Líder do governo Bolsonaro na Câmara, Ricardo Barros (Progressistas) apresentou um projeto que prevê punir institutos de pesquisa com pena de até 10 anos de reclusão. De acordo com o projeto, pesquisas eleitorais que diferem além da margem de erro dos resultados das urnas devem ser criminalizadas. O presidente da câmara, Arthur Lira (Progressistas), afirmou que pretende colocar o PL em votação já na próxima semana. Mas o que diz o projeto?
A punição recairá sobre os representantes legais das empresas contratantes e dos institutos de pesquisa. A princípio, a criminalização prevê diminuição de pena em caso “culposo”, ou seja, sem a intenção de errar. Em síntese, a proposta induz que os erros estatísticos são intencionais.
Além disso, o projeto pretende impor aos veículos de mídia a divulgação de todas as pesquisas registradas no TSE, no mesmo dia e no dia anterior. Ao meio de comunicação que descumprir a regra, prevê-se multa de mil salários mínimos.
Em justificativa, Barros cita o desacordo entre o resultado das urnas e das pesquisas eleitorais no geral e em alguns estados. Segundo ele, as pesquisas podem influenciar o eleitor no “voto útil”.
Ele usa como base argumentativa dados de um instituto de pesquisa, o Datavox. De acordo com os números citados, 3,4% dos eleitores utilizam as pesquisas para mudar de candidato.
Ataque à credibilidade
Após o primeiro turno das eleições 2022, senadores e deputados bolsonaristas se uniram para atacar a credibilidade dos institutos de pesquisas. É o caso do ministro das Comunicações Fábio Faria, que publicou um vídeo em suas redes sociais nesta quarta-feira (05). No vídeo, ele orienta eleitores bolsonaristas a negar responder pesquisas de institutos tradicionais. Em suma, a fala do ministro ajuda a manipular e induzir as pesquisas ao erro.
O senador Marcos do Val (PL), esta semana, reuniu assinaturas de senadores o suficiente para instaurar a “CPI das pesquisas”. O deputado federal do Rio de Janeiro, Carlos Jordy (PL), viajou até Brasília para ajudar Marcos do Val a coletar assinaturas. Em live no Instagram, nesta quinta-feira, Jordy faz acusações de “má fé” e diz que “tudo indica que existem fraudes”, sem apresentar provas.
Aluisio Barbosa
7 de outubro de 2022 8:21 amQue coisa mais imbecil, mais insana. E as pesquisas falsas feitas pelos apoiadores do bolsonaro que indicavam vitória dele no 1° turno com mais de 60%? Recebi várias delas pelo whatsapp.