiro determina o quanto sofrerá cada sociedade. O nosso não é nada bom. É a periferia, mano!
compreendo. concordo.
mas não posso deixar de acrescentar que de periferia entendo um pouco. afinal, nasci e fui criado numa delas.
poeirenta, violenta, miserável, depressiva, esquecida pelos homens e seus deuses. com ruas sem saneamento, casas com energia elétrica “emprestada” correndo em fios desencapados.
ainda assim, nem de longe comparável a qualquer favela na metrópole.
talvez ser periférico tenha também algumas vantagens, desde que não se almeje de modo algum vir a ser parte do centro.
a periferia é o novo centro. e o interior, a capital. estamos em meio a putrefação de um mundo
ações criam consequências que geram novos mundos, todos completamente diferentes entre si. mas todos estes mundos, outrora desconhecidos, sempre estiveram aí.
há o cadáver da Democracia abandonado para se decompor num mundo. há o Golpe de 2016 perpetrado num outro mundo.
o mundo no qual se procura superar o Golpe de 2016 é muito diferente do mundo em que as condições para o Golpe de 2016 foram geradas.
agimos como se estivéssemos numa encruzilhada, mas já não há nenhuma escolha a ser feita. a opção se deu muito tempo atrás.
nada vai nos levar de volta. aquele mundo está extinto.
e esta compreensão é uma força que nenhuma resignação pode manter contida.
Nender, o tal.
1 de maio de 2018 11:56 pmCartas de Pasárgada…
“Na guerra, não lutamos por nada além do que pelo homem que está ao seu lado”.
Já ouvi essa frase em vários filme de guerra.
Portanto, não se trata de lutar por algo, mas lutar com alguém.
Também existe outra frase, bem menos usada, que ouvi em uma série que comprei completa, Band Of Brothers (com aquele cara que faz o bilionário Bob Axel contra o promotor Chuck Roads na série Billions, da Netflix), que trata da história da Easy Company da 101ª Divisão Aerotransportada do Exército dos EUA na II Guerra, que dizia mais ou menos assim:
Um tenente passeia entre os buracos abertos pelos ferozes ataques de obuzes, na contraofensiva do Wehrmacht em solo belga durante a operação Market Garden.
Os soldados congelam de medo e frio.
Esse tenente era conhecido pela sua frieza, e pela lenda que teria executado dezenas de prisioneiros, após ter oferecido a eles cigarros em um suposto gesto de amizade.
Então o soldado pergunta se ele não tem medo.
Ele diz:
– Se você entender que já está morto, e que nada disso faz muito sentido, não sentirá medo, não sentirá mais nada.
A frase não é exatamente essa, mas é esse o contexto.
Afinal, temos medo de quê mesmo?
PS: Qaundo tiver um bom evento no calendário de lutas de vocês aí no Sul de Minas (Minas se fosse uma mulher seria Capitu), me chame.
Prometo levar uma das Moças do Sabonete de Araxá. A Moça coa um café em coador de pano com melado que é uma coisa.
arkx
2 de maio de 2018 11:30 amOs dias decisivos do governo Dilma
-> Qaundo tiver um bom evento no calendário de lutas de vocês aí no Sul de Minas
aqui se está literalmente tirando água de pedra para dar continuidade ao movimento.
ONG Nova Cambuquira adicionou um evento.
27 de abril às 10:42 ·
Remanescente da Tribo Puri que viveu na região do Sul de Minas, o casal Apoena e Churiah estará no Parque das Águas de Cambuquira no dia 05/05/2018, às 17 horas, para compartilhar de sua ancestralidade, da história e cultura de seu povo. Será um momento mágico e histórico. Domingo, 06/05/2017, caminhada no Parque das Águas às 9:00h.
p.s.:
-> Band Of Brothers
muito boa. várias cenas excelentes. lembro-me agora de uma delas: já no fim da guerra, o major é incumbido de enviar seus homens para mais uma temerária travessia do rio. uma incursão sem qualquer sentido maior, além de expor desnecessariamente os soldados. como já ocorrera anteriormente, com mortos e feridos. o major explica a missão. ao final, dá a última orientação: agora voltem todos a descansar, e mais tarde me façam um relato completo da missão dizendo que tudo correu normal e sem nada de significante a informar.
quanto a “Fury”, entre os diversos impressionantes combates com blindados, a cena que mais gosto é quando, no início do filme, o tanque retorna ao acampamento – um inferno de lama misturada ao sangue e membros amputados dos feridos. após orientar a equipe, o sargento durão sai e para logo adiante, agachando-se ao lado de um veículo. então desabafa sozinho, por instantes. ao levantar a cabeça, seu olhar se choca com um grupo de prisioneiros alemães. enfileirados ao longo da cerca e em completo estado de choque, eles o encaram com um olhar perdido. vou fazer um GIF com esta cena e postar mais tarde aqui.
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hc.coelho
1 de maio de 2018 2:46 amNão entendi.
O nassif faz um análise muito boa, toda favorável à Dilma que é a pura verdade dos fatos, mas insite em entremear com bobagens como ” E, aí, criou-se a tempestade perfeita, com uma série de eventos totalmente fora de controle do governo”. como se o governo não tivesse o controle da seca no nordeste, etc.
O preço elevado da energia elétrica por exemplo em um anos se seca imprevista é perfeitamente neutralizado por outro onde chove muito e a energia vai ao preço mais baixo. É normal até para quem planta ou negocia feijão. Nunca um erro ou descontrole.
Quem derrubou a Dilma a derrubou pelo que ela acertava e ela acertava demais. Excelente governo sob qualquer aspécto.
Quem derrubou a Dilma foi o departamento de estado, globo e stf com as manifestções de junho preparada por eles e a lava jato que veio para derrubar o páis e com ele Dilma e LULA.
Sérgio Rodrigues
1 de maio de 2018 2:54 amChorar o leite derramado!..
Concordo…mas agora é bola pra frente e que seja um grande apredizado!…Foi nossa Comuna de Paris!…
Rpv
1 de maio de 2018 3:40 amDo ponto de vista
Do ponto de vista jornalístico está correta a descrição dos fatos principais que antecederam a queda do governo Dilma.
Do ponto de vista histórico, porém, essa mesma sucessão de fatos poderia ser usada para descrever a criação da Petrobrás, a queda de Getúlio e, mais tarde, a queda de Jango.
Algumas décadas depois, a não aprovação da emenda das Diretas. A constituinte de 88, o medo da eleição de Brizola ou Lula e o estabelecimento do mandato de 5 anos sem reeleição para Presidente da República.
A eleição e queda de Collor, com o papel de destaque da Globo, Abril e cia nos dois eventos. O Plano Real e a assinatura nas cédulas do cidadão FHC, meses depois de ter deixado o cargo de Ministro da Fazenda. A eleição de FHC.
A compra de votos para mudança constitucional. O mandato presidencial agora é de 4 anos com reeleição. A reeleição de FHC no primeiro turno com ajuda do Bill Clinton e o empréstimo do FMI.
Em 2001, dez mil pessoas com formação universitária vão parar na fila para prestar concurso de gari no RJ. Lula é eleito.
Vem o caso Veja, a CPI dos Correios e o julgamento do mensalão petista. As políticas sociais e o sucesso econômico do Governo. Lula é reeleito. A tática de sangrar o governo não dá certo.
A descoberta do Pré-Sal, o roubo dos computadores da Petrobrás, os grampos no telefone da Presidenta Dilma. A primavera brasileira de 2013. A operação Lava Jato. A queda da Presidenta Dilma. Com colaboração informal dos EUA, divulgação de grampo ilegal da Presidenta poucas horas depois de captado o áudio, “com Supremo e com tudo”. “Já falei com os militares”. No dia seguinte a votação de impeachment o futuro Chancelar do governo golpista amanhece nos EUA, provavelmente com a notícia: Mission Accomplished.
2018, Lula à frente nas pesquisas de intenções de voto para eleição presidencial. Lula é condenado em primeira e segunda instância. Na noite anterior ao julgamento do seu HC no STF, o comandante do Exército envia um comunicado oficial para ser lido no JN da Globo. Lula é preso por possuir um apartamento que não é dele. Outros processos estão na gaveta. A reforma da cozinha de um sítio que também não é dele, e a compra de um terreno, que nunca foi comprado, para o Instituto Lula.
