10 de junho de 2026

TV GGN: Lava Jato reproduziu modelo de chantagem usado no caso Epstein

Método blackmail foi incorporado como tecnologia de poder ao longo do século XX, a partir da cooperação com EUA

Jornalista Luis Nassif relaciona métodos da Lava Jato a práticas de espionagem e chantagem do caso Epstein.
Material da “caixa amarela” indicaria uso de gravações para coagir investigados na Lava Jato, diz Nassif.
Pesquisador Luís Fernandes vê Lava Jato como intervenção imperialista dos EUA no Brasil com cooperação formal.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

Durante o programa TV GGN 20 Horas, exibido na sexta-feira (6), o jornalista Luís Nassif afirmou que a Operação Lava Jato teria adotado métodos semelhantes aos utilizados no caso do financista norte-americano Jeffrey Epstein, envolvendo espionagem, coleta de material comprometedores e mecanismos de chantagem como instrumentos de poder político e judicial.

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Segundo Nassif, o caso Epstein, investigado pela jornalista norte-americana Whitney Webb, não se restringe a crimes sexuais, mas integra um modelo histórico de atuação do Estado norte-americano em associação com o crime organizado, baseado no uso de sexo, drogas e dinheiro como ferramentas de controle sobre autoridades políticas, empresariais e midiáticas.

Esse método, conhecido como blackmail (chantagem), teria sido incorporado como tecnologia de poder ao longo do século XX, a partir da cooperação entre agências de inteligência dos Estados Unidos e organizações mafiosas.

“O Epstein não era o cérebro, ele era um gestor de dossiês protegido por redes que atravessam inteligência, finanças, nobre e grandes fortunas. Daí a blindagem judicial recorrente que ele teve durante muito tempo. A partir daí, você olha… Isso é uma ferramenta de Estado”, afirmou Nassif.

Paralelos com a Lava Jato

Ao traçar paralelos com a Lava Jato, Nassif sustentou que a operação brasileira contou com consultoria direta de órgãos norte-americanos como o FBI e o Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS). Ele destacou a chamada “caixa amarela”, apreendida por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli na 13ª Vara Federal de Curitiba, como peça central para compreender esse modelo de atuação.

De acordo com o jornalista, o material reunido conteria registros de espionagem e gravações clandestinas utilizadas para pressionar investigados. Um dos personagens citados foi o doleiro Tony Garcia, que já concedeu entrevistas relatando que teria sido incumbido de filmar autoridades em situações privadas, incluindo encontros sexuais e conversas estratégicas, para posterior uso como instrumento de intimidação.

Nassif mencionou ainda o depoimento do procurador Celso Três, que teria participado da Operação Banestado e admitido recentemente passar a considerar verídicas as denúncias feitas por Garcia.

Relatos de coação

Durante o programa, foram exibidos trechos de entrevistas nas quais Tony Garcia relata supostas práticas de coerção durante a Lava Jato. Segundo ele, depoimentos teriam sido manipulados por procuradores e pelo então juiz Sergio Moro, com interrupção de gravações oficiais quando as respostas não atendiam às expectativas da acusação.

Garcia afirmou que foi pressionado a alterar versões de fatos para enquadrá-los como pagamento de propina, sob ameaça de permanecer preso. Ele também relatou visitas de Moro à delegacia onde estava detido e pedidos para gravar conversas dentro da cela.

O programa também abordou as circunstâncias da morte de Jeffrey Epstein, oficialmente tratada como suicídio em 2019. Nassif relembrou o depoimento de Dr. Elias, matemático que dividiu período de prisão com Epstein nos Estados Unidos, e que nega a versão oficial.

Segundo Elias, o sistema de vigilância extrema da ala conhecida como Suicide Watch tornaria improvável um suicídio sem intervenção imediata dos agentes penitenciários. Ele classificou a morte como “queima de arquivo”.

Influência externa e imperialismo

O pesquisador Luís Fernandes apresentou uma síntese de seu livro sobre a chamada “Internacional da Lava Jato”. Ele defendeu que a operação é resultado de uma intervenção contínua do imperialismo norte-americano no Brasil, com cooperação formal e informal entre autoridades dos dois países.

Segundo Fernandes, documentos do Congresso e do governo dos Estados Unidos indicam treinamentos, trocas de informações e aplicação de métodos de investigação que extrapolam o campo jurídico, alcançando articulações políticas, midiáticas e econômicas.

Para o pesquisador, tanto o caso Epstein quanto a Lava Jato devem ser compreendidos dentro da crise do capitalismo financeirizado, cada vez mais dependente de atividades ilegais e de sua associação com o crime organizado e setores da extrema direita internacional.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

1 Comentário
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  1. Rui Ribeiro

    9 de fevereiro de 2026 10:55 am

    Nanikolismo ganha força e reorganiza a direita no Bananistão. Viva o Nikolalau.

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