No último período, há havido um claro ascenso da ultradireita em escala mundial, tanto nos partidos de cunho fascista quanto, e principalmente, nos setores de ultradireita dentro dos partidos da direita tradicional. Qual é base material para esse desenvolvimento?
Da mesma maneira que a ala esquerda do imperialismo, a socialdemocracia, se identifica com a implementação das políticas keynesianas, após a Segunda Guerra Mundial, a direita tradicional ficou à frente dos governos dos principais países a partir da década de 1980, quando as políticas neoliberais começaram a ser aplicadas em escala mundial como principal mecanismo de contenção da crise capitalista. Durante um certo período, a inflação e o desemprego foram controlados por meio da incorporação ao mercado mundial de centenas de milhões de trabalhadores semiescravos, principalmente chineses, o que possibilitou desencadear enormes ataques contra o movimento operário em escala global.
O colapso capitalista de 2007-2008 significou o colapso do neoliberalismo. Por esse motivo, a direita tradicional entrou em crise terminal. Entre 2008 e 2011, houve um período intermediário onde foram colocados em pé mecanismos de contenção baseados na inundação do mercado de crédito e a disparada do repasse de recursos públicos para os capitalistas. Esses mecanismos ruíram no ano passado.
Alguns setores da ala esquerda do regime político burguês esboçaram a tentativa de promover políticas de crescimento. Na França, François Hollande foi eleito contra a política dos setores imperialistas majoritários, apesar de várias tentativas para impor a reeleição de Sarkozy. A profundidade da crise capitalista impediu Hollande de estruturar essa política e, rapidamente, ele mesmo, em aliança com Angela Merkel, passou a encabeçar, na prática, as políticas de austeridade. De qualquer maneira, essas políticas de “crescimento”, promovidas em cima da monetização da dívida pública (sobre emissões de títulos podres), fracassaram nos EUA, na Grã Bretanha e no Japão, onde o endividamento alcançou níveis astronômicos.
O gigantesco parasitismo do capitalismo, onde a especulação financeira é o coração da economia, impede a estruturação de uma nova política. Por esse motivo, a única “saída” para manter os lucros dos capitalistas (principal objetivo deste modo de produção) é em cima de uma política de força que implique no aumento dos ataques contra as massas trabalhadoras, o que será um processo muito difícil de ser implementado devido à crescente resistência das massas. As principais potências tentam fortalecer o setor de armamentos, o que conduz inevitavelmente ao acirramento das contradições. O caso recente mais relevante neste sentido é o ascenso da ultradireita no Japão.
O ascenso desses setores se dá fundamentalmente por vias extraparlamentares devido a que, em geral, têm sido escorraçados do cenário eleitoral.
A diferenciação interna dos partidos de direita em uma ala parlamentar e uma direita mais agressiva que evolui para posições fascistóides é o resultado da falta de alternativas. O fracasso parlamentar da direita se expressa também como o fracasso do regime político no conjunto e representa, portanto, também a crise da esquerda. O deslocamento, que expressa a crise do regime bipartidário e a decomposição da política neoliberal tradicional, tende a acentuar a polarização e provocar uma ruptura também no interior dos partidos de esquerda.
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