
Precisamos falar da direita
por Fernando Horta
Há quem diga que não existe direita ou esquerda no Brasil. Eu discordo.
Há quem diga que não há mais diferença entre direita e esquerda no mundo. E eu, também, discordo.
Mesmo que as coisas tenham se tornado muito mais complexas no final do século XX e início do XXI do que no XIX ou início do XX, ainda é possível diferenciar direita e esquerda pelo antagonismo mais básico da economia: trabalho e capital. Aqueles que valoram o trabalho de forma mais essencial que o capital se colocam no que chamamos de “esquerda”. Os que valoram o capital acima do trabalho ficam à direita.
É claro que existe um termo-médio aí. Difícil de definir, mas ele existe. E é também evidente que não se pode derivar todo um conjunto de valores apenas destas percepções. Daí que podemos ter uma direita ecológica, que prega sustentabilidade, assim como podemos ter uma esquerda que aceite e nutra algum respeito pelo “mercado”. Podemos ter uma esquerda reformista e uma direita que quer romper com o status quo (as coisas como estão). Claro que querem romper para trazer mais à direita, mas não deixa de ser uma defesa de rupturas … não digo “revolução” porque guardo este termo em especial lugar … especialmente nos Cem Anos da Revolução Russa.
Há, portanto, que essencialmente se verificar no programa do partido ou da pessoa com quem estamos tendo uma conversa onde, afinal, ela coloca o trabalho. E por conseguinte, onde coloca o ser humano. Se ele é mais um elemento do mercado ou um insumo disponível que pode ser precificado, colocado em disponibilidade ou ter sua condição de vida alterada simplesmente porque “as forças econômicas” assim querem, me parece claro que este programa ou indíviduo se encontra no que chamamos de “direita”. Por outro lado, se o capital é tratado como um elemento apenas da relação capitalista e se o trabalho (e por consequência o ser humano) devem ser protegidos da relação com o mercado, então estamos no campo da “esquerda”.
Muito temos escrito sobre a equerda. Sobre seus rumos e desgovernos, sobre seus líderes e seus projetos. Muito, enfim, falamos sobre como retomar a força da esquerda e como ir adiante. Mas não damos o devido cuidado à direita. Aliás, o golpe aconteceu porque ninguém imaginou que ele pudesse acontecer, até ter praticamente acontecido. Eu acho, particularmente, que a palavra “coxinha” ajudou no golpe. Por anos deixamos de chamar estas pessoas pelo que são: golpistas, autoritários e até fascistas. Demos espaço, achamos graça e não acreditamos que alguém pudesse ouvir um Alexandre Frota em questões de educação, um Kim Kataguiri em qualquer questão ou mesmo não levamos a sério um Jair Bolsonaro.
E o mundo se tornou tão estranho que até estão tentando retirar Paulo Freire da condição de patrono da educação brasileira.
É preciso começar a prestar séria atenção no que nos parecia surreal demais. Estamos com pastores impondo leis com censura, donas de casa carolas atacando museus e artistas e generais mostrando todo seu “vasto” conhecimento sobre história e sociologia, trazendo de volta o medo do “comunismo ateu” dos anos 50, se tanto.
Existem três diferentes projetos de direita no Brasil e dois grandes perigos. Eles tem uma pequena agenda comum e isto é o grande problema. Todos juntaram-se para o golpe. Mas este momento foi breve e já se desfez. Hoje se digladiam por apoio político, verba e visibilidade, como mostraram algumas reportagens recentes. Aquele momento de conciliação com dancinhas e gritos de “Tchau querida” acabou.
O primeiro projeto de direita está no poder. Flertou com o reformismo petista durante os treze (quase quatorze) anos de governo. Ofereceu apoio político em troca de espaço. E nesta troca domou o PT. Não apenas travou pautas que este grupo achava “muito radicais” como também obteve espaço para seus esquemas de corrupção. Se os governos petistas sabiam ou não é algo para noites de acalorados debates. O que importa é que não havia como mudar um centímetro de Brasil sem um acordo com estas elites encalacradas no poder. Eduardo Cunha, Geddel, Moreira e Temer não são a causa da fisiologia política brasileira, mas a consequência. Consequência esta que perdura deste sempre, ou vocês acham que Maluf, Sarney e ACM – criados durante a ditadura militar – eram de alguma forma mais honestos do que a patota que aí está?
