O país está em luta de resistência contra a destruição da nossa história pela era Bolsonaro. Um dos pontos centrais é o da preservação da maior instituição nacional – os botecos – vítimas da crise econômica atual.
O bar do Alemão, na Avenida Antárctica 550, é um desses casos clássicos.
Foi criado em fins dos anos 60 pelo dono de uma imobiliária, o Murilo, com o objetivo explícito de receber os amigos. De fato, a partir de determinada hora as portas fechavam e só entravam os amigos. Murilo era um bandolinista razoável e um personagem de Brecht: quando bebia ficava cheio de amor para dar, e o bandolim tocava melhor.
De Murilo, passou para Dagoberto, o inesquecível Dagô, que deixou a profissão de vendedor de livros para se tornar dono de boteco.
Foi um período inesquecível. Pelo bar passaram todos os grandes nomes da música popular brasileira, de Cartola e Nelson Cavaquinho a Aldir Blanc e João Bosco, Vanzolini, Hervé Cordovil (parceiro de Noel em As Pastorinhas), Clara Nunes, João Nogueira.
Dago morreu, o bar foi para as mãos musicais de Eduardo Gudin que, no início dos anos 70, havia sido o primeiro personagem marcante do bar.
Tem histórias para todo lado. Quando o Estadão mudou sua sede para a Marginal, e a TV Cultura se instalou por lá, o bar se tornou não apenas centro de encontro de músicos, mas de jornalistas, dos professores e estudantes da PUC, de chorões, sambistas.
Gudin segurou a peteca por muitos anos, mas agora desanimou e pretende fechar o bar. É para tentar uma saída que estamos promovendo uma assembleia no próximo sábado, a partir das 18 horas, no próprio Alemão: um abraço no Alemão. Lá, vamos discutir saídas, possibilidades, novas formas de resistência para preservar o bar.
Apareça por lá, pois o Alemão é uma instituição autenticamente paulistana.
Ubiratan Silva
11 de outubro de 2019 12:09 amNão confundir com o Bar do Alemão em Curitiba.
Não mesmo.
Silvio T
11 de outubro de 2019 9:08 amEstive lá a última vez em 2014. Fiquei chocado e decepcionado com a decadência! Garçons preguiçosos, serviço meia boca, comida mais ou menos e preços estratosféricos! E, o que é imperdoável para quem é de Belo Horizonte, banheiros abaixo da crítica.
Saí com a certeza: nunca mais volto! Me espanto que ainda esteja funcionando até hoje.
Anônimo
11 de outubro de 2019 5:51 pmMeu deus!
1) “decadência”: meu deus, o cara não sabe o que é um boteco!
2) “garçons preguiçosos, serviço meia-boca”: Meu deus 2. Seu Sandoval, patrimônio do Alemão, merece todo o reconhecimento por guardar a preferência dos clientes, ele sozinho atende todo o bar, nem acabei de sentar e ele já vem com o chope e o schnaps;
3) comida mais ou menos: Chessus!!!!
4) preços estratosféricos!: essa é de trincar a peroba;
5) banheiros abaixo da crítica: ô dó. Como assim, banheiros, no plural, em 2014 foi antes da reforma, só havia UM banheiro. Mais uma vez, não sabe o que é um boteco.
Conclusão:
1) O cara não foi ao Alemão;
2) em janeiro do ano que vem completo 50 anos de boteco, será meu jubileu de ouro. Tudo começou em Bauru, em 1970, aos 14 anos. Com essa autoridade, afirmo que o boteco número 1 da minha vida é o Alemão;
3) Na próxima, procure um rodízio de pizza, é barato, o serviço é rápido, enfim, é a sua cara.
Zacarias
12 de outubro de 2019 3:27 pmConcordo com um ponto do leitor de BH: os preços em SP são muito, muito altos. Quem vem de fora estranha. O paulistano, tristemente, não acha nada caro: acha que está ganhando pouco. Isso com o mundo inteiro considerando a cidade caríssima. Quanto à música, o Bar do Alemão é fenomenal! Longa vida a ele!
Bruno
28 de outubro de 2019 7:30 pmOlá Silvio,
Acho que você está se referindo a outro Bar do Alemão que não o da Avenida Antártica em São Paulo… só pode ser.
Esse ao qual me refiro é a essência da elegância antiga, sem trocadilho com a música de mesmo nome e do próprio Gudin, preservando música de primeiríssima, garçons que são patrimônios do local e frequentadores assíduos que amam música de qualidade e aí incluo os próprios músicos também.
Maria Luisa
11 de outubro de 2019 10:35 amEspero que a assembleia dê certo e o Bar do Alemão tenha ainda longa vida! So quem não foi à Europa para dizer que garção no Brasil é preguiçoso… E tem gente que chama o garção como se estivesse chamando um cachorro. Alias, onde é que entra esse alemão nessa historia, pois não vi nenhum?