Kakay: Réus importantes para a Lava Jato já se movimentam para questionar as delações na Justiça

“Eu acho a delação um instituto importante, mas que foi estuprado” pela força-tarefa de Curitiba, diz Kakay. "Eu não podia me submeter a procuradores que coordenavam a delação, que mandavam falar A, proteger B, mandavam falar de fulano. Aquilo se transformou em um mercado."

Jornal GGN – Réus importantes para a operação Lava Jato já começam a se movimentar nos bastidores, procurando criminalistas renomados, para revisar, na Justiça, os acordos de colaboração premiada firmados com a força-tarefa de Curitiba. É o que afirma o advogado Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, em entrevista exclusiva à TVGGN 20horas, programa apresentado pelo jornalista Luis Nassif no Youtube.

“Eu sei de vários clientes, ou quase foram clientes meus, que partiram para a delação, que agora estão questionando as delações”, disse Kakay.

“Eu fui procurado por uma pessoa importantíssima na Operação. Ele mandou um advogado me procurar porque quer rever a delação”, comentou o advogado, sem poder revelar o nome por uma questão de sigilo profissional. Kakay adiantou apenas que não sabe se poderá advogar para este réu porque o mesmo delatou cerca de 15 clientes defendidos pelo criminalista no âmbito da Lava Jato.

Na entrevista, Kakay reafirmou que não trabalha com delação premiada, mas viu na Lava Jato em Curitiba o surgimento de um verdadeiro “mercado da delação”. O advogado chegou a defender Alberto Youssef no início das investigações, mas o doleiro, conhecido de Moro desde os tempos de Banestado, decidiu trocar de defensor para negociar um acordo com benefícios jurídicos e financeiros.