Por Lucas Alves via facebook, do Direito Urbanos I Recife
– “As pessoas gostam de vista para a água ou para o verde”.
A vista deve então ser privatizada e transformada em mercadoria, mesmo que a sociedade seja prejudicada? Não interessa se os arranha-céus vão descaracterizar a cidade, se vão bloquear os ventos, o céu e o sol?
– “…a matéria-prima da gente é terreno, que deixou de ser fabricado desde que o mundo é mundo. Não existe mais fábrica de chão”.
Para o vendedor de apartamentos, o lugar é um custo numa linha de produção. A função do lugar é proporcionar o máximo de lucro possível, e só. Não interessa à empresa o que existe naquele lugar e a relação que as pessoas têm com ele.
– “Brasília Teimosa era um local que, se não se tivesse dado a ocupação que foi dada a ela, era um local excelente. Ela está fadada a não passar daquilo, a não ser que o poder público ache importante que aquele local passe a servir à cidade com hotéis, marinas, equipamentos que incentivem o turismo, mas isso é para o médio e longo prazo. A gente tem outras áreas da cidade para reocupar, como as áreas portuárias do porto do Recife, o cais da rua da Aurora…”
A mensagem aqui é explícita e dispensa comentários. Os moradores de Brasília Teimosa são vistos como obstáculo.
Todas as pessoas, independente de renda ou endereço, têm direito não só à vista do mar e do rio, mas ao usufruto do ambiente natural e urbano. Têm direito a moradia, a ver e usufruir do céu, das águas, do vento, do sol, das ruas e das oportunidades que a cidade proporciona. Se as empresas não conseguem respeitar isso, cabe ao poder público garantir os nossos direitos.
http://vimeo.com/31354876
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