O objetivo deste primeiro projeto é exatamente continuar vendendo seu apoio por vistas grossas à corrupção. É o pior que existe. Antes de um Temer, que tivessemos um governo neoliberal de fato. Dos males o menor. Além de cercados por incompetentes completos, o governo Temer não tem qualquer escrúpulo em hipotecar o país para salvar a pele. Felizmente, acho que este projeto não tem mais apoio de ninguém no Brasil. Isto diz também os 3% que aprovam Temer.
O segundo projeto de direita em luta pelo país é o neoliberal. Seja o mais técnico com Armínio Fraga, Jorge Gerdau e Paulo Lehmann, seja o mais burlesco com João Dória e Luciano Huck ou seja o mais esquizofrênico do MBL. Todos querem diminuir o Estado. Mínimo, apenas com a polícia para garantir a propriedade privada, a diplomacia para garantir os mercados exteriores e um controle sobre as ações macroeconômicas. Como é apenas a propriedade privada que eles consideram como direito essencial, é apenas nisto que precisa o Estado se centrar. Dar porrada nos pobres, a mando dos ricos e o resto a mão invisível do mercado se encarregará de estapear todo mundo.
Falam em “Estado Mínimo” mas nunca perguntaram o que isto significa. Eu também sou a favor do Estado Mínimo. Mas para mim o “mínimo” que um Estado tem que dar é educação gratuira, saúde, segurança, infraestrutura, controle dos danos ao meios ambiente e justiça. O resto poderia tirar. A imensa maioria da população nunca vai usar diretamente um serviço consular ou diplomático. A imensa maioria nunca usou a justiça e quando o fez saiu sem a prestação devida. A imensa maioria das pessoas não vê a polícia como algo positivo. Se fôssemos decidir democraticamente o que tirar para o Estado atingir o “mínimo” penso que não faria sentido milhões gastos com armas não letais (para atacar o cidadão que se insurge) enquanto não se tem medicamentos e ferramentas básicas em hospitais.
É claro que esta discussão nunca será feita. Os defensores do “Estado Mínimo” querem o seu “Estado Mínimo” e nele por vezes não cabe nem a democracia.
O terceiro projeto de direita que está em curso no Brasil é o projeto autoritário. Seja ela dos pastores milionários ou dos que usam farda verde-oliva. Este projeto tem por característica não ter a mínima ideia do que fazer com a economia. O importante é acabar com a quintessência da maldade. A “pedofilia” para os pastores e o “comunismo” para os verde oliva. Veja que eles não se importam com a corrupção, por exemplo. Até acham aceitável se o fim for nobre. Vale plantar provas falsas para pegar um “pedófilo” ou um “comunista”. É pelo bem do “país”.
De novo, aqui eles não permitem discutir o que é “país”. Quem faz parte? Chegaram a dizer que quem usava vermelho não era brasileiro. Os pastores chegam ao crime de dizer que quem não reza pelo Deus dele não merece ter seus direitos respeitados. Aliás, não sei porque o nosso tão diligente (sic) MP ainda não os processou por charlatanismo, preconceito religioso, incitação à violência, falsidade ideológica e mais uma dezena de crimes que cada pastor destes comete. Deve ser falta de tempo do MP. Andam muito preocupados com a “corrupção”.
Estes três projetos se digladiam por visibilidade. Para atingirem as populações mais pobres. Lutam por verbas, lutam por espaço político e estão usando a violência numa disputa interna sobre quem mais choca o país. Num dia os apedeutas do MBL invadem um museu. No outro os descontrolados neopentecostais da Teologia da Prosperidade tentam invadir exposições e censurar artistas. É a luta pelo que for mais bizarro e chocante. E eu digo que os dois estão rigorosamente empatados. No quesito ignorância não há como se saber qual deles é o pior, mas toda semana eles conseguem nos surprender. Até ator pornô e parlamentar onanista se descontrolam ao falarem do “nu”.
O maior problema, no entanto, é que estes projetos todos têm um ponto em comum. Eles não aceitam o retorno da esquerda. E se para isto eles tiverem que degenerar para uma forma de fascismo no Brasil ou para um autoritarismo teocrático eles não pensarão duas vezes. Aqui estão os dois maiores perigos. Na impossibilidade de ganhar as classes baixas estes projetos de direita terminarão por seguir o caminho autoritário em essência. Seja justificando que “o povo brasileiro” não sabe votar ou seja porque é preciso “defender” o povo da “degeneração moral”. A desculpa não importa. Eles têm as cartas das intervenções – todas – na manga. Lula, é a grande pedra no sapato. Lula é, para eles, o mal encarnado. O estereótipo do comunista ou mesmo uma barreira para a internacionalização das riquezas do Brasil.
