16 de julho de 2026

Partido de Bolsonaro vaza documento com acusações falsas sobre as urnas e TSE manda investigar autores

TSE vê "clara tentativa de embaraçar e tumultuar o curso natural do processo eleitoral"
O ministro Alexandre de Moraes usa uma capa preta com cordão vermelho sobre os ombros, camisa branca e gravata azul. Fala na tribuna do TSE durante cerimônia de posse
Foto: Divulgação/TSE

O Tribunal Superior Eleitoral, comandado pelo ministro Alexandre de Moraes, determinou a abertura de uma investigação para apurar os autores de um documento apócrifo vazado nesta quarta-feira (28), com a finalidade de colocar a credibilidade das urnas eletrônicas em xeque.

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O documento produzido pelo PL, partido de Jair Bolsonaro, apontou supostas 24 falhas no sistema eletrônico de votação, numa tentativa de preparar o terreno para que o candidato à reeleição questione o resultado das urnas caso venha a ser derrotado por Lula na no primeiro turno das eleições 2022, que ocorre em 4 dias.

Segundo apuração da jornalista Daniela Lima, da CNN, o documento surgiu a partir de uma contratação, a pedido da equipe de Bolsonaro, de um time para analisar possíveis fragilidades nas urnas. O produto desta análise era um documento com muitas páginas, mas para “consumo interno” do PL. Eis que, nesta quarta, o vice-presidente nacional do partido decidiu entregar à imprensa uma versão sintética, e sem assinatura, do relatório original.

O TSE respondeu à altura do ataque, afirmando que as informações do documento do PL são “falsas e mentirosas”. O tribunal determinou a abertura de um inquérito para averiguar quem é responsável pela tentativa de “embaraçar” o curso normal das eleições.

Leia a nota completa abaixo.

Veja a íntegra da nota do TSE:

“As conclusões do documento intitulado “resultados da auditoria de conformidade do PL no TSE” são falsas e mentirosas, sem nenhum amparo na realidade, reunindo informações fraudulentas e atentatórias ao Estado Democrático de Direito e ao Poder Judiciário, em especial a Justiça Eleitoral, em clara tentativa de embaraçar e tumultuar o curso natural do processo eleitoral.

Diversos dos elementos fraudulentos constantes do referido “documento” são objetos de investigações, inclusive nos autos do Inquérito n. 4.781/DF, em tramitação no Supremo Tribunal Federal, relativamente à fake news e, também, já acarretaram rigorosas providências por parte do Tribunal Superior Eleitoral, que decidiu pela cassação do diploma de parlamentar na hipótese de divulgação de fatos notoriamente inverídicos sobre fraudes inexistentes nas urnas eletrônicas (Recurso Ordinário Eleitoral n. 0603975-98.2018.6.16.0000/PR).

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Alexandre de Moraes, determinou a imediata remessa do documento ao Inquérito nº 4.781/DF, para apuração de responsabilidade criminal de seus idealizadores – uma vez que é apócrifo –, bem como seu envio à Corregedoria Geral Eleitoral para instauração de procedimento administrativo e apuração de responsabilidade do Partido Liberal e seus dirigentes, em eventual desvio de finalidade na utilização de recursos do fundo partidário.”

Cintia Alves

Cintia Alves é jornalista especializada em Gestão de Mídias Digitais e editora do GGN.

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