O trio Veja-Cachoeira-Demóstenes, braço midiático do crime organizado, quase derrubou Lula. Se dependesse da OAB, Lula teria sido derrubado.
Crise é mais “grave” que a do Collor, diz Busato, por Josias de Souza/UOL, em 30/4/2006
Sérgio Lima/Folha Imagem
A uma semana da reunião do Conselho Federal da OAB que vai sobre a conveniência do pedido de impeachment de Lula, o presidente da entidade, Roberto Busato (na foto, em audiência com Lula na semana passada), diz que a crise ética que atinge o país hoje é “bem mais extensa e profunda que a do governo Collor”.
“Esta é a maior crise político-institucional que existiu desde o início da República”, disse Busato, em entrevista à Agência Nordeste (para assinantes). Para ele, “circunstâncias sociologicamente complexas” impedem que haja agora a mesma “mobilização de ruas” registrada na época do Collorgate.
Nada, porém, impedirá a OAB de deliberar sobre o impeachment no próximo dia 8 de maio. Abaixo, as principais declarações de Busato:
– Tamanho da crise: A crise é grave, gravíssima – e bem mais extensa e profunda que a do Governo Collor, sobretudo após a denúncia formal do procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza. Mas, por circunstâncias sociologicamente complexas, não produz a mesma mobilização nas ruas. Não há caras-pintadas, nem ambiente popular de rejeição ao presidente. Ao contrário, ele continua liderando as pesquisas de opinião para sua sucessão.
– A OAB vai aprovar o impeachment? A decisão será dos conselheiros federais da OAB. A proposta foi encaminhada por um de nossos conselheiros e submetida a uma comissão técnica. O relator, o advogado Sérgio Ferraz, apresentará seu voto, que será submetido a um universo de 81 conselheiros. Nossa instituição é plural. Reflete a diversidade da sociedade brasileira. Pode dar qualquer resultado, mas penso que será apertado.
– Por que os partidos políticos não assumem a dianteira do debate? Após a redemocratização, em face dos sucessivos escândalos políticos, os partidos perderam credibilidade e interlocução com a sociedade. E esta buscou em seu próprio âmbito referências mais confiáveis. Daí a presença de instituições como a nossa na cena política, ao lado de outras como CNBB, ABI e outras entidades.
– Se aprovar o impeachment, a OAB não vai pagar um preço político? Não há ônus político quando se joga limpo e sem segundas intenções. A OAB não aufere dividendos políticos com os seus ideais. Se a sociedade está dividida, é em função das contradições do jogo político brasileiro e do mau papel de grande parte de seus agentes. Nem todos os que denunciam os atuais escândalos têm folha corrida que os autorize a fazê-lo. E isso confunde o eleitor. Mas a Ordem pauta sua atuação por princípios claros, baseados na ética e no apartidarismo, e não permitirá o uso de sua imagem nos palanques eleitorais. Quem o fizer será denunciado.
– Optar pelo impeachment não é aderir ao golpismo? (…) A história da Ordem se mistura com a história da República do Brasil. E a OAB não construiu sua história com golpismo, com jogo baixo ou com influências político-partidárias. Ela sempre fez a sua história e a sua política na trincheira da luta democrática, tentando auscultar aquilo que a sociedade civil pensa e aquilo que os advogados entendem estar de acordo com o Estado Democrático de Direito.
– Não teme que o impeachment divida a sociedade? (…) Evidentemente, este é um momento difícil, em que temos que ter serenidade. Ninguém quer, eu particularmente não quero – e tenho visto isso na advocacia brasileira – uma situação de divisão do País como a que ocorreu na Venezuela. Nós, absolutamente, não apoiamos qualquer atitude sectária de divisão de classes no Brasil. O País não tem esse tipo de problema. O problema do Brasil é outro. O problema do Brasil é ético, de crise moral que contaminou dois poderes. E temos que resolver isso de forma serena, de forma democrática e absolutamente altaneira, como sempre foi a posição do Brasil.
Roberto Antonio Busato
3 de fevereiro de 2014 7:38 pmÉ … eu estava certo !!!
É … eu estava certo !!!