Nenhum dos três projetos deve ser subestimado. Todos os atores da direita devem ser cuidados, por mais mentecaptos, ineptos ou ignorantes que possam parecer. O fascismo surge também do descrédito. Eles conseguem convencer a população que nada mais pode dar certo e a esquerda se convence que ninguém vai acreditar nisto. Quando acordarmos um dia pela manhã, tem um semi-analfabato de farda, com uma bíblia na mão ou citando figuras difusas da economia alemã do século XIX (que sequer sabem ler no original) dando ordens.
Às ruas. A esquerda mostra a sua força nas ruas. E falando contra a miséria, pelo trabalho e pelo respeito que ganhamos os ouvidos. É falando em voto, escolha e futuro que ganhamos os braços e é falando para todos que ganharemos as eleições.
Às ruas.
carlosed
6 de outubro de 2017 10:55 amDarcy
Caro Fernando, bom dia.
Creio que você se esquece um projeto que talvez seja o principal da atual conjuntura, que é o projeto para o Brasil desenvolvido por forças estrangeiras. A principal divisão existente no Brasil não parece ser entre direitistas ou esquerdistas, mas sim entre ricos e pobres. Enquanto não enxergarmos e aceitarmos isso, penso que jamais haverá democracia no Brasil, democracia e desigualdade econômica definitivamente não se combinam.
Além disso, antes de não saber se posicionar à direita ou à esquerda, grande parte de nós, brasileiros mal sabemos de nós mesmos e de nossa própria história, e uma das táticas usadas secularmente para isso é justamente o silenciamento da história acontecida e a substituição dela por narrativas convenientes, como essa de destituir o lugar de Paulo Freire e da pedagogia do oprimido. Fizeram isso também com Josué de Castro e com Anísio Teixeira, como você deve saber.
Uma frase do Darcy Ribeiro escrita há 22 anos em “O povo brasileiro” nos dá bem a dimensão do que estou dizendo:
“Assim é que, embora embarcados num projeto alheio, nos viabilizamos aos nos afirmarmos contra aquele projeto oficial e nos opor aos desígnios do colonizador e de seus sucessores. Pela vontade deles, os índios, os negros e todos nós, mestiços deles, recrutados pela empresa colonial, prosseguiríamos na função que nos foi prescrita de proletariado de ultramar, destinado a produzir mercadoria exportável, sem jamais ser gente com destino próprio. Às vezes penso que continuamos cumprindo esse desígnio mesmo sem os portugueses, debaixo do guante da velha classe dominante de
descendentes dos senhores de escravos que se seguiu a eles no exercício do poder e das novas elites cujo setor predominante é, hoje, o corpo gerencial das multinacionais. Os mesmos tecnocratas ainda meninos mas já aconselhando governos se afundam ainda mais no espontaneísmo do mercado e na irresponsabilidade social do neoliberalismo”
Ribeiro, Darcy. O povo brasileiro, a formação e o sentido do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1995, p 246-47.
Gilberto Marcondes
6 de outubro de 2017 12:30 pm“Há quem diga que não existe
“Há quem diga que não existe direita ou esquerda no Brasil.”
Sim, os idiotas.
ciro medeiros
6 de outubro de 2017 12:43 pmÉ necessário criar uma
É necessário criar uma disciplina nas escolas (desde ensino fundamental) voltado para técnicas de manipulação usadas pela mídia e em operações piscológicas
Claudionor de Medeiros
6 de outubro de 2017 4:27 pmHein? A educação já está tão
Hein? A educação já está tão de primeiro mundo que agora teremos ”workshops” para a gurizada?
Servem ”aulas de língua portuguesa”?
A esquerda sempre subestimando os alheios.
Claudionor de Medeiros
6 de outubro de 2017 4:37 pmHein? A educação já está tão
Hein? A educação já está tão de primeiro mundo que agora teremos ”workshops” para a gurizada?
Servem ”aulas de língua portuguesa”?
