Em debate pra lá de desditoso em um desses domingos da minha querida baixada fluminense, eis que ficara lúcio para mim que a noção de Justiça é algo que vem se perdendo nesses tempos em que a intolerância contra a derrota nas urnas veste qualquer ação governamental com o manto da mentira e do propagandismo. Não cabe aqui dar nome aos bois que estavam pastando naquele domingo, mas muitos dos colegas de blog, e fora dele, já perceberam que a contra argumentação não está gerando o efeito desejado: o debate saudável sobre política.
É cada vez mais visível que as pessoas não querem saber de Justiça, a Lei entedia, em suma, a Lei não interessa. Obviamente, muito desse sentimento é propagado pela cantinela de que a Lei é feita para proteger os ricos e blá blá blá. Mas existe algo mais, pois, como explicar porque alguém pode acreditar em qualquer coisa que saia na mídia contra os seus adversários ideológicos e ao mesmo tempo minimizar, e até tentar justificar, os desvios daquele que servem aos seus ideais, para não dizer daqueles que alimentam seu ódio? Um dos bois do pasto se comportou dessa maneira, isso assusta e inibe qualquer tipo de argumentação civilizada, aquela não dominada pelas adjetivações de ataque direto. O boi, em sua razão absoluta contra a marcha esquerdista no mundo, e claro, no Brasil, fazia votos de que Joaquim Barbosa teria que virar presidente. Ainda dizia o ruminante pai da verdade que pressentia que em 2014 “algo” iria acontecer, e que a esquerdização brasileira iria parar.
A questão é que estamos entrando no vale tudo de vez. Isso é provado pelas declarações do mais intelectual opositor, FHC, o qual disse que torce para qualquer um que tirar o PT do poder. Isso significa que qualquer aventureiro pode ser alternativa, desde que não seja do PT. Pensamento de vale tudo também é observado em pessoas que afirmam que mesmo que não tenha havido mensalão, eles sabem porque estão sendo presos. Isso é o absurdo e prova cabal da imaturidade política. Lembro-me que até o sempre polêmico AA contrastou as arbitrariedades do processo por este ter sido cheio de inovações. Ora, é de conhecimento geral que nosso colega não morre de amores pelo PT, mas nem por isso deixou de ser racional, e também nem por isso foi chamado de petista pelêgo, e outras coisas mais. Infelizmente, não admiradores e simpatizantes do Governo e do PT de um modo geral não se comportam como o AA quando são confrontados com relação à corrupção, pois uma boa parcela do eleitorado anti-PT está cada vez mais afastado da Justiça em numa única e exclusivamente da vingança, e o pior, ainda se dizendo corretos: os justiceiros estão na moda.
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