4 de junho de 2026

POLÊMICA: VENEZUELA À BEIRA DO ABISMO

“AS ELEIÇÕES FORAM UMA FRAUDE, MAS MADURO NÃO DEVE DURAR MUITO TEMPO”

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Gabriel Brito, da Redação

DO CORREIO DA CIDADANIA

19/06/2018

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A Ve­ne­zuela acaba de passar por elei­ções pre­si­den­ciais que re­e­le­geram Ni­colas Ma­duro de forma não re­co­nhe­cida pela opo­sição e a cha­mada co­mu­ni­dade in­ter­na­ci­onal. Ade­mais, o país está em fran­ga­lhos e cerco de san­ções de parte da co­mu­ni­dade in­ter­na­ci­onal. Um quadro de­so­lador com pouca pers­pec­tiva de saídas. Con­ver­samos com Mar­ga­rita Lopez Maya, his­to­ri­a­dora e so­ció­loga da Uni­ver­si­dade Cen­tral da Ve­ne­zuela, além de au­tora de di­versos li­vros sobre o pro­cesso po­lí­tico de seu país.

 

“A PDVSA está quase que­brada, não con­segue di­nheiro. Os chi­neses fazem pressão para que Ma­duro ne­gocie e não lhe dão di­nheiro fresco. Os russos não têm esse poder econô­mico todo pra ajudar. Não há muito apoio ex­terno.

Ma­duro, por exemplo, não pode con­se­guir cré­dito no FMI, ou na banca, pois tem san­ções. Ele, seus mi­nis­tros, vice, não podem con­se­guir. A si­tu­ação é atroz, há hi­pe­rin­flação, acho di­fícil que se man­tenha por todo o tempo”, ex­plicou.

 

Sobre as elei­ções, con­si­dera uma com­pleta fraude e cita uma série de fatos que se acu­mu­laram na mon­tagem de um ce­nário sob me­dida para o triunfo de Ma­duro. Ainda assim, anuncia-se uma vi­tória de Pirro, pois nunca se viu ta­manha abs­tenção elei­toral no país. Mar­ga­rita acre­dita que a re­cu­pe­ração do país só pode co­meçar pela re­núncia do pre­si­dente que con­si­dera ile­gí­timo, se­guida de re­cu­pe­ração das ins­ti­tui­ções con­ta­mi­nadas pela re­cente gui­nada au­to­ri­tária de seu go­verno.

 

“A saída é fácil: que re­nuncie Ma­duro. De­pois, podem ser abertas ne­go­ci­a­ções a uma tran­sição de­mo­crá­tica, que re­cu­pere o filo de­mo­crá­tico e do es­tado de di­reito. Com isso, se de­veria tirar da ile­ga­li­dade par­tidos como Pri­mero Jus­ticia, Vo­luntad Po­pular e a MUD (Mesa de Uni­dade De­mo­crá­tica), assim como re­a­bi­litar os di­reitos po­lí­ticos de Le­o­poldo Lopez, An­tonio Le­dezma, Hen­rique Ca­priles Ra­donski”, re­sumiu.

 

A en­tre­vista com­pleta com Mar­ga­rita Lopes Maya pode ser lida a se­guir.

 

Cor­reio da Ci­da­dania: Como ana­lisa os re­sul­tados elei­to­rais na Ve­ne­zuela, quando cerca de 48% do elei­to­rado com­pa­receu às urnas e Ma­duro se elegeu com 68% dos su­frá­gios vá­lidos ou 25% do elei­to­rado apto a votar?

 

Mar­ga­rita López Maya: A eleição foi to­tal­mente vi­ciada, desde o prin­cípio. Frau­du­lentas desde a origem, con­vo­cadas por um or­ga­nismo que não existe na Cons­ti­tuição, ile­gí­timo, eleito de forma an­ti­de­mo­crá­tica. Houve quem vo­tasse duas vezes… Foi tudo tão car­re­gado de ir­re­gu­la­ri­dades, ile­ga­li­dades e ar­bi­tra­ri­e­dades que os re­sul­tados devem ser vistos como o que são: frau­du­lentos.