A esquerda sempre subestimando os alheios.
João de Paiva
6 de outubro de 2017 12:44 pmO conforto cínico de incitar, mas não participar.
Aproveitando o mote deixado pelo articulista, ao citar o centenáro da Revolução Russa, é bom lembrar o que dizia maior líder daquele movimento, Vladimir Ilyich Ulyanov, também conhecido pela alcunha Lenin, que pode ser resumido assim:
“Não se faz uma revolução sem povo, sem armas e sem dinheiro”
O autor do artigo incita as pessoas a irem às ruas, protestar. Participei de dezenas de protestos ao longo dos últimos 18 meses, alguns deles reunindo 100 mil pessoas. E o que resultou disso? Infelizmente NADA. O golpe não só não foi barrado, como avança a cada dia, retirando direitos, desmontando o Estado Brasileiro, entregando riquezas e setores estratégicos aos estrangeiros, sucateando setores essenciais (como os de Educação e Saúde Públicas), congelando investimentos públicos, destinando a renda nacional ao pagamento de juros aos rentistas.
Portanto não é por acomodação ou indiferença que as grandes massas trabalhadoras e os excluídos não estão nas ruas. Ir às ruas para apanhar da polícia, receber tiros de bala de borracha ou de verdade, para tomar bombas de gás e spray de pimenta? Para ser atropelado por cavalaria ou jatos d’água? Para ser jogado num camburão, levar porrada e ser fichado e depois processado pelas ORCRIM judiciárias e policiais?
É fácil para um profesor, para um intelectual, para um acadêmico, escrever artigos, fazer críticas e análises históricas, políticas e sociológicas, principalmente quando não é necessário nominar os que são objeto dessas críticas, já que agrupados em classes sociais ou político-ideológicas. Difícil é reconhecer que não basta um dos elemnetos, a massa popular, para fazer uma revolução ou transformação social. Sem recursos materiais e financeiros e sem apoio de parte do braço armado do Estado (que deve ser conquistado e não apenas hostilizado e considerado como inimigo) JAMAIS a Esquerda Brasileira conseguirá chegar o poder e fazer, de fato, as transformações que propõem seus pensadores.
ze sergio
6 de outubro de 2017 1:11 pmprecisamos….
Precisamos falar de Direita…E de Saci, de Boi-Tatá e Lobisomem. Democracia, plena, facultativa, livre e irrestrita, está sim é lenda ou folclore. (P.S. Mais uma votação, nestes dias. Depois de Angola, Curdistão, França, Alemanha…Agora a Catalunha. Em Urnas Plásticas. Baratas, mas bota barato nisto. Em cédulas de papel. Em muitos casos, não para decidirem Governos, mas suas vidas, sua liberdade. De forma livre e facultativa. Não precisaram de TSE’s, nem algum tipo de Gilmar Mendes, nem Urnas Eletrônicas Ditatoriais e Obrigatórias, nem Biometria Castradora, nem de hiper tecnologia avançada tupiniquim como temos aqui, nem nossa Buroicracia altamente avançada e “a preços e custos módicos”. Só de liberdade, um baldinho plástico e um pedacinho de papel. Explica muito.
jose antonio santosjj
6 de outubro de 2017 1:46 pmbom, muito bom!
Como sempre um bom artigo de Fernando.
Não há como discordar.
Ja é mais que altura que os personagens democraticos e de esquerda criar uma pauta unica para encarar a direita.
Com a midia vendida e pastores hipocritas e capitalistas golpistas não sera fácil, Mas não podemos desistir.
Eu faço o que posso . Não perco uma oportunidade para questionar este estado de coisas. Não é fácil, tenho uma fama terrivel de chato e estraga prazeres, mas eu não desisto de batalhar pelo o que é correto.
Vamos em frente mas unidos.
1917-2017 -cem anos da revolução russa.
Edna Baker
6 de outubro de 2017 10:18 pmHoje, também fiz minha parte.
Hoje, também fiz minha parte. Numa agência Estilo do Banco do Brasil dois senhores na fila começaram em voz alta a conversar e o tema da conversa era – LULA – ladrão. Bem, o sangue subiu à minha cabeça e em alta voz fiz o que pude, quase fui expulsa do recinto. Notei que várias pessoas concordavam com as minhas idéias progressistas aprendidas no blog do Nassif, mas, por medo dos coxinhas presentes não me defendiam. Saí de lá satisfeitíssima mas com o coração saindo pela boca. Não foi fácil, mas necessário.
