Resposta do Brasil ao coronavírus é “tempestade perfeita para maus resultados”

Brasil deve chegar ao patamar dos Estados Unidos, que é o país mais afetado em termos de número de casos confirmados e mortes por covid-19

(Andre Coelho/Bloomberg/Getty Images)

Jornal GGN – A baixa adesão da população ao isolamento social, alimentada diariamente por mensagens negacionistas de Jair Bolsonaro, tornam a pandemia de coronavírus no Brasil uma tragédia maior do que deveria ser.

No passado, o País teve uma atuação exemplar no enfrentamento a outras doenças, como Zika vírus e HIV. Mas, diante da covid-19, a resposta é vacilante. É o que avalia o médico Julio Croda, o ex-diretor do Departamento de Imunizações e Doenças Transmissíveis.

Croda deixou o governo federal pouco antes da demissão do ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta. Em entrevista ao site estrangeiro ABC, ele disse que testemunho em primeira mão a formação da “tempestade perfeita para maus resultados”. É que, no Brasil, disse o médico, o coronavírus virou questão política, e não de saúde pública.

O distanciamento social não foi adotado cedo o suficiente e boa parte da população prefere dar ouvidos a Bolsonaro, seja por necessidade real de precisar sair para trabalhar diariamente, seja por também minimizar a gravidade da doença. Nas grandes cidades, a taxa de isolamento é de 50% em média. A realidade socioeconômica nas favelas e comunidades mais podres tornam o isolamento praticamente impossível.

Em entrevista à agência Rfi, o infectologista Dalcy Albuquerque disse que o Brasil caminha para chegar ao patamar dos Estados Unidos, País mais afetado em número de casos e mortes por covid-19.

“É bem plausível que o Brasil alcance as estatísticas estratosféricas dos Estados Unidos. As pessoas aqui não aderiram ao isolamento social”, avaliou o membro da Sociedade Brasileira de Doenças Tropicais.

“Uma divergência de condutas entre as esferas de governo deixou a população confusa e, a maioria acaba seguindo pelo mais fácil, não ficando em casa. Além disso vários hospitais de campanha que iriam ajudar o sistema de saúde não ficaram prontos como planejado e houve dificuldade em garantir respiradores e infraestrutura nesses locais. Alguns estados, ainda por cima, estão com grave crise financeira. A soma disso tudo pode levar o Brasil a se tornar o epicentro mundial da doença em algum momento, passando mesmo os Estados Unidos”, projetou.

Leia também:  O entreguismo fardado no Governo Bolsonaro: um projeto político, por Pedro Guedes e Bruno Lima Rocha

O Brasil registra nesta segunda (25) 370 mil casos de coronavírus e 23,1 mil óbitos. Os EUA, 1,7 milhão e 99,7 mil mortes.

 

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2 comentários

  1. A complexidade da situação do Carona-virus no Brasil tem se tornado a cada dia mais complexa. Pouco se tem feito em relação ao horizonte tenebroso que nos aguarda, e já é possível concluir que este país será o campeão de mortes em todo o planeta terra. Milhares de braseiros estão com seus dias contados. Até mesmo os ricos das zelite estarão sob a vista do carona para serem encaminhados. O Carona não escolhe seus passageiros. Venham de onde vier, lá estará ele pronto para fazer a passagem conforme a mitologia. O barqueiro, de tanto remar, e sorrindo alegremente, adquiriu braços fortes e está pronto para o trabalho com os brasileiros. Que povo infeliz! É disso que eu gosto. Caronte se delicia: Quem diria que o poço de merda me conduziriam a tanto trabalho gostoso. E completa: Somente vocês, brasileiros, trariam-me tanta felicidade.

    Na mitologia grega, Caronte (em grego: Χάρων, transl.: Chárōn) é o barqueiro de Hades, que carrega as almas dos recém-mortos sobre as águas do rio Estige e Aqueronte, que dividiam o mundo dos vivos do mundo dos mortos.

  2. […] Há a explosão do desemprego, o desmonte das redes de sociais, a quebra de pequenas e microempresas, a doença grassando nas periferias das grandes cidades. E, na Presidência, um desatinado provocando em doses iguais revolta e adesão de seguidores fanatizados.Leia também:  Resposta do Brasil ao coronavírus é “tempestade perfeita para maus … […]

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