Enfim, a histórica dependência externa e desigualdade interna permanecem. Assim como permanece a eterna crônica dos golpes anunciados.
alexis
1 de maio de 2018 8:18 amOutro ponto de vista
Pouco do relatado acima legitima, autoriza ou justifica o golpe dado contra Dilma, o PT e o povo brasileiro, mas apenas serviu como desculpa para o Estado Maior permanente e histórico do sistema golpista romper com a caminhada do Brasil nação. A justiça contra o PT e em favor de tucanos é uma coisa de classe. As elites sempre foram contra a agenda social, apenas que não havia conjuntura para golpear o governo.
Nassif praticamente diz que se o PT fosse bom menino, comportadinho e fazendo direitinho, não dava motivo para o lobo mau comer o chapeuzinho vermelho.
Se for por conta de equívocos ou deficiências de Dilma, com aquele mesmo prisma o Temer não durava uma semana no Planalto. Para mim a história deverá registrar outros fatos mais relevantes. Sempre houve e haverá resistência da economia global e das elites para a agenda de Brasil nação iniciada em 2003. O sucesso do Governo Lula, econômico e social, conseguiu maioria total da opinião pública (mais de 85%) e, mesmo assim, as elites continuaram a corroer o governo, sem sucesso até achar o espaço para o golpe.
O golpe
Embora o golpe tivesse as suas razões, do ponto de vista golpista, principalmente pela possibilidade do PMDB for pego na lava jato, o erro principal do PT foi soltar as pontas da base popular e política, permitindo que tanto o apoio popular como a base parlamentar fossem gradativamente esvaziados.
Os equívocos
O PT tem focado as eleições quase que apenas nos cargos executivos, rifando candidaturas ao legislativo em favor de duvidosas alianças. A esquerda ganha o governo, mas fica com apenas 20% do congresso. Ganha e não leva. Vamos parar de ganhar para depois negociar com quem chegou lá. Vamos exigir do povo o voto consciente. Lula devia falar ao povo: se vota em mim então vote num senador e deputado do PT ou de aliados.
Permitir o crescimento absurdo de partidos políticos no Brasil (o PT poderia apoiar cláusulas de barreira e etc.), que foram corroendo ainda mais a base política do congresso, priorizando “bancadas” e cooptação de deputados, que permitiu a corrupção parlamentar e o fortalecimento do centrão apartidário do Eduardo Cunha.
Falta de senso de oportunidade e de prioridades do PT, ao avançar com muito alarde numa agenda comportamental modernosa turbinada pelo mundo neoliberal (e paradoxalmente até pela rede Globo), que fez levantar um indesejado sentimento de rejeição dentro da comunidade evangélica e conservadora em geral (comportamentalmente conservadora) que antes apoiava o Lula. Bolsonaro foi crescendo a cada “cusparada”.
Temer é absolutamente impopular e assegurou dois pedidos de impeachment “com provas”, mas Dilma foi impichada sem nenhum delito. A explicação é muito clara: apoio parlamentar.
Nada de tudo o que Nassiff fala acima teria acontecido se o PT e aliados tivessem dado mais importância a sua base parlamentar, em todo o Brasil. O PT rifou o Rio de Janeiro em favor do PMDB, além de outras concessões de todo tipo, e foi justamente o PMDB de RJ, o mais corrupto (Cabral e etc.) e quem encabeçou o golpe.
Os caminhos
Nada que o PT faça, pelo menos durante os próximos 20 anos ou mais, terá resultado político positivo para o PT quando estas ações envolvam elites, principalmente na nomeação de ministros do STF e a formação da alta administração em cargos públicos. Os pretorianos ainda estarão por aí durante muitos anos, ao comando dos EUA, pelo menos até que gente do Brejo da Cruz chegue até lá e, principalmente, lembre que foi do Brejo da Cruz.
O único que hoje poderia mudar este quadro é focar onde o verdadeiro poder político do Brasil se encontra: no congresso. O PT e aliados deviam focar no legislativo e aumentar expressivamente a base parlamentar em Brasília, nos estados e nos municípios. É absurdo o PT ser o partido de maior densidade eleitoral e ter apenas 50 ou 60 deputados e algo próximo de 8 senadores. Se apenas os que se dizem petistas (quase 20% dos eleitores) votassem direito, o PT teria mais de 100 deputados e pelo menos 16 senadores.
Com base parlamentar suficiente, a Dilma poderia ter cometido todos os equívocos relatados acima (e muito mais se quiser) que, mesmo assim estaria forte e poderosa. Já teríamos fechado a rede Globo e feito muito mais pelo Brasil.
O PT não fez mais pelo Brasil apenas por ter que negociar a todo instante com uma base incerta e volátil que o povo brasileiro desavisado e ingênuo colocou no congresso.
Mais cuidado agora, que estamos com as eleições chegando. Enchamos o congresso de progressistas e em breve o Brasil voltará a mudar.
MatFreitas
1 de maio de 2018 9:03 amAutópsia e medicina preventiva
Um boa autópsia é importante para entendermos o porquê da morte, ou melhor das causas que levaram a morte. Nassif aqui como médico legista, disseca as entranhas e alguns órgãos vitais dando uma boa e coerente explicação sobre esse indivíduo que se chamava Brasil se descuidou tanto da sua saúde que levou o fim que levou.
Mas médicos legistas não fazem profilaxia, óbvio, mas se pudéssemos sugerir medicamentos ou tratamentos para esse paciente buscar a cura para os males que o tomavam, quais seriam?
Como tratar um paciente que carrega consigo um câncer que come quase 50% da sua vitalidade e energia, que ja estava diagnosticada há tempos essa doença sob o novo de Dívida Pública?
Se vivemos somente com 50% da nossa energia vital, realemete sobra pouca ára de manobra para sairmos ilesos até de resfriados.
O que temos agora é um cadavér sendo consumido por vermes (que com tal fazem o seu papel, pois é para isso que servem), Esse corpo não ressusitará.
Será que conseguiremos criar um novo individuo para chamarmos de Brasil e nos registramos nele com RG de cidadãos?
MatFreitas
1 de maio de 2018 9:03 amAutópsia e medicina preventiva
Um boa autópsia é importante para entendermos o porquê da morte, ou melhor das causas que levaram a morte. Nassif aqui como médico legista, disseca as entranhas e alguns órgãos vitais dando uma boa e coerente explicação sobre esse indivíduo que se chamava Brasil se descuidou tanto da sua saúde que levou o fim que levou.
Mas médicos legistas não fazem profilaxia, óbvio, mas se pudéssemos sugerir medicamentos ou tratamentos para esse paciente buscar a cura para os males que o tomavam, quais seriam?
Como tratar um paciente que carrega consigo um câncer que come quase 50% da sua vitalidade e energia, que ja estava diagnosticada há tempos essa doença sob o novo de Dívida Pública?
Se vivemos somente com 50% da nossa energia vital, realemete sobra pouca ára de manobra para sairmos ilesos até de resfriados.
O que temos agora é um cadavér sendo consumido por vermes (que com tal fazem o seu papel, pois é para isso que servem), Esse corpo não ressusitará.
Será que conseguiremos criar um novo individuo para chamarmos de Brasil e nos registramos nele com RG de cidadãos?
Maria Luisa
1 de maio de 2018 9:57 am“Tudo o que podia ser”
O que poderia ter sido o governo Dilma sem as armadilhas que lhe estenderam e concluindo com o embuste do impeachment golpista ?
Pelo dois primeiros anos de governo, da para pensar que Dilma, se tivesse podido governar, estaria deixando hoje um Brasil um pouco mais desenvolvido, com mais infraestrutura e os programas sociais em evolução.
Fico sabendo que meu amigo perdeu o trabalho. Depois de quinze anos de longas horas de trabalho, dedicação extrema e poucas férias na mesma empresa, com a “reforma” do Temer, foi mais um para a estatistica de desempregados. Quantos estarão nessa mesma situação no Brasil em que hoje a Globo, o Estadão, a Folha ou a Isto é, preferem mostrar como um Pais melhor que aquele de Dilma Rousseff ?