Fernando Bastos
6 de outubro de 2017 11:39 pmBravo!
É preciso reprimir obscenidades.
Que façam isso entre quatro paredes; em público não!
Horacio Duarte
6 de outubro de 2017 1:48 pm2018 está aí
Acho que a discussão é mal colocada. O que há na realidade são grupos de direita bem organizados lançando cortinas de fumaça sobre os fatos que criaram. Criaram um golpe que colocou corruptos no poder que agem abertamente enquanto estes mesmos grupos convenientemente se escondem atrás de uma moralidade que não têm. Há inumeros casos de pedofilia nenhum deles foi ao Mam, e a maioria fica impune. Ninguém gritou contra aquela apresentadora infantil, loura com roupas provocantes, isto sim é sexualização infantil.
Estão tentando esconder os atos dos bandidos que criaram, em nome da etica na política, com o biombo da moralidade inútil. É um tema que provoca indignação e é só isto. Como vai ser difícil explicar porque impediram a investigação contra a quadrilha no poder, o salvo conduto para a pilhagem, já começam a ensaiar um discurso que prenda a atenção.
Tem dado certo com as prisões em massa de vendedor de droga de favela, ações contra as cracolândias enquanto o helicoca é convenientemente esquecido. O escarceu que se faz em torno da insegurança das ruas é tira a atenção para operação de mega traficantes. Quem ganha dinheiro com droga não está na cracolândia nem na favela. Há inumeros casos de pedofilia nenhum deles levou suas vítimas a uma exposição.
Temos é que expor a real motivação destes factóides, querem é desviar a atenção do golpe e da pilhagem que estão promovendo, esta sim, pornográfica
WG
6 de outubro de 2017 2:01 pmEm certo ponto do artigo, o
Em certo ponto do artigo, o autor coloca em dúvida a existência de uma direita neoliberal democrática. A prática neoliberal é incompatível com a democracia. . E direita civilizada não existe mais.
Juliano Santos
6 de outubro de 2017 2:33 pmUm dos melhores textos do
Um dos melhores textos do Horta. Eu dou modestamente mais um elemento para essa reflexão.
Não há dúvida que o autoritarismo avança no Brasil. Mas a gente precisa lembrar que o regime autoritário anterior, o militar, que durou um tempo considerável, tinha um diferencial. Devido ao tal “milagre econômico”, o regime contava com, senão o apoio explícito, a aceitação da grande maioria do povo brasileiro.
Havia concentração de renda sim, mas como na época se chegou a crescer 10% ao ano, migalhas gordas, vamos dizer assim, sobravam para o povão.
Agora não, se um regime autoritário se impor, vai lidar com o empobrecimento de grande parcela da população. Com deteriorização acentuada da qualidade de vida da maioria.
Acho que isso pode provocar uma dúvida. Não deixa de ser uma incógnita. A resignação do povo brasileira é um fato consumado?
Gabriel Moreno
6 de outubro de 2017 3:12 pmNassif, jamais permita que o
Nassif, jamais permita que o Horta saia do seu quadro de colunistas. Ele é muito bom. Parabéns pelo texto.
Mr. Brisa Zinske
6 de outubro de 2017 3:30 pmDestruição
Richard Evans conclui, no primeiro tomo de sua trilogia sobre o Terceiro Reich, que aquela foi uma revolução de destruição (das conquistas das revoluções francesa e russa). O nazismo queria voltar ao início da Idade Média e resumir tudo a “sangue e solo” (racismo e território).
No Brasil é pior. Nossos golpes de estado também são revoluções de destruição; porém nem sangue visam preservar; querem reduzir o país a seu território. Povo? Que se dane; só atrapalha; o que interessa aqui é “solo e subsolo”.
Fábio de Oliveira Ribeiro
6 de outubro de 2017 6:08 pmVocê se esqueceu de algo
Tenho a impressão de que você se esqueceu de algo importante: o projeto da direita norte-americana para nosso país.