 

Dentro disso foi um evento, ade­mais, con­vo­cado antes da hora cor­reta, em fins de de­zembro. A Co­missão Na­ci­onal Elei­toral (CNE) de­cidiu co­locá-la em abril, de­pois mudou para maio, pois con­vinha a Ma­duro con­trolar esse tempo. Foi tudo ar­mado para que Ma­duro ga­nhasse. E não houve sur­presa: Ma­duro ga­nhou.

 

Ma­duro pre­cisa se le­gi­timar, por conta da crise in­terna do país e do iso­la­mento in­ter­na­ci­onal, e apostou numa ma­qui­agem elei­toral. Eu diria que não se cum­priu o ob­je­tivo. Ele ia ga­nhar, já se sabia, com mai­oria que nunca po­demos checar, porque a CNE con­trola toda o pro­cesso e está a ser­viço de Ma­duro.

 

Mas dois as­pectos fu­giram ao es­pe­rado: 1) as pes­soas não foram votar. O mais des­ta­cável deste pro­cesso pseu­do­e­lei­toral é que não pode ocultar a de­so­lação das pes­soas, não con­se­guiu adesão. A não par­ti­ci­pação ofi­ci­al­mente foi de 51%, ex­tra­o­fi­ci­al­mente fala-se em 60%. Não po­demos saber porque não houve mo­ni­to­ra­mento in­de­pen­dente. Os nú­meros são im­pre­cisos.

 

Certo é que na pri­meira vez da his­tória elei­toral ve­ne­zu­e­lana a mai­oria não foi votar. A média de par­ti­ci­pação his­tó­rica no pe­ríodo de­mo­crá­tico, pela cons­ti­tuição de 1961, onde o voto era obri­ga­tório, fi­cava em cerca de 80%. Pela úl­tima cons­ti­tuição, onde o voto não era obri­ga­tório, fi­cava por volta de 70%, 75%.

 

Mais da me­tade das pes­soas não foi votar e isso é muito re­le­vante. O go­verno não con­se­guiu es­conder, no má­ximo amainar.

 

2) Os can­di­datos opo­si­tores, antes de di­vul­gados os re­sul­tados, deram de­cla­ra­ções pú­blicas de re­jeição ao pro­cesso, a chamá-lo de ile­gí­timo e ilegal; a opo­sição que par­ti­cipou não re­co­nhece os re­sul­tados.

 

Por­tanto, foram dois grandes ele­mentos que jo­garam lenha na fo­gueira. Elei­ções fora dos pa­drões in­ter­na­ci­o­nais de de­mo­cracia e uma cam­panha ta­lhada aos in­te­resses do go­verno, com es­forço em ar­rastar se­tores opo­si­tores ao pro­cesso pra con­ferir le­gi­ti­mi­dade.

 

São mo­mentos de in­flexão na crise ve­ne­zu­e­lana, um passo a mais no en­fra­que­ci­mento po­lí­tico de Ma­duro.

 

Cor­reio da Ci­da­dania: Além das ma­no­bras po­lí­ticas, pode-se apontar fraudes mais di­re­ta­mente li­gadas ao dia da eleição, como alegam se­tores opo­si­ci­o­nistas e parte dos países que se ma­ni­fes­taram pelo não re­co­nhe­ci­mento dos re­sul­tados?

 

Mar­ga­rita López Maya: São ví­cios de origem, de pro­ce­di­mento e le­ga­li­dade. O sis­tema de vo­tação é au­to­ma­ti­zado. De modo que as má­quinas têm software a que no mo­mento só o CNE tem acesso. E o órgão está em mãos de uma au­to­ri­dade que fun­ciona a ser­viço do go­verno. Até o ano pas­sado as má­quinas fun­ci­o­navam com uma em­presa cha­mada Smartic, que já saíra a pú­blico a anun­ciar fraudes elei­to­rais e ma­ni­pu­lação. No co­meço do ano, ela foi em­bora da Ve­ne­zuela, pois disse que não podia as­se­gurar o pro­cesso.

