O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kássio Nunes Marques, confirmou a legitimidade de todo o processo eleitoral deste domingo (25) e deu uma declaração de “mea culpa” sobre as acusações de atraso de sua parte para decidir sobre as denúncias de dificuldades no transporte de eleitores. “Temos absoluta segurança de todo o processo eleitoral”, afirmou, em coletiva de imprensa, na noite deste domingo (25).
Com olhos vermelhos, o ministro afirmou que, ao receber o pedido de postergar o fechamento das sessões eleitorais, “não era uma decisão convencional”. “Não é uma decisão que apenas se abre ao contraditório. Prorrogar uma eleição é possível, mas ela tem que ser pensada, ela tem que ser calculada, estruturada”, iniciou, completando logo em seguida: “Hoje estamos felizes e orgulhosos da nossa equipe técnica que evitou eventuais problemas.”
“Tivemos que fazer um bloqueio para não receber boletins de urna, para que nenhum servidor da Justiça Eleitoral, para que nenhum membro tivesse acesso a nenhum conteúdo de boletim de urna. Mas isso gerou uma contenção extraordinária nos boletins de urna. Não sabíamos, ao certo, se teríamos a capacidade de armazenar todos esses dados. Tudo foi inusitado. No entanto, como os senhores já percebem, graças aos esforços administrativos do Tribunal e da nossa equipe técnica, nós conseguimos solucionar, na verdade não houve problema“, disse.
“Nós conseguimos contornar todas essas dificuldades de última hora. Fizemos a contenção de todos os pacotes de boletins de urna do Brasil e após as 19h, conseguimos dar uma fluência em um ritmo que evitasse qualquer tipo de problema técnico”, justificou.
Problemas relatados
As críticas recaíram contra o ministro do TSE por sua demora em reagir às denúncias de dificuldades no transporte de eleitores, ao longo de todo o dia. A coligação do presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) protocolou no TSE uma petição com pedido de liminar de urgência para estender a votação até as 19h em municípios afetados por problemas no transporte público.
A solicitação abrangia pelo menos nove estados: São Paulo, Alagoas, Pernambuco, Roraima, Piauí, Paraíba, Pará, Paraná e Rio de Janeiro. O documento desdobrava um pedido anterior, feito no início da tarde, para Salvador, Feira de Santana e Lauro de Freitas, na Bahia.
Em São Paulo, segundo a petição, mesmo com determinação judicial para que 100% da frota circulasse na capital, cerca de 60% dos veículos estariam em operação, com poucos ônibus no Centro, na Zona Leste e na Avenida Paulista. Em Alagoas, o documento cita a falta de transporte intermunicipal complementar, como vans e micro-ônibus, filas de mais de uma hora e denúncias de cobrança indevida de passagem, o que exigiu atuação do Ministério Público.
Em Pernambuco, houve relatos de dificuldade de acesso à gratuidade em ônibus intermunicipais. Em Roraima, empresas contratadas teriam se recusado a cumprir rotas eleitorais, o que prejudicou o deslocamento de comunidades indígenas. No Piauí e na Paraíba, a petição menciona queixas de redução da frota em Teresina e vídeos que mostram ônibus passando direto por pontos de parada em uma região de João Pessoa. No Rio de Janeiro e no Pará, são citadas frota reduzida e longas esperas em Petrópolis e São Gonçalo, além de dificuldades de deslocamento na região do Marajó.
Os advogados da campanha relataram falhas no deslocamento de eleitores se multiplicaram ao longo do dia em várias regiões, prejudicando quem dependia do transporte coletivo para chegar aos locais de votação. Com a falta de respostas, a campanha também levou o pedido ao Supremo Tribunal Federal (STF), e o ministro Cristiano Zanin foi sorteado relator. Em decisão imediata, Zanin estendeu até as 19h a votação do segundo turno das eleições presidenciais.
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