Racismo na PM de São Paulo, once again

O racismo da Polícia Militar de São Paulo é tão banal que já foi expresso num documento oficial produzido por um capitão da corporação http://www.cartacapital.com.br/sociedade/orientacao-racista-na-pm-sp-provoca-indignacao-de-grupo-de-direitos-humanos/. Recentemente a PM/SP produziu e começou a distribuir material de propaganda claramente racista https://www.facebook.com/redetvt/videos/924936567576422/?pnref=story. Negros e mulatos são “clientes preferenciais” da brutalidade policial em São Paulo. Eu mesmo já presenciei um caso grotesco de racismo praticado por policiais paulistas.

Em meados de 1987, durante uma greve geral, passei a noite num plantão na sede da Frente Nacional do Trabalho junto com outros estudantes e advogados para atender os sindicalistas e ativistas que eram presos pela PM/SP e levados para a Delegacia de Polícia de Osasco. Alguns olheiros nos avisavam quando as viaturas chegavam ao local com “nossos presos”. Depois de ter ido várias vezes à Delegacia durante a noite e madrugada já estávamos encerrando o plantão na FNT quando fomos novamente convocados a defender um grevista preso no Rochdale. No local, enquanto um advogado conversava com o Delegado eu fui acalmar o rapaz que estava visivelmente irritado.

– Fique tranqüilo, estamos aqui para defender os grevistas.

– Que grevista? Não sou grevista. Sou oficial da Marinha, não tenho nada a ver com esta porra greve.

– Como assim?

– Eu vim visitar um parente nesta merda de cidade. Estava indo embora para o Rio de Janeiro quando uma viatura da PM me parou no ponto de ônibus lá pelas 6 horas. Os PMs desceram e me acusaram de ser grevista. Disse que não era e eles me agrediram. Saquei a carteira e me identifiquei como oficial da Marinha e os policiais me bateram ainda mais. Eles me algemaram e me jogaram no camburão e me trouxeram até aqui.

-OK. Faço parte de uma comissão de estudantes e de advogados organizada para defender os grevistas. Mas também defendemos pessoas vítimas de violência policial. Se você nos permitir cuidaremos do seu caso. O que você acha?

-Tudo bem, mas não quero ser confundido com grevistas. Sou da Marinha, entende?

Acompanhamos a elaboração do Boletim de Ocorrência em que o rapaz foi apontado como autor do suposto crime de “desacato a autoridade” dos PMs. Depois, convencemos o Delegado registrar a ocorrência dele como vítima das “agressões físicas injustificadas” cometidas pelos policiais enfatizando e provando que ele era oficial da Marinha do Brasil. Eu acompanhei o rapaz até o IML e depois fui embora.

O marinheiro era negro e fui agredido porque no imaginário dos policiais paulistas um negro só poderia ser suspeito, agitador ou grevista, nunca um oficial da Marinha do Brasil. Curiosamente,  2 dos 4 policiais que o agrediram também eram negros.

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