 

Está tudo sob con­trole, de modo que se sabia per­fei­ta­mente se uma fraude mais es­trita da vo­tação era ou não ne­ces­sária. E não temos como saber se foi ou não. Sabe-se que a não par­ti­ci­pação po­pular foi a menor de todas, como se fez através do mé­todo do quick­pools: fica-se pa­rado di­ante de um centro de vo­tação e ob­serva-se quantas pes­soas en­tram pra votar – in­de­pen­den­te­mente do voto. E quem fez isso afirmou que o nú­mero era cla­ra­mente menor.

 

De todo modo, não con­si­dero tal as­pecto tão re­le­vante. Era tão vi­ciado o pro­cesso que se po­diam as­se­gurar os ob­je­tivos, penso eu, sem forçar a barra. E os can­di­datos opo­si­tores não ti­nham con­dição e es­tru­tura par­ti­dária para co­brir todos os cen­tros e mesas elei­to­rais. Em muitos casos, não havia tes­te­mu­nhas de todos os lados. Pode ser que se veja na má­quina o re­sul­tado cor­reto, mas no mo­mento de­vido al­guém po­deria mexer nela à von­tade. Até porque o re­gistro elei­toral não está de­pu­rado de acordo com a quan­ti­dade de pes­soas que saiu do país re­cen­te­mente.

 

O que se diz no país é que foi tudo tão vi­ciado que a mai­oria não foi votar, in­clu­sive se­tores cha­vistas. Houve mesas que fi­caram abertas até oito da noite, quando de­ve­riam ficar até as seis, a fim de se chamar mais votos…

 

Enfim, uma fraude. E o go­verno se per­mitiu todo o uso da má­quina pú­blica, desde di­nheiro até mídia, para pro­mover o pro­cesso a seu gosto.

 

Cor­reio da Ci­da­dania: Como fica a Ve­ne­zuela com o não re­co­nhe­ci­mento do re­sul­tado por parte ex­pres­siva da cha­mada co­mu­ni­dade in­ter­na­ci­onal?

 

Mar­ga­rita López Maya: A pressão sobre o go­verno Ma­duro é muito grande, ele­mento muito im­por­tante da con­jun­tura. Isso se com­bina com a pressão in­ter­na­ci­onal que pra­ti­ca­mente en­cur­rala o país, porque as san­ções im­postas por al­guns go­vernos sig­ni­ficam, entre ou­tras coisas, ser muito di­fícil con­se­guir fi­nan­ci­a­mento para as enormes dí­vidas e ne­ces­si­dades.

 

O úl­timo pro­cesso que a Co­noco-Phi­lips ga­nhou nos EUA fez os barcos ve­ne­zu­e­lanos se re­fu­gi­arem na costa, por medo de con­fisco. O que quer dizer que a pro­dução pe­tro­leira ve­ne­zu­e­lana está ame­a­çada de di­mi­nuir mais ainda.

 

A ne­gação in­ter­na­ci­onal de re­co­nhecer Ma­duro segue a fazer os pro­blemas se acu­mu­larem, com prisão de vá­rios mi­li­tares, pois há des­con­ten­ta­mento em quar­téis também. Por terem de guardar lo­cais de vo­tação, os pró­prios mi­li­tares viram a di­nâ­mica elei­toral e que em certos lo­cais quase nin­guém foi votar. Au­mentou o des­con­ten­ta­mento in­terno.

 

Assim, Ma­duro se sus­tenta com o au­mento da re­pressão até sobre os mi­li­tares. São se­manas muito di­fí­ceis, vamos ver se so­bre­vive.

 

Cor­reio da Ci­da­dania: Nesse sen­tido, acre­dita na pos­si­bi­li­dade de Ma­duro re­al­mente go­vernar o país por mais seis anos, tempo de man­dato re­la­ti­va­mente longo?