Como é possivel as pessoas acreditarem que apos tanta destruição, as ruinas são melhores que um Pais que estava em plena ebulição desenvolvementista ?
E para não mudar muito o quadro, devemos assistir à um simulacro de eleições. “Mas você vai mal. Mas vai mal demais!”
Joao Carlos Campos
1 de maio de 2018 11:37 amTeoria da Conspiração
Texto histórico baseado em um ritual de sofrimento e dor
teoria da conspiração
pt não foi golpeado, foi auto golpeado pela sua própria habilidade ou falta dela
CB
1 de maio de 2018 12:24 pmSaber disso tudo é
Saber disso tudo é interessante, mas Dilma caiu mesmo porque o governo que ela chefiava se recusou a entregar o pré-sal, porque insistiu numa maior soberania nacional/regional e o brazil era fundamental para liderar a América do Sul não submissa aos EUA, porque se associou com China e Rússia nos BRICS e coisas assim. No front interno,os picaretas de sempre se sentiram ameaçados pela tentativa de combater a corrupção nas estatais, o vampiro até choramingou que não passava de “vice decorativo”, negociatas envolvendo pmdb e empreiteiras foram atravancadas, o reajuste do salário mínimo era proposto acima da inflação.Nem sei o que mais e nem vou ficar tentando lembrar. O governo fhc 2 foi uma desgraça enorme, mas ele não caiu e nem caíria porque estava dançando certinho no compasso da música que a banda ianque, da banca e das multinacionais tocava. Por isso Dilma caiu e Lula sofreu impeachment preventivo, para que o brazil continue de quatro, com as calças arriadas e a bunda voltada para o norte.
Valdeci Elias
1 de maio de 2018 2:50 pmDilma caiu, pela sua
Dilma caiu, pela sua incapacidade de fazer e manter alianças. Se Dilma ,fosse um comandante aliado na Segunda Guerra, os Nazistas teriam vencido. Se ela fosse russa, se recusaria a se aliar com os porcos capitalistas da Inglaterra e dos EUA. Se fosse inglesa ou americana , se recusaria a se aliar com os diabolicos comunistas da URSS . Ela simplismente iria preferir se manter pura, a se alliar com alguem diferente.
Se voce fizer uma pesquisa, todos os partidos que se aliaram ao PT, foram investigados e tiveram os lideres processados ou presos. Como ela poderia vencer a votação do impeachment, se qualquer partido que fica-se aliado do PT, seria investigado sem dó pela Lava Jato e pelo MP. Se em A Arte da Guerra, de Sun Tzu, ele afirma que ao ir a Guerra um general deve fazer o maior numero de alianças possíveis. Se voce for capaz de impedir que seu adversário faça alianças voce tambem vai vencer a guerra.
Ela é uma ótima adminstradora , más na politica deixa a desejar. Um exemplo foi na época do impeachment, o país pegando fogo, ela foi se encontrar com o Ministro Ricardo Lewandowski. Depois da reunião , Dilma disse que ele só queria falar de aumento , queimando ele pra sociedade , passando a idéia que ele era mesquinho . O detalhe era que o Governo ia tentar vencer o Golpe, no Supremo. Más como o STF iria afirmar que o impeachment era inconstitucional, se Dilma difamou o Presidente do STF pra toda sociedade ?!?!?! Na verdade era pra ela ir a reunião, sabendo oque seria preciso dar pra vencer o Golpe .
Vladimir
1 de maio de 2018 12:27 pmAinda durante a apuração das
Ainda durante a apuração das eleições de 2014 comentava com um colega,também acompanhando a apuração,isto no primeiro turno,que a presidenta Dilma estaria completamente rifada diante da bancada bem menor do que a esperada por seu partido.
Naquele momento,como ainda não se contavam os votos de legenda,o PT estava fazendo cerca de 50 deputados (acabou com 65,se não me falha a memória).
Nós,analistas amadores via blogs e facebooks,observamos isso ainda na apuração.Depois,quando da eleição para a presidência da Câmara,lembro-me muito bem de uma entrevista do deputado Vicentinho, onde,ao ser indagado sobre a não composição com a figura malévola que viria a ocupar a presidência da Câmara e não ocupar nenhum cargo na mesa diretora,respondeu que estavam cientes do risco.
Oras,será que alguém pode achar que gente tarimbada no meio político,como a presidenta,sua equipe e seu partido (vencedores de 4 eleições presidenciais consecutivas) são amadores e não ateviram o que estava para acontecer?
Não acredito nisso. Pode ser que alguma coisa tenha saído muito errado. Pode. Mas tudo pode em política.
Só acho que a história não está escrita.Ela está sendo escrita,e,ainda que pese o momento desagradável pelo qual passamos,é preciso notar que a máscara de muitos caiu de forma clara,daí o completo desespero desses golpistas em relação ao próximo pleito eleitoral.
André Oliveira
1 de maio de 2018 2:27 pmSTF piscou?? Nada. STF
STF piscou?? Nada. STF entrou em coma, como sempre fez nas grandes crises.
E o Aécio teve seu momento Carlos Lacerda. Foi engolido pelo monstro que ele mesmo cevou.
j.marcelo
1 de maio de 2018 2:33 pmDilma por favor monte
Dilma por favor monte sociedades anti-imperialistas financeiras(nova escravidão) primeiramente na AL,p fazer frente a essa estruturação de golpes judiciários e dominação financeira nas economias públicas dos países,vc seria a embaixadora ideal e com muita moral nessa luta.
Obs: Idéia acima inspirada nas confederações abolicionistas mundiais na época da escravidão ao qual foram eficientes na luta!
Obs2:No Brasil certamente há uma “nova escravidão financeira trabalhista”pois nos limitam não a liberdade e sim o acesso digno ao dinheiro e emprego decentes!
Obs3: Insisto no tema escravidão pq sei q é o q impacta melhor este país e nos remete a atentarmos a algo no passado q fora terrível ao planeta,ótima oportunidade p acertarmos as contas com essa elite predatória daqui!
Obs4:O MORRO VAI DESCER NÃO POR LULA E SIM QUANDO SOUBER PQ ESTÁ LÁ, VIVA O BRASIL!
azzisem
1 de maio de 2018 3:02 pmO Golpe já vinha sendo
O Golpe já vinha sendo testado desde o mensalão. O que o Nassif pontificou foi o ambiente propício, o que não tinha no período. Existem alguns interesses globais e locais, que fometaram o Golpe, a saber:
Globais
Protagonismo Geopolítico
– BRICS
– Pré-Sal. Conteúdo local e Petrobrás
– Liderança na América Latina
– Expansão para África
– Assento na ONU e intermediação em assuntos delicados. Caso Iran.
Questões Locais
– Domínio por longo tempo de um mesmo grupo político. A gota d’água foi a vitória do Haddad em São Paulo.
– Mudança de protagonismos econômicos. Grupos empresariais (ex. Bradesco X Itaú). Estados Rio x São Paulo. Região NorteNodeste x SulSudeste.
– Mudança nas Estruturas Sociais. Ascensão de uma nova classe média por política governamentais, gerando disputas em diversas áreas como vagas em universidades públicas ou grandes Institutos públicos. Maiores disputas em concursos públicos ou vagas em grandes empresas, deixando a antiga classe encurralada. Faltou política para a antiga classe média.
– Mexida no queijo da antiga mídia, quando passou a adotar critérios técnicos para aplicação das verbas publicitárias. Em pouco tempo a Internet engoliria TV aberta, jorias impressos e a rádio.
Esses são pontos que considero importantes, mas que foram nigleciados pelo PT. A falta de politização por parte do partido, visando apoiar mudanças tão profundas nas estruturas de uma país tão complexo e desigual quanto ao nosso, levou ao PT a essa decorracada atual. Pois, não pode perder a narrativa e narrativa foi perdida. Hoje temos um país amorfo e o seus cidadãos letárgicos. Pois, falta política.