Durante o império, a direita norte-americana tentou fragmentar o território nacional. Refiro-me obviamente Confederação do Equador https://pt.wikipedia.org/wiki/Confedera%C3%A7%C3%A3o_do_Equador. Episódio sangrento da história brasileira, a conspiração separatista de 1824-1831 foi apoiada pelos EUA e resultou na prisão e execução de um norte-americano no Rio de Janeiro. Duas décadas depois, os EUA cogitaram roubar a Amazônia do Brasil http://g1.globo.com/mundo/noticia/2010/08/americanos-cogitaram-tomar-amazonia-no-seculo-xix-revela-livro.html.
A direita norte-americana favoreceu Solano Lopez na Guerra do Paraguai e, em maio de 1868, o Duque de Caxias proibiu que o navio de guerra Wasp dos EUA furasse o bloqueio do Rio da Plata. A insistência dos EUA quase provocou uma guerra entre brasileiros e norte-americanos. A desforra por esta afronta ocorreu quando da rebelião da esquadra brasileira, oportunidade em que a marinha dos EUA apoiou o regime de Floriano Peixoto e consolidou a república dos pratiotas https://jornalggn.com.br/blog/fabio-de-oliveira-ribeiro/jose-serra-o-mais-novo-pratiota-na-republica-de-benjamin-constant.
O exército dos EUA cogitou invadir o nordeste durante a II Guerra Mundial, usou seus prepostos brasileiros para atacar ferozmente Getúlio Vargas nos anos 1950, fomentou e apoiou os golpes de 1964 e de 2016. Há décadas o império racista dos olhos azuis tem sabotado toda e qualquer iniciativa que leve à modernização das forças armadas brasileiras, especialmente a construção de uma Marinha de Guerra que seja digna deste nome. Não por acaso nosso submarino nuclear foi afundado antes de ser lançado ao mar pela Lava Jato (uma operação capitaneada por Sérgio Moro, juiz formado nos EUA e premiado pela direita norte-americana).
Historicamente o projeto da direita norte-americana para o Brasil sempre foi o mesmo e me parece evidente: guerra civil e fragmentação territorial. Até 2014 este projeto havia conseguido se impor apenas de maneira parcial (em 1932 ele foi derrotado com o uso da força bruta), mas a segunda vitória de Dilma Rousseff acirrou os ânimos e fortaleceu os idiotas que odeiam o Brasil e pregam a separação do sul/sudeste do nordeste do resto do país. O recente sucesso da caravana de Lula pelo nordeste levou muitos entusiastas do lulismo defender nas redes sociais a separação do norte/nordeste do restante do Brasil.
Em maio comparei o golpe de 2016 à Confederação do Equador https://jornalggn.com.br/blog/fabio-de-oliveira-ribeiro/o-golpe-de-2016-uma-nova-confederacao-do-equador.A comparação ainda me parece pertinente . Em agosto voltei ao assunto, em virtude do aprofundamento da crise política, social, econômica e militar que ameaça o país https://jornalggn.com.br/blog/fabio-de-oliveira-ribeiro/rip-brazil-por-fabio-de-oliveira-ribeiro.
As forças econômicas, políticas, sociais e culturais que forjavam um mínimo de coesão nacional e garantiam a integridade territorial foram destruídas pela direita norte-americana. Portanto, este é um projeto importante que merece ser discutido. Desgraçadamente, nem mesmo intelectuais do galardão de Bresser Pereira ousam fazer isto. No projeto de nação que ele concebeu https://jornalggn.com.br/noticia/grupo-de-intelectuais-com-bresser-pereira-lanca-manifesto-por-eleicoes não há uma só palavra sobre a ameaça interna provocada pela pressão externa pelo controle do nosso petróleo, água, florestas, recursos minerais, etc…
Enquanto perdemos nossa identidade, a direita norte-americana avança sobre nossas instituições. A PF já foi transformada numa espécie de DOPS da Embaixada dos EUA https://jornalggn.com.br/blog/fabio-de-oliveira-ribeiro/de-quem-e-o-novo-dops-de-michel-temer-ou-da-embaixada-dos-eua-por-fabio-de-oliveira-ribeiro. O MPF e a Justiça Federal comprometeram o crescimento economico do Brasil ao destruir segmentos inteiros da indústria nacional (estaleiros que prestavam serviços a Petrobras, construtoras, indústria alimentícia, etc…). A reação dos partidos políticos é modesta e envergonhada e os militares fazem de conta que o país não corre qualquer risco muito embora esteja sendo riscado do mapa.
