Rafael Braga
Se em meio á infinidade de coisas que estão neste blog, houve alguma que, contra as minhas expectativas, possa ser considerada ofensiva, nenhuma há que tenha sido introduzida com má intenção. Por natureza, não tenho o espírito desaprovador. Platão agradeceria ao céu por ter-me nascido no tempo de Sócrates; e eu lhe dou graças por ter-me feito nascer sob a realidade em que vivo, e por ter querido que eu tivesse disposição para tentar melhorar essa realidade.
Peço uma graça que receio que não me seja concedida: que não se julgue, pela leitura de um artigo, o blog inteiro, que se aprove ou condene todo o blog, e não algumas frases. Se quiser desvendar a intenção do autor, ela só pode ser descoberta no plano da obra.
Se pudesse fazer com que os que mandem pudessem aumentar seus conhecimentos sobre o que devem prescrever e os que obedecem sentissem um renovado prazer em cumprir as leis, eu me acharia o mais feliz dos mortais.
Seria o mais feliz dos mortais se pudesse fazer que os homens se curassem dos preconceitos. Chamo aqui preconceitos, não ao que faz que eu ignore certas coisas, mas ao que faz que nos ignoremos a nós mesmos.
Comecei e abandonei muitas vezes este blog; lancei mil ventos aos ventos os textos que escrevera; sentia todos os dias caírem as minhas mãos paternas; seguia o meu objeto sem formar nenhum plano; nao conhecia em as regras, nem as exceções; só encontrava a a verdade para perdê-la; mas quando descobri os meus princípios, tudo o que ue procurava veio a mim; e ao longo de três anos, vi o meu blog começar, crescer, avançar.
Se este blog tiver bom êxito, muito deverei á majestade do meu tema; não creio, porém, ter-me faltado de todo o gênio. Quando vi o que tantos grandes homens escreveram antes de mim, enchi-me de admiração, mas não perdi a coragem. “E eu também sou pintor”, disse eu, com Correggio.
Levemente adaptado do prefácio de “Do Espírito Das Leis”, de Monstesquieu, para reproduzir um pouco o espírito do blog e do blogueiro.
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