4 de junho de 2026

Racismo na PM de São Paulo, once again

O racismo da Polícia Militar de São Paulo é tão banal que já foi expresso num documento oficial produzido por um capitão da corporação http://www.cartacapital.com.br/sociedade/orientacao-racista-na-pm-sp-provoca-indignacao-de-grupo-de-direitos-humanos/. Recentemente a PM/SP produziu e começou a distribuir material de propaganda claramente racista https://www.facebook.com/redetvt/videos/924936567576422/?pnref=story. Negros e mulatos são “clientes preferenciais” da brutalidade policial em São Paulo. Eu mesmo já presenciei um caso grotesco de racismo praticado por policiais paulistas.

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Em meados de 1987, durante uma greve geral, passei a noite num plantão na sede da Frente Nacional do Trabalho junto com outros estudantes e advogados para atender os sindicalistas e ativistas que eram presos pela PM/SP e levados para a Delegacia de Polícia de Osasco. Alguns olheiros nos avisavam quando as viaturas chegavam ao local com “nossos presos”. Depois de ter ido várias vezes à Delegacia durante a noite e madrugada já estávamos encerrando o plantão na FNT quando fomos novamente convocados a defender um grevista preso no Rochdale. No local, enquanto um advogado conversava com o Delegado eu fui acalmar o rapaz que estava visivelmente irritado.

– Fique tranqüilo, estamos aqui para defender os grevistas.

– Que grevista? Não sou grevista. Sou oficial da Marinha, não tenho nada a ver com esta porra greve.

– Como assim?

– Eu vim visitar um parente nesta merda de cidade. Estava indo embora para o Rio de Janeiro quando uma viatura da PM me parou no ponto de ônibus lá pelas 6 horas. Os PMs desceram e me acusaram de ser grevista. Disse que não era e eles me agrediram. Saquei a carteira e me identifiquei como oficial da Marinha e os policiais me bateram ainda mais. Eles me algemaram e me jogaram no camburão e me trouxeram até aqui.

-OK. Faço parte de uma comissão de estudantes e de advogados organizada para defender os grevistas. Mas também defendemos pessoas vítimas de violência policial. Se você nos permitir cuidaremos do seu caso. O que você acha?

-Tudo bem, mas não quero ser confundido com grevistas. Sou da Marinha, entende?

Acompanhamos a elaboração do Boletim de Ocorrência em que o rapaz foi apontado como autor do suposto crime de “desacato a autoridade” dos PMs. Depois, convencemos o Delegado registrar a ocorrência dele como vítima das “agressões físicas injustificadas” cometidas pelos policiais enfatizando e provando que ele era oficial da Marinha do Brasil. Eu acompanhei o rapaz até o IML e depois fui embora.

O marinheiro era negro e fui agredido porque no imaginário dos policiais paulistas um negro só poderia ser suspeito, agitador ou grevista, nunca um oficial da Marinha do Brasil. Curiosamente,  2 dos 4 policiais que o agrediram também eram negros.

Fábio de Oliveira Ribeiro

Fábio de Oliveira Ribeiro, 22/11/1964, advogado desde 1990. Inimigo do fascismo e do fundamentalismo religioso. Defensor das causas perdidas. Estudioso incansável de tudo aquilo que nos transforma em seres realmente humanos.

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