5 de junho de 2026

Sete famílias do MST perderam suas casas após invasão de criminosos encapuzados

Durante ataque truculento, os invasores não permitiram que as pessoas pegassem documentos, roupas ou pertences
Foto: Carla Batista/ MST-PB

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Na noite do último sábado (8), sete famílias do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra da Paraíba (MST-PB) ficaram desabrigadas após ação criminosa de quatro homens armados, que invadiram o Acampamento Canudos, localizado no município de Santo Antônio, e atearam fogo em barracos. 

De acordo com o MST-PB, a família de Gerlane Alves (24) foi a primeira atingida. Ela assava um peixe enquanto os dois filhos, de 5 e 2 anos, assistiam TV com o pai, Wilian Alexandre (26). O patriarca teve as mãos amarradas com abraçadeiras de plástico. Em seguida, a família foi empurrada para fora do barraco, de onde assistiram a queima de todos os seus pertences. 

“Deixaram a gente assistir tudo nosso pegar fogo. Sensação horrível. Perdi tudo, né. E ainda ver minha filha desesperada chorando e eles dizendo que iam nos matar. Dá uma revolta muito grande. Minha força foi Deus. Mal eu tinha conseguido e eles destruíram tudo”, contou Gerlane. 

A segunda vítima do grupo de criminosos encapuzados foi Ivoneide Ferreira da Silva (46). “Eles foram entrando e botando logo o revólver na cabeça do meu marido, dizendo que era da polícia e eu logo percebi que não era. A gente ficou sem nada. Pedi para pegar meus documentos e eles disseram que documentos a pessoa tira de novo. Perdi tudo, tudo. Fiquei só com a roupa do corpo. Estou destruída. Destruíram meu sonho”, relata. 

Depois de ameaçar e expulsar as famílias, os invasores ordenaram que as vítimas fossem embora e nunca mais voltassem. 

As famílias conseguiram controlar o fogo, para evitar que a tragédia se estendesse aos outros acampados. No total, o Acampamento Canudos abriga 56 famílias há 10 anos, que reivindicam a desapropriação da fazenda de cerca de três mil hectares porque a área está abandonada e é improdutiva. Portanto, não cumpre sua função social. 

Represália

A ação dos criminosos, porém, pode ter sido uma represália ao fato de que, em 30 de maio, representantes do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e da coordenação estadual do MST cadastraram as famílias no acampamento. Porém, na mesma semana, o proprietário do terreno esteve no acampamento com um possível comprador do imóvel. 

Ainda que estejam no local há uma década, nos últimos dois anos os moradores estão sofrendo duras ameaças de um suposto funcionário da fazenda, chamado Erivaldo. O suspeito, inclusive, chegou a dizer em outras ocasiões que colocaria fogo nos barracos para expulsar as famílias. 

O caso está sendo acompanhado pela Comissão Estadual de Prevenção à Violência no Campo, Defensoria Pública e pela delegacia de Polícia Civil da cidade de Queimadas.

Mas os criminosos, até o momento, não foram identificados. 

*Com informações do Brasil de Fato-PB.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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