 

Mar­ga­rita López Maya: O go­verno não vai durar muito tempo, a não ser que se torne algo com­ple­ta­mente novo. Mas não creio nisso. Com as san­ções, o pro­cesso da Co­noco, mais san­ções, é muito di­fícil go­vernar. A PDVSA está quase que­brada, não con­segue di­nheiro. Os chi­neses fazem pressão para que Ma­duro ne­gocie e não lhe dão di­nheiro fresco. Os russos não têm esse poder econô­mico todo pra ajudar. Não há muito apoio ex­terno.

 

Ma­duro, por exemplo, não pode con­se­guir cré­dito no FMI, ou na banca, pois tem san­ções. Ele, seus mi­nis­tros, vice, não podem con­se­guir. A si­tu­ação é atroz, há hi­pe­rin­flação, acho di­fícil que se man­tenha por todo o tempo.

 

Penso que até de­zembro, quando ter­mina este pe­ríodo pre­si­den­cial, pode haver algum de­sen­lace, seja por re­a­co­mo­dação cha­vista, seja por uma gui­nada dos mi­li­tares, co­lo­cando-se a si mesmos no poder. Ou ainda por pressão in­ter­na­ci­onal e uma nova eleição, re­al­mente de­mo­crá­tica e dentro de pa­drões in­ter­na­ci­o­nais re­co­nhe­cidos.

 

Cor­reio da Ci­da­dania: Como tem sido os tra­ba­lhos da As­sem­bleia Cons­ti­tuinte recém-eleita?

 

Mar­ga­rita López Maya: Ela é es­púria, ilegal, foi cons­ti­tuída em de­so­be­di­ência à Cons­ti­tuição. Para con­vocar uma cons­ti­tuinte, é pre­ciso con­sultar o povo, fazer um re­fe­rendo apenas para isso. O poder cons­ti­tuinte é do povo. Ma­duro não o con­sultou, apenas se deu o di­reito de con­vocar a As­sem­bleia, e ainda impôs normas para eleição de de­pu­tados ab­so­lu­ta­mente fora do es­tado de di­reito. Passou em cima da Cons­ti­tuição ve­ne­zu­e­lana, que é de­mo­crá­tica.

 

Cada ci­dade tem di­reito a um voto, só um. Nestas elei­ções, e rei­tere-se que o CNE marcou para quando Ma­duro quis, havia grupos, se­tores so­ciais e cor­po­ra­tivos com di­reito a dois votos, como pes­soas que per­tencem a al­guma das mis­sões so­ciais do go­verno, ou que re­cebem uma pensão, al­guma fe­de­ração de cam­po­neses li­gada ao go­verno… Eu tenho di­reito a um voto, um pen­si­o­nista do Es­tado, a de­pender de qual setor se liga, pode ter dois.

 

Foi to­tal­mente frau­du­lento, como se pode com­pre­ender. Dizem que par­ti­ci­param 8 mi­lhões de ve­ne­zu­e­lanos, mas as ruas es­tavam va­zias. A As­sem­bleia Cons­ti­tuinte (para a qual não houve par­ti­ci­pação da opo­sição) tratou de des­le­gi­timar a As­sem­bleia Na­ci­onal. Mas não con­se­guiu, e age como poder su­pra­cons­ti­tu­ci­onal para le­gi­timar suas de­ci­sões, como an­te­cipar as elei­ções pre­si­den­ciais, em ali­ança com o CNE, tal como ou­tras me­didas que não têm pas­sado pela As­sem­bleia Na­ci­onal. Esta, tam­pouco foi re­co­nhe­cida in­ter­na­ci­o­nal­mente… Os pro­blemas só se acu­mulam e al­guma hora devem pro­duzir a queda do go­verno.

 

Cor­reio da Ci­da­dania: O que po­deria ser feito para que o país pu­desse me­lhorar sua si­tu­ação econô­mica, so­cial e po­lí­tica?