Eu considero a Lava Jato a nossa Guerra do ópio, pois abriu as nossas entranhas e deixou-nos sem qualquer defesa e entorpeceu os nossos homens de bem.
marcosomag
1 de maio de 2018 4:40 pmGolpe veio de fora, omissão de Dilma e lição do Irã.
Embora a equivocada política de desonerações, que só serviu para aumentar o risco das contas públicas e as margens de lucros dos capitalistas tenha contribuído para o fracasso do período Dilma, a conspiração já estava em curso, ao menos, desde 2009, quando houve o “experimento hondurenho”, com a queda de Manuel Zelaya em um país com fraca sociedade civil e histórica subserviência aos estadunidenses. Nos anos 80, foi base para os terroristas “contras”, que tentavam acabar com a Revolução Sandinista na vizinha Nicarágua. O Golpe veio de fora, com a fundação do Instituto Millenium em 2005, conhecido núcleo de treinamento da mídia brasileira e sua organização contra Lula e os petistas. Agora, jornalistas do “sistema” como Miriam Leitão, Diogo Mainardi e Reinaldo Azevedo, pioneiros do anti-lulismo, agiriam de forma coordenada nas redações. Jovens brasileiros foram treinados durante anos para conspirar contra o governo legitimamente eleito em ONGs ligadas à CIA, e que seguiam o modo de agir da OTPOR, que nos anos 90 contribuiu para a queda Slobodan Milosevic do governo sérvio. Dinheiro vindo de muitas fontes (desde Koch Industries até o NED (New Endowment for Democracy, do Congresso estadunidense) treinaram e formaram os revoltados profissionais do MBL, Vem Pra Rua, Fórum da Liberdade e outros grupos de direita. Eduardo Cunha, Geraldo Alckmin e todos os outros políticos envolvidos no Golpe contra Dilma apenas reagiram ao que vinha dos “movimentos” conspiradores dirigidos de fora do Brasil. A entrada de parte do Judiciário como engrenagem do Golpe vindo de fora apavorou os políticos e o STF. Foi em 2013, ano da eclosão da conspiração contra Dilma nas agitações de junho, que Guantánomoro foi retirado pelo TRF-4 do sorteio da distribuição dos processos, ficando a postos para deflagar a “Operação Lava-Jato”. O que mais me deixou indignado em todo esse processo foi a absoluta omissão da Presidente Dilma, do seu “ministro” da Justiça e dos serviços federais de inteligência para identificar, formular estratégias e combater com as medidas duras que eram necessárias (inclusive, prisão de muita gente por conspirar contra a Democracia) a conspiração da qual era vítima. O Irã, que coletou provas e, assim que o “MBL” de lá tentou uma “revolução colorida”, colocou na cadeia os conspiradores mostrou que aprendeu a lição do fracasso de Dilma em evitar o Golpe de Estado no Brasil.
layla
2 de maio de 2018 5:35 amdefesa brasileira é um projeto americano
Inclusive e principalmente os serviços de “inteligência”. Bem antes de engrenar a campanha do Presidente Lula para o primeiro mandato o estado permanente brasileiro (deep state) e o estado permanente americano prospectaram e estudaram planos de reação à hipótese insuportável de sua eleição. Assim como nos estados unidos, a população brasileira vive imersa em ambiente de contra-insurgência permanente. Candidaturas tipicamente progressistas podem existir no máximo para emprestar veracidade ao processo; sandernistas. Uma candidatura de esquerda chegar ao segundo turno, alerta geral; está em perigo a desfesa nacional, um projeto americano há 70 anos.
A vitória do Presidente Lula em 2002 era incontestável, sua posse inevitável, que vergonha! A defesa nacional perdia o coração da brava gente para a subversão, a insurgência vencera. Assim foi interpretado, aqui, nos estados unidos e… na inglaterra, que tem James Bond e mais de 200 mil maçons, além de um know how secular de destruição de colônias e submissão de populações. O caso da conquista do governo central do Brasil pela “insurgência anarca-feminista-comunista” era tão sério que o Vaticano convocou o próprio demo para a cruzada; Ratzinger foi exposto à luz, virou papa. E a santa madre igreja, perita em humanidade, alavancou para as dezenas de milhões o contingente talibã ocidental sob comando da força expedicionária pentecostal no Brasil.
Comprovada a solidez da “insurgência brasileira”, sua irredutibilidade e invencibilidade nas urnas, a despeito de todoSS os esforços e recursos da engenharia de crises, Obama veio então em 2011 visitar a Presidenta Dilma e declarar guerra à Líbia no solo brasileiro. O Brasil estava escalado para guerra, a derrubada do “regime brasileiro” comovia a OTAN. Com a visita frustrada de Biden em 2013, num ritmo de 48 horas por dia, 15 dias por semana, o Brasil inundado de agentes, todos os vetores setados, movimentos infiltrados, começou o show.
Lâmpada de Diógenes
1 de maio de 2018 5:31 pmExcelente, como nos bons tempos!
Mas, penso que seria preciso ir além. Exemplo: Desconsiderar o contexto geopolítico no golpe seria o mesmo que falar de 64 sem citar a guerra fria.
As catastróficas desonerações da folha (que forneceram mais munição às fakenews, para “detonar” a previdência) e relicenciamentos de hidrelétricas foram sugestões/imposições/armadilhas(?) do empresariado. Vide a “bateção de bumbo” feita pelo Skafedeu pela redução das tarifas, com o argumento de “fim da amortização” de hidrelétricas. Notem: um argumento RIDÍCULO e ESTÚPIDO. Pois: o que existe é um sistema elétrico integrado em contínuo crescimento e NÃO um “amontoado de hidrelétricas isoladas”. O que interessa é o custo de se juntar uma nova usina ao sistema e não se uma antiga está amortizada ou não. Acho que até mesmo um cabeça-de-planilha é capaz de enxergar isso.
Marcos Antônio
1 de maio de 2018 7:51 pmA parte trouxa do brasil…
O golpe no Brasil, ajudou o golpe no Paraguai…
O Itaú cobra de juros no cartão durante um ano no Paraguai, no mesmo nível de juros que cobra por mês no Brasil – o resto dos bancos segue na mesma balada, até os públicos!
O imposto aqui vai parte para corrupção!
Empresas brasileiras já descobriram maior segurança jurídica lá do que a piração da Lava-jato que arrastou todo judiciário aqui!
E melhor para Argentina, Paraguai e Uruguai pelo Mercosul, pois empresas Brasileiras, capital brasileiro podem ir para estes países e exportar e se livrar da extorsão e distorções do estado Brasileiro…
O golpe no brasil ajudou a reeleger um governo golpista no Paraguai, levando empresas e investimentos para lá…
Até a rede globo vai considerar produzir do fora brasil e mandar só o sinal aqui para dentro…
Nisso é que dá ter uma parte do povo trouxa e hoje como nunca, já que agora polarizou tudo – nenhum lado acredita mais no outro e qualquer noticia gera o efeito ao contrário – corremos um sério risco de nos tornarmos reféns comerciais num ataque híbrido, não disse guerra hibrida que implica luta entre dois lados, o brasil não há quem revide, o brasil é refém de qualquer pais que ataque via internet…
Não só os EUA, mas a parte econômica mais obscura da América Latina, Europa devem estas adorando este caminho rumo ao buraco que o Brasil caminha a passos largos tomou…
Enquanto caímos, eles ocupam nossos espaços…
Só quando bater no fim do poço ou no buraco do bolso é que o coxinha vai entender que foi golpe…
Por isso os golpistas estão produzindo videos culpando o PT a partir de 2010, para pegar o LULA, Dilma e o PT com tudo!
Marcos Antônio
1 de maio de 2018 8:23 pmA “bancada do Cunha” devia
A “bancada do Cunha” devia existir para que ele colocasse seus jabutis nos projetos de lei.
Ele “ajudava” com apoio financeiro a candidatura de parlamentares e em troca devia pedir o apoio em projetos específicos e assim sua base não se restringia ao PMDB e abrangia vários partidos que dava um colorido democrático aos jabutis implantados!
O parlamentar seguia sua vida, mas com a obrigação de acompanhar o Cunha em votos estratégicos!
Isso devia ocorrer há muito tempo e deve ter mais parlamentares ainda fazendo isso!