Se alguém quer rediscutir a nação terá que necessariamente discutir o crescimento assustador da presença dos EUA no Brasil. Caso contrário, seguiremos afundando no vira-latismo de procuradores-pastores como Dellagnol, que tece elogios rasgados aos norte-americanos e ofende nossos ancestrais brasileiros.
johnnygo
6 de outubro de 2017 8:26 pmUma bandeira
Excelente artigo. Deu-me vontade de acrescentar algo um tiquinho polêmico.
A conceituação de esquerda e direita a partir de suas origens teóricas (capital versus trabalho) me parece correta, mas serve como mastro, não como bandeira de luta, considerado o caminho civilizatório (?) que já trilhamos, principalmente a partir de meados do século XIX. Que ideia seria capaz de nortear as lutas da esquerda, tendo, ao mesmo tempo, alguma chance de ser persuasiva e prosperar junto ao campo oposto?
Minha modesta sugestão é que adotemos, com muita energia, a bandeira do combate à desigualdade social. Ninguém, em sã consciẽncia, defenderia a coletivização das transnacionais nos dias de hoje. O fim das relações baseadas no capital-trabalho soa ao detentor dos meios de produção como um grito de guerra. Abespinhado, até o mais progressista dos patrões se fecha em armas. E eles contam com um poderoso arsenal.
Entendo ser mais realista tentar convencer um representante do capital (e seguidores tangidos) de que sua riqueza e segurança estarão melhor garantidos com menor desigualdade. Democracias capitalistas avançadas contam com patrões que valorizam a renda dos trabalhadores, pois a mola que impulsiona o sistema é assentada no consumo. Mais do que isso, no consumismo. Nos primórdios, havia um artesão que confeccionava um sapato para ser usado durante anos. Hoje, a multinacional incentiva a colecionar sapatos. Tristemente, penso que assim será por algumas gerações. Estamos entre as 10 nações mais desiguais do mundo. Com o gosto amargo do pragmatismo na boca, sugiro que nossa maior urgência seja combater a desigualdade. Um dia, quem sabe, levantaremos outra bandeira.
Renato Lazzari
6 de outubro de 2017 11:00 pm“Para mim o ‘mínimo’ que um
“Para mim o ‘mínimo’ que um Estado tem que dar é educação gratuira, saúde, segurança, infraestrutura, controle dos danos ao meios ambiente e justiça. O resto poderia tirar.”
Todo o resto?! E o ponto central da divergência entre esquerda e direita, que é a regulação do mercado? Os operadores da iniciativa privada podem exercer poder político ou não? Podem fazer o que quiserem, o que lhes aferir lucro, antes da responsabilidade social ou não?
Deixar a economia nacional nas “mãos invisíveis do mercado” funciona (ou já funcionou) onde? Quando? E mais importante, funciona… para quem?
Ricardo B.
7 de outubro de 2017 12:44 pmMas que a esquerda não
Mas que a esquerda não esqueça:
Qualquer projeto viável necessita de forças militares fortes e bem equipadas.
Não podemos apenas “acusá-los” de anticomunismo, mas devemos ressaltar o nacionalismo das forças armadas.
Nacionalismo que não existe nos Dórias e Meirelles da vida.
Portanto, muito cuidado ao tratar dos militares.
Eles são essenciais em qualquer projeto de esquerda.
LUIZ CARLOS SYDNEY
26 de outubro de 2017 4:40 amPrecisamos falar da direita, por Fernando Horta
DÚVIDA => Algum PARTIDO segue alguma IDEOLOGIA ?? Seguem Programas ou PRINCÍPIOS ??……….>>Ao menos, pelo que me parece ..>. O PADRÃO foi Campanhas VENDIDAS TROCADAS, ao Vencerem, por Negociatas, LOTEAMENTOS de Cargos e Vantagens com o único objetivo da perpetuação no Poder….
AS Ideologias servem apenas para colorir Bandeiras, ILUSÕES de Ótica…
……. A DIFERENÇA é apenas o CRIME em que cada um é INDICIADO.. .
******..>>>> PRECISAMOS FALAR DA DIREITA … (Por Fernando Horta) ..
……. Há quem diga que NÃO EXISTE DIREITA ou ESQUERDA no Brasil. Eu discordo…. Há quem diga que NÃO HÁ MAIS DIFERENÇA entre direita e esquerda no mundo. E EU, TAMBÉM, DISCORDO………….
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