 

Mar­ga­rita López Maya: A saída é fácil: que re­nuncie Ma­duro. De­pois, podem ser abertas ne­go­ci­a­ções a uma tran­sição de­mo­crá­tica, que re­cu­pere o filo de­mo­crá­tico e do es­tado de di­reito. Temos uma As­sem­bleia Na­ci­onal le­gí­tima, eleita, não em con­di­ções justas de com­pe­tição, mas pelo menos com trans­pa­rência.

 

Essa As­sem­bleia está aí. Ma­duro po­deria re­nun­ciar, o pre­si­dente da As­sem­bleia po­deria as­sumir como in­te­rino e con­vocar elei­ções. E ao mesmo tempo po­deria co­meçar a des­ti­tuir ma­gis­trados do Poder Ju­di­ciário ir­re­gu­lar­mente no­me­ados, que atuam como braço di­reito da di­ta­dura de Ma­duro. Po­de­riam co­meçar a re­mover gente do CNE eleita frau­du­len­ta­mente no ano pas­sado, por sobre os pro­cessos le­gais. E assim po­de­ríamos re­cu­perar as ins­ti­tui­ções de­mo­crá­ticas.

 

Porém, Ma­duro nega tal ca­minho, mesmo com 80% de re­jeição po­pular e 70% da opi­nião pú­blica fa­vo­rável a sua re­núncia. Outra saída seria pela pressão in­ter­na­ci­onal, com todos sen­tando a ne­go­ciar por elei­ções justas e trans­pa­rentes. Com isso, se de­veria tirar da ile­ga­li­dade par­tidos como Pri­mero Jus­ticia, Vo­luntad Po­pular e a MUD (Mesa de Uni­dade De­mo­crá­tica), assim como re­a­bi­litar os di­reitos po­lí­ticos de Le­o­poldo Lopez, An­tonio Le­dezma, Hen­rique Ca­priles Ra­donski.

 

Devem ser li­be­rados os mais de 250 presos po­lí­ticos também. Com toda essa re­or­ga­ni­zação, e a com­pre­ensão de que fra­cassou no go­verno, pois es­tamos numa ca­tás­trofe que pode custar muitos anos de nossa vida, po­de­ríamos co­meçar a sair da crise.

 

Cor­reio da Ci­da­dania: Que lei­tura você faz do ce­nário po­lí­tico re­gi­onal, ao passo que as tur­bu­lên­cias aqui de­ba­tidas também se ve­ri­ficam em di­versos países?

 

Mar­ga­rita López Maya: A Amé­rica La­tina no geral vive um mo­mento tur­bu­lento. Mas a mai­oria dos países tem bons de­sem­pe­nhos econô­micos, não? A tur­bu­lência é so­bre­tudo po­lí­tica. E há muita pre­o­cu­pação de que o que se tornou o cha­vismo aqui se ex­porte a ou­tros países, como o Mé­xico. A Colômbia também tem di­fi­cul­dades – aliás, com­par­ti­lhadas na fron­teira entre nossos países -, pois vi­vemos pa­drões au­to­ri­tá­rios do sé­culo 21, que se va­lidam nas urnas, no voto po­pular e so­cavam as de­mo­cra­cias cons­truídas com muito es­forço na Amé­rica la­tina. Temos exem­plos na Ar­gen­tina, no Equador, que não che­garam a tanto, mas têm traços co­muns.

 

Falo pela Ve­ne­zuela: as pro­postas po­pu­listas, aqui à es­querda, de­bi­li­taram muito as ins­ti­tui­ções, ata­caram a li­ber­dade de ex­pressão, os con­tra­pesos entre os po­deres. Vamos ver como fun­ci­onam os pro­cessos elei­to­rais pre­vistos para este ano. Salvo o Mé­xico, não vejo um quadro tão dan­tesco e de­so­lador como o ve­ne­zu­e­lano. Aqui, a cú­pula mi­litar e civil se tornou um grupo de de­lin­quentes que sa­queia o Es­tado e ainda pro­move ne­gó­cios es­cusos.

 

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Gabriel Brito é jornalista e editor do Correio da Cidadania.Leia também:

 

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