José Daniel
1 de maio de 2018 11:13 pm“Passadas as eleições…”
“No final de agosto, estava claro para Dilma e Mercadante que, passadas as eleições, seria inevitável um choque de arrumação.”
Passadas as eleições.
Esse foi o ponto central, sem o qual tudo o mais tornaria a governabilidade difícil e o governo impopular, mas não ao estado a que chegamos.
Deixar tudo às claras faria perder as eleições? Provavelmente. Mas é para isso que existem eleições. Voltava-se em 2018. Agora não se volta mais tão cedo.
Doney
2 de maio de 2018 6:57 amO castigo vem a cavalo
Afora, claro, as nomeações ridículas para STF, STJ, PGR, etc, se o PT tivesse adotado uma política econômica de esquerda – ao invés de dar subsídios em impostos para empresários, tivesse pegado esta arrecadação e feito investimentos públicos, se tivessem feito um maciço plano de obras ao longo de um país em que há tanto a ser construído – a realidade seria outra.
Mas Dilma e Lula preferiram ouvir o canto da sereia, deram centenas de bilhões de reais de subsídios e hoje a esquerda está (em frangalhos) e os dois estão como estão. O castigo vem a cavalo.
Marcos Antônio
2 de maio de 2018 12:25 pmPerfeito!
Perfeito!
O Brasil não caminha mais para uma “Guerra Civil”, mas para a “Implosão Civil” – não há como mentir em tantos níveis fundamentais e continuar praticando corrupção em níveis descontrolados…
Os diretores, as chefias das instituições que apoiam o golpe não trabalham sozinhos, há outras pessoas também, que têm corpo e cabeças que pensam de forma diferentes…
Há diferentes dentro das instituições que semearam o golpe…
O Brasil quebrará…
Não se criam impostos com mágica!
Asfixiar o mais pobre vai descalçar a classes C e B!
O Brasil ruirá de dentro para fora!
Isso sairá de dentro das próprias instituições que estão causando o caos…
A mentira também tem preço e custos…
[video: https://www.youtube.com/watch?v=juGcD1wgUsk%5D
Clever Mendes de Oliveira
2 de maio de 2018 4:43 pmSe os dados para a análise são errados a análise é falsa?
Luis Nassif,
Tenho combatido o bom combate. Entra ano, sai ano, eu venho tentando desmistificar as análises ligeiras que você faz sobre o governo da ex-presidenta às custas do golpe, Dilma Rousseff. Do meu ponto de vista eu tive êxito. A se considerar notas recebidas pelos meus comentários, quando dadas, ou retornos de outros comentaristas, quando os retornos existiram, meu êxito é nulo.
Pode até ser que de início eu me deixara iludir pela minha idealização da minha capacidade de convencimento. Com o tempo, eu pude constatar que o alcance de qualquer blog é tão minúsculo como a minha capacidade de convencimento. Se eu quiser agradar devo escrever em blog de admiradores do governo da ex-presidenta às custas do golpe, Dilma Rousseff. O alcance também será diminuto, mas os retornos presumo que serão satisfatórios. De todo modo de que adiantaria convencer convencidos.
Ainda que sabendo, desde há muito, não só que o universo dos blogs é pequeno como é ínfima a minha capacidade de convencimento, e me sentir um tanto cansado nesta tarefa de trazer o contraponto, eu, às vezes mais, às vezes menos, sempre trouxe contradita aos seus posts.
É o que ocorreu por exemplo no seu post “Os desacertos da política fiscal” de sexta-feira, 12/09/2014, às 06:00, aqui no seu blog em que eu utilizei para rebater algumas das suas afirmações, um comentário que enviei sexta-feira, 12/09/2014, às 18:59, para LC junto ao comentário dele de sexta-feira, 12/09/2014, às 10:15, e que pode ser visto no seguinte endereço:
https://jornalggn.com.br/noticia/os-desacertos-da-politica-fiscal
A ideia básica de JC era que a ex-presidenta às custas do golpe Dilma Rousseff era muito ruim a considerar os próprios argumentos que você lançara no post “Os desacertos da política fiscal”.
Dei ao meu comentário o seguinte título: “Concordo em parte com ressalva de que Nassif pode estar errado”. Queria dizer que eu concordava com JC de que a partir dos seus argumentos no post, argumentos que na verdade você já os fizera presente em outros posts, era possível acusar a ex-presidenta às custas do golpe Dilma Rousseff de uma péssima governante, mas que, e nisto eu acreditava, você podia estar errado nas suas críticas à ex-presidenta às custas do golpe Dilma Rousseff.
Embora a análise atual seja menos crítica à ex-presidenta às custas do golpe, e nisso as circunstâncias diferentes (lá atrás estava-se em uma eleição em que se evita tomar partido e agora convive-se com a realidade de um golpe) colaboram para haver dessemelhança, há algo de parecido na análise daquele seu post “Os desacertos da política fiscal” com este “Os dias decisivos do governo Dilma, por Luis Nassif” de terça-feira, 01/05/2018, às 08:09, aqui no seu blog, e assim, eu considero pertinente transcrever o meu comentário para LC. Lá eu disse o seguinte (Fiz acertos e complementações apenas para mais bem esclarecer o que havia escrito):
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“LC (sexta-feira, 12/09/2014 às 10:15),
Este comentário pode aparecer em duplicata, pois houve problema na finalização dele e ele pode ter sido enviado enquanto eu o corrigia. Observo ainda que eu não tinha visto um comentário que o Luis Nassif enviou hoje, sexta-feira, 12/09/2014 às 13:29, para você, questionando a sua argumentação.
Sou leigo em economia e não parece ser esse o seu caso. De todo modo é como leigo que eu tenho discordado da maioria das críticas que você faz à política econômica. Parece-me que você se apega muito a doutrina dos austríacos e eu os considero muito afastados da realidade econômica.
Aqui neste post “Os desacertos da política fiscal” de sexta-feira, 12/09/2014, às 06:00, de autoria de Luis Nassif, eu me sinto confortavelmente tendente a concordar com a maneira como você inicia o seu comentário. Diz você:
“Quem mais dá os motivos para tirar a Dilma… … é o Nassif, em vários artigos do blog”.
Agora se você considera todo o post “Os desacertos da política fiscal” você há de concordar que a mão que apedreja é a mesma que afaga. Enfim, o Luis Nassif dá os motivos para tirar a presidenta Dilma Rousseff, mas não vê opção alguma entre os outros candidatos. A minha mão mais afaga. Considero os outros candidatos bons candidatos, mas concordo muito mais com a ideologia que move a administração da presidenta Dilma Rousseff.
Agora, o problema de você apoiar o Luis Nassif, reproduzindo os motivos de Luis Nassif para tirar a presidente Dilma Rousseff, ainda que para Luis Nassif os motivos não seriam suficientes para tirar a presidenta Dilma Rousseff, é que os motivos de Luis Nassif estão, em meu entendimento, equivocados.
Observe que, após um primeiro parágrafo que eu não vou entrar no mérito da correção do conteúdo dele, Luis Nassif diz:
“Os desarranjos na execução orçamentária trouxeram de volta o anacronismo do contingenciamento orçamentário”.
Também não entro no mérito desse parágrafo que eu transcrevi acima, ainda que o termo desarranjo, para o que eu pressuponho o Luis Nassif queria dizer, pareceu-me inadequado. Aceitando o termo desarranjo, eu vou repetir a frase de Luis Nassif concordando com ele. Houve desarranjos na execução orçamentária e eles trouxeram de volta o contingenciamento orçamentário que é um anacronismo.
Só que Luis Nassif não disse em que consistiam os desarranjos na execução orçamentária. Pois bem, na suposição de que Luis Nassif esteja referindo às dificuldades de ordem financeira para a execução orçamentária, eu diria que os desarranjos, resumidamente, podem ser considerados como recursos de menos. Ressalte-se ainda que Luis Nassif não fez nenhuma tentativa de caracterizar qual seria a origem dos recursos de menos. Os recursos de menos são de duas ordens. Os previstos em decorrência de benefícios fiscais e isenções e neste caso não se pode falar em desarranjos porque eles já estavam previstos. E os que apareceram de supetão. O que surgiram sem tir-te nem guar-te. Os de inopino. Esses sim causaram desarranjos.
Em relação aos recursos de menos imprevistos, eles são tomados como imprevistos porque não houve nenhuma conjectura sobre eles em 2012, na elaboração da Lei Orçamentária para 2013. Para entender um pouco mais sobre eles, talvez valesse a pena perscrutar a origem deles. Quando da execução do orçamento de 2013, os desarranjos vieram no calor da queda do PIB no terceiro trimestre.
A previsão quando se fez o orçamento de 2013 era que a economia se deslancharia em 2013. E pelo menos assim pareceu que seria. A última referência que eu tenho para o 4º trimestre de 2012 e que foi publicado nos “Indicadores IBGE – Contas Nacionais Trimestrais – Indicadores de Volume e Valores Correntes – Outubro/ Dezembro de 2013” é que ele cresceu 0,9% em relação ao terceiro trimestre de 2012. E para o 1º trimestre de 2013, a última referência que eu tenho e que saiu quando da divulgação do PIB trimestral referente ao 1º trimestre de 2014 e se pode ler na página 6 dos “Indicadores IBGE – Contas Nacionais Trimestrais – Indicadores de Volume e Valores Correntes – Janeiro/ Março de 2014” é que o 1º trimestre de 2013 cresceu 0,4% quando comparado com o trimestre imediatamente anterior.
É de se observar que no primeiro semestre de 2013, quando se executa o orçamento de 2013 e se elabora no executivo o orçamento de 2014 a economia transparecia recuperação. E parecia que tudo ia ainda melhor durante o 2º trimestre de 2013. Tanto assim que no final de agosto de 2013 quando foi divulgado o PIB do 2º trimestre de 2013, a informação constante na página 5 dos “Indicadores IBGE – Contas Nacionais Trimestrais – Indicadores de Volume e Valores Correntes – Abril / Junho de 2013” foi de que o 2º trimestre de 2013 crescera 1,5% em relação ao trimestre imediatamente anterior.
Na época, eu duvidei dos cálculos do IBGE. Havia um exagero naquele crescimento. Todo trimestre crescendo naquele ritmo significaria um crescimento de 6% ao ano. Imaginei que nos levantamentos seguintes os valores seriam corrigidos até se chegar um valor mais próximo de 1% que me parecia algo mais razoável. A última correção e que aparece na página 5 dos “Indicadores IBGE – Contas Nacionais Trimestrais – Indicadores de Volume e Valores Correntes – Abril / Junho de 2014” mostra um crescimento de 2,1% do 2º trimestre de 2013 comparado com o 1º trimestre de 2013. O que representaria, se anualizado, a um crescimento de mais de 8%.
É bem verdade que quando se divulgou o PIB do 2º trimestre de 2013, em final de agosto de 2013, já se sabia que a economia tinha estagnado. As manifestações de junho de 2013, mais que afetado a popularidade da presidenta, atingiram em cheio o crescimento econômico. Segundo o que consta na página 5 dos “Indicadores IBGE – Contas Nacionais Trimestrais – Indicadores de Volume e Valores Correntes – Abril / Junho de 2014”, o PIB no terceiro trimestre de 2013 decrescera 0,6%. O fascículo com os “Indicadores IBGE – Contas Nacionais Trimestrais – Indicadores de Volume e Valores Correntes – Abril / Junho de 2014” pode ser visto no seguinte endereço:
ftp://ftp.ibge.gov.br/Contas_Nacionais/Contas_Nacionais_Trimestrais/Fasciculo_Indicadores_IBGE/
ou o seguinte:
https://www.ibge.gov.br/estatisticas-novoportal/economicas/servicos/9300-contas-nacionais-trimestrais.html?=&t=downloads
[Indiquei dois novos links acima porque o link abaixo já não está mais disponível, só sendo possível encontrar o endereço quando se substitui no link a seguir o ano de 2014 por 2017 e se refere a cada um dos trimestres de 2017.]
ftp://ftp.ibge.gov.br/Contas_Nacionais/Contas_Nacionais_Trimestrais/Fasciculo_Indicadores_IBGE/pib-vol-val_201402caderno.pdf
Em 2012, na elaboração da Lei Orçamentaria Anual para 2013, quem poderia fazer previsão do movimento de junho de 2013? E mesmo depois que ele ocorreu, o que se poderia esperar em relação ao PIB tanto de 2013 quanto de 2014? Eu não tenho dúvida que a queda no 3º trimestre de 2013 foi decorrente do movimento de junho de 2013, mas onde mais você já leu sobre esta relação? E mesmo aqui quando eu afirmo isto, não trago mais do que a autoridade de um leigo.
Bom, mas como você pode ver em relação ao quarto trimestre de 2013, a economia se recuperou. A bem da verdade a peça orçamentária para 2014 já havia sido encaminhada ao Congresso Nacional. Ela fora encaminhada antes do 4º trimestre de 2013, e ainda sob o baque que acontecia no 3º trimestre. Como os investimentos cresciam e havia indícios de que o PIB ia retomar a sua trajetória, o orçamento de 2014 também foi feito supondo certa folga no crescimento. Aliás todos faziam projeções de crescimento mais robusto em 2014. O que ocorreu e que talvez se possa dizer que não foi de inopino foi a necessidade das economias dos países emergentes se prepararem para a retomada de juros nos Estados Unidos.
[A possível subida dos juros americanos] Não era algo totalmente imprevisto, mas no início de 2014, os Bancos Centrais dos países emergentes foram todos pegos de contra-pé. Talvez pelo tamanho da nossa economia que tem força para dar mais autonomia ao Banco Central, talvez pela competência das pessoas que foram escolhidas para administrar o nosso Banco Central, a reação do Banco Central do Brasil no início deste ano de 2014, diante da crise que se avizinhou para os países emergentes, foi considerada como uma reação de liderança entre os diversos Bancos Centrais. É o que se vê junto ao post “EM central bankers: guiders, reactors and Mavericks” de segunda-feira, 03/02/2014 às 03:34, no blog Beyond Brics e que infelizmente não teve muita repercussão no Brasil. Por EM deve-se entender “Emerging Markets”. O endereço do post “EM central bankers: guiders, reactors and Mavericks” é:
http://blogs.ft.com/beyond-brics/2014/02/03/em-central-bankers-guiders-reactors-and-mavericks/
Só que a expectativa de crescimento na qual se apoiou o orçamento de 2014, não conseguiu fazer a previsão com correção, e imaginou uma taxa de crescimento da economia mais substancial do que a que atualmente ocorre. De todo modo, no mundo todo, as previsões de crescimento para o ano de 2014 tem diminuído. Diminuição que vem sendo feita ao longo do ano. E devemos utilizar como comparação a Turquia e a Rússia, países que estão atravessando crise de mesma proporção que a brasileira neste ano de 2014.
Quanto ao contingenciamento que é um modelo anacrônico de corte de gastos, seria interessante que as pessoas que criticassem o modelo apresentassem um modelo mais moderno e que seja operacional.
Quanto à competência do Secretário do Tesouro, Arno Agustin, eu não o aconselho a seguir as avaliações de Luis Nassif. Ele tem uma maquininha que consegue medir objetivamente a competência dos nossos homens públicos. Infelizmente, ele não a disponibiliza para ninguém. Vai lá que ela esteja com defeito, e depois ele faz a correção. Em uma situação assim, como é que você fica?
Tivesse mais tempo eu diria mais alguma coisa, mas deixo para depois. Tento apenas dar uma explicação para justificar a escolha da Turquia e da Rússia para comparação com o Brasil. Na verdade, eu gosto de mencionar os seguintes países. [Primeiro o] México, mas sempre o considerando junto com os Estados Unidos. Os Estados Unidos, mas sempre considerando aquele país como um caso à parte. O Irã, Nigéria e Indonésia pelo tamanho e população, mas sempre levando em conta a renda per capita deles e considerando que se trata de países exportadores de petróleo. A Argentina, mas mais em função da área e, sendo da América do Sul, ser a segunda maior população da região. A Turquia e a Rússia, embora a Rússia deva ser vista um pouco a parte em decorrência do petróleo.
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E voltando ao seu post “Os dias decisivos do governo Dilma, por Luis Nassif”, que eu li um tanto rapidamente, preocupando-me mais com partes isoladas sem o considerar no seu contexto geral, por diversas razões, eu o considerei em certas passagens contrafatual.
Talvez valesse aqui fazer um comparativo com o que diz Lula a respeito da ex-presidenta às custas do golpe Dilma Rousseff. Nesse sentido, logo no início dos comentários aqui neste seu post “Os dias decisivos do governo Dilma, por Luis Nassif” há o de Andre Luiz RRR, enviado segunda-feira, 30/04/2018, às 20:45, em que ele deixa o link para uma comentarista no Facebook que pinça alguns trechos do livro de Lula “A verdade vencerá: O povo sabe por que me condenam” publicado pela Boitempo Editorial com crítica à ex-presidenta às custas do golpe Dilma Rousseff. Lula parece até mais rigoroso nas críticas que você.
Os trechos críticos à ex-presidenta às custas do golpe Dilma Rousseff feitos por Lula padecem de falha semelhante a sua que é não trazer a data da ocorrência do fato descrito ou analisado quando ela é necessária. E o seu texto ainda tem o inconveniente em trazer a data errada quando se sabe a que período o trecho se refere.
Um exemplo que me saltou aos olhos foi a seguinte referência à queda dos preços de petróleo no segundo semestre de 2014. Diz você:
“Os problemas ganharam uma nova dinâmica em meados de 2014, com os primeiros sinais do fim do grande ciclo de commodities que ajudou a sustentar a economia na década anterior.
O ano abriu com petróleo a US$ 110,00 o barril; bateu nos US$ 140,00. Mas, em agosto, havia despencado para US$ 45,00. O mesmo ocorreu com as cotações de commodities, afetando setores chaves para o crescimento.”
Eu tenho defendido que para entender o segundo governo da ex-presidenta às custas do golpe Dilma Rousseff é preciso reconhecer as três crises cambial que ela enfrentou em sequência de um modo um tanto diferente do que acontecia com as outras crises cambiais em que ocorria primeiro uma grande desvalorização da moeda e seis meses depois o país entrava em ritmo de crescimento.
Dessa vez, ao descrever a crise eu destacava a diferença em relação às outras. Houve a primeira crise da queda dos preços das commodities na virada do terceiro para o quarto trimestre de 2014, a segunda crise da queda dos preços das commodities na virada do primeiro semestre para o segundo semestre de 2015 e a primeira crise de desvalorização forte da moeda em decorrência da primeira elevação de juros pelo FED desde 2007, e que atingiu seu ápice em fevereiro de 2016.
De todo modo, como eu faço sempre referência a primeira crise da queda dos preços das commodities na virada do terceiro para o quarto trimestre de 2014, achei estranho você ter dito que em agosto de 2014 o preço havia despencado para US$ 45,00.
Tratei de procurar um link para o preço do petróleo e encontrei o seguinte: “Crude Oil Prices – 70 Year Historical Chart” que pode ser visto no seguinte endereço:
http://www.macrotrends.net/1369/crude-oil-price-history-chart
E os preços médios mensais do barril de petróleo no período de junho de 2014 a dezembro de 2014 são os seguintes:
Jun/2014: 111,06
Jul/2014: 102,85
Ago/2014: 102,66
Set/2014: 85,55
Out/2014: 84,64
Nov/2014: 69,70
Dez/2014: 56,82
E que se considere que não só a economia do país sofre com queda das commodities, onde o preço do petróleo é espelho do preço das outras commodities, como também é pressionada a receita pública tanto diretamente, pela redução dos lucros do setor exportador, como pela menor disponibilidade de recursos financeiros no mercado interno.
Bem, os efeitos da queda de preço das commodities na execução orçamentária em sintonia com a queda da receita pública são fáceis de serem visualizados no quadro que é apresentado no blog ABACUSLIQUID.com no post “PEC 241: gastos do governo” de segunda-feira, 24/10/2017, e que pode ser encontrado no seguinte endereço:
http://abacusliquid.com/pec-241-gastos/
Sobre a necessidade de entender não só o segundo governo da ex-presidenta às custas do golpe, como também o primeiro, eu recomendo a leitura do meu extenso comentário enviado quinta-feira, 07/09/2017, às 15:26, para Junior 5 Estrelas junto ao comentário dele enviado quinta-feira, 31/08/2017 às 10:29, lá no seu post “Xadrez do fator é a economia, estúpido!, por Luís Nassif” de quarta-feira, 30/08/2017, às 00:32, e que pode ser visto no seguinte endereço:
https://jornalggn.com.br/noticia/xadrez-do-fator-e-a-economia-estupido-por-luis-nassif
Deixei o link referente ao post no blog ABACUSLIQUID.com lá em meu comentário para Junior 5 Estrelas lá no post “Xadrez do fator é a economia, estúpido!, por Luís Nassif”. O post “Xadrez do fator é a economia, estúpido!, por Luís Nassif” é fácil de ser encontrado e eu levei um dia de pesquisa para encontrar o post “PEC 241: gastos do governo” no blog ABACUSLIQUID.com. Agora os tenho na palma da mão.
O autor do post “PEC 241: gastos do governo” se intitula Abacusliquid. O importante é o gráfico que ele apresenta em trecho com subtítulo “Déficit Primário” em que há as Contas do Governo Central, informando como fonte dos dados o Tesouro Nacional.
Pois bem, o gráfico mostra a Receita Líquida 12 meses (em azul) e Despesa Total 12 Meses (em vinho) com a informação no eixo dos x sendo dada mensalmente. Ao longo do governo da ex-presidenta às custas do golpe Dilma Rousseff não há critica a se fazer ao gerenciamento dos recursos orçamentários. Então parece-me contrafatual quando se lê uma crítica como a que se vê neste seu post na frase transcrita seguir:
“Entrou-se em 2014 com dados objetivos de que as desonerações de folha, distribuídas com evidente exagero a dezenas de setores, não haviam produzido aumento de investimento pretendido”.
Falar em exagero das desonerações percebido na entrada de 2014 é ir contra os dados apresentados no quadro do blog ABACUSLIQUID.com. Dizer que a política econômica posta em prática no primeiro governo da ex-presidenta às custas do golpe Dilma Rousseff não havia produzido aumento de investimento pretendido só é admissível em quem comenta a economia sem importar com os dados, pois o que sabemos dos investimentos comparando um trimestre com o trimestre imediatamente anterior para o quarto trimestre de 2012, o primeiro e o segundo trimestre de 2013 e o terceiro trimestre de 2013 é o seguinte:
Referência Tx Invest. Tx Invest anualizada Tx PIB Trim Tx PIB anualizado
3º Trim 2012 – 1,4% – 5,6% 0,6% 2,4%
4º Trim 2012 1,8% 7,4% 0,9% 3,6%
1º Trim 2013 3,9% 16,5% 0,4% 1,6%
2º Trim 2013 3,4% 14,3% 2,1% 8,7%
3º Trim 2013 – 1,7% – 6,6% – 0,5% – 2,0%
4º Trim 2013 – 2,1% – 8,1% 0,1% 0,4%
Há três trimestres de forte retomada dos investimentos. Considerado o que os dados apresentam, não é bem fundamentado dizer que “as desonerações de folha, . . . , não haviam produzido aumento de investimento pretendido”.
E se em um trecho o argumento não se apresenta bem fundamentado em outro há mais é omissão. Se se leva em conta os índices de crescimento do PIB mostrados acima, o próprio crescimento do PIB nos mesmos trimestres indicados acima e também o baixo índice de desemprego da época, embora caiba relacionar as passeatas de junho com a economia, parece-me revelar uma grande omissão a seguinte frase sua:
“Em junho aconteceram as grandes passeatas refletindo o clima de mal-estar na economia.”
Ora será que o julgamento da Ação Penal 470 não teve mais reflexo nas manifestações do que a questão econômica? Não se pode esquecer que tanto nas manifestações iniciais com maior presença da esquerda em que se pedia passe livre e se criticavam os gastos com a Copa do Mundo, como na segunda etapa das manifestações, quando a direita assumiu as manifestações e elas acabavam revelando até certo caráter fascista, fez-se campanha contra os partidos políticos e contra a PEC 37, não se centrava tanto em reivindicações de natureza econômica.
O que havia era reivindicações de mais e melhores serviços públicos. Daí até porque eu costumava dizer que os manifestantes estavam reivindicando por mais Adolphe Wagner, no sentido que as manifestações eram o corolário da grande lição do economista alemão que dizia no final do século XIX que à medida que a população vai ficando mais rica ela passa a exigir mais e melhores serviços públicos e em consequência os governos precisam aumentar os gastos públicos.
E no elenco das omissões cabe destacar que não se mencionou o atrelamento da política de desoneração da folha com a política chamada de desvalorização fiscal (desvalorização da moeda via incentivos fiscais ou mudança da sistemática de tributação com a substituição da tributação na folha de pagamento por uma tributação de valor agregado).
Também no que se refere às política de energia elétrica apesar de elogiosa para com a ex-presidenta às custas do golpe Dilma Rousseff não se fez o devida vinculação da política de redução das tarifas de energia com a política de desvalorização fiscal.
E além do mais quando você fala na política de energia elétrica fala-se como se a política fora posta em execução em 2014 quando na verdade ela se dera no final de 2012.
E não há qualquer menção às parafernálias de decisões contraditórias sobre o preço de energia elétrica a partir de órgãos como o Tribunal de Contas e as decisões judiciais monocráticas e embates patrocinados pelos Ministérios Públicos, pelos Procons e outros órgãos de defesa do consumidor.
Quase todas as decisões eram validando ou negando validade às medidas adotadas e aos fundos criados na esteira da política do governo de Fernando Henrique Cardoso relativamente à crise energética que redundou no que se chama Apagão Elétrico. O governo acreditava que com o novo modelo seria mais fácil livrar daquele amontoado de decisões contraditórias e confusas que acabavam inviabilizando o bom funcionamento do sistema de fornecimento de energia elétrica.
Apesar de todas as dificuldades enfrentadas por um governo minoritário contando com o apoio firme apenas de uma bancada diminuta, quando se vê o gráfico apresentado no blog ABACUSLIQUID.com no post “PEC 241: gastos do governo” percebe-se facilmente que a deterioração das contas públicas do governo central só se efetivou a partir de outubro de 2014.
Quer dizer, ao não enfatizar o tratamento escorreito que o governo da ex-presidenta às custas do golpe Dilma Rousseff deu às contas públicas no seu primeiro governo, os críticos não só fazem uma crítica rastaquera como esquecem que não é fácil ter esse domínio do orçamento com um Congresso Nacional que eram majoritariamente anti-petista.
Um exemplo do caráter anti-petista do Congresso Nacional foi a aprovação na Câmara dos Deputados dos 10% do Orçamento imperativo pertencente ao Congresso Nacional. Embora tenha sido aprovado com o apoio do PT, o PT apoiou porque não teve alternativa e ficava mal para o representante legislativo ficar contra o próprio interesse do poder Legislativo. Logo no segundo mandato a Emenda Constitucional foi promulgada.
Aproximando para analisar o segundo mandato, você menciona a necessidade de correção de rumo na frase que transcrevo a seguir:
“No final de agosto, estava claro para Dilma e Mercadante que, passadas as eleições, seria inevitável um choque de arrumação”.
Você antecipou em muito a percepção da necessidade de arrumação. O problema maior que ocorria no orçamento, qual seja, receita crescendo menos do que a despesa, só ficou mais premente a partir de outubro de 2014. Podia também fazer uma referência sobre a dificuldade a que se sujeitam os governantes quando precisam realizar previsão do futuro. No caso, a previsão em 2013 do que se imaginara que seria a economia brasileira em 2014 tendo em vista dados preliminares de uma forte recuperação em 2013 fora frustada e infelizmente não se realizou muito provavelmente em razão das manifestações descontroladas que se verificaram em junho de 2013.
Não se realizou não só porque a recuperação econômica de 2013 naufragou no terceiro trimestre de 2013, e uma vez havido a reversão na taxa de investimento, que veio caindo a partir do terceiro trimestre de 2013, não se tinha boa perspectiva para os investimentos em 2014, como também o ano de 2014 não apresentou nem mesmo o crescimento produzido pela metodologia de cálculo que leva para o ano seguinte o crescimento do final do ano anterior.
Com os dados disponíveis, em que se observava que a economia não se recuperava como fora o prometido já em agosto era possível prever a necessidade de correção de rumo, mas não que haveria a necessidade de choque de arrumação.
Havia é claro o problema no Balanço de Pagamento. Só que para solucionar este problema seria preciso uma desvalorização mais acentuada do real, mas para o qual o governo não podia fazer mais do que já havia feito. O Brasil dentro dos países de periferia de 2011 até 2014, antes da primeira queda forte do rublo foi um dos países que mais conseguiu desvalorizar a sua moeda. E se sabia pela história que a correção cambial uma vez realizada cria transtornos para a economia mas seis meses depois o país recomeça a recuperação econômica.
Enfim, há boas razões para dizer que o seu tempo para a necessidade de arrumação está equivocado. Seria muito mais de acordo com os fatos dizer que no auge da eleição se tenha percebido a necessidade de correção mais forte de rumo e visualizado políticas que visassem uma maior contenção de gastos e permitissem assegurar uma melhor receita fiscal.
Há então a escolha de Joaquim Levy. A crítica à escolha dele, vista como um economista liberal e, portanto, ruim por alguns da esquerda, esquece, no entanto, como ela foi bem recebida por um economista de esquerda entre os melhores neste campo. É o que se vê no post “Tática fiscalista e estratégia social-desenvolvimentista, por Fernando N. da Costa” de quarta-feira, 03/12/2014, às 16:04, aqui no seu blog com a reprodução do artigo de Fernando Nogueira da Costa publicado no Brasil Debate. O post “Tática fiscalista e estratégia social-desenvolvimentista, por Fernando N. da Costa” pode ser visto no seguinte endereço:
https://jornalggn.com.br/blog/brasil-debate/tatica-fiscalista-e-estrategia-social-desenvolvimentista-por-fernando-n-da-costa
E que se observe que na análise de Fernando Nogueira da Costa não se leva em conta que Joaquim Levy trazia na sua trajetória dois aspectos importantes que facilitavam a sua escolha entre economistas com enfoque de restrição nos gastos públicos. Já trabalhara com Antonio Palocci no Ministério do PT ainda no governo de Lula e já trabalhara para o PMDB do Rio de Janeiro, a ala mais forte do PMDB no Brasil.
Além de saber da necessidade no curto prazo de fazer um ajuste fiscal, o que pesou favoravelmente na análise de Fernando Nogueira da Costa foi levar em conta que Joaquim Levy seria ministro da ex-presidenta às custas do golpe Dilma Rousseff. Não estaria livre para fazer o que bem entendesse.
Então penso que é um texto ruim um texto com tantas omissões e com dados não muito corretos. É ruim por exemplo quando fala das manifestações de junho de 2013 sem fazer vinculação com o julgamento da Ação Penal 470 no STF. Também é ruim falar da crise econômica em 2014 sem fazer vinculação com as manifestações de junho de 2013.
E mais, não merece crédito um texto que tenta adentrar no que se constituiu em um ano e meio do segundo mandato da ex-presidenta às custas do golpe Dilma Rousseff sem mencionar o caráter distintivo da desvalorização que desta vez ocorrera em três etapas. A se tomar por outras desvalorizações se esperaria que após o baque inicial como em diversas vezes anteriores a economia do país iniciava uma forte recuperação econômica.
Desta vez, entretanto, houvera uma primeira etapa a partir da primeira queda dos preços das commodities no passar do terceiro para o quarto trimestre de 2014. Uma segunda etapa ali nas imediações do fim do primeiro semestre e início do segundo semestre de 2015 e a terceira etapa de dezembro de 2015 a fevereiro de 2016, após a primeira elevação depois de 2007 pelo Fed em dezembro de 2015 do juro americano.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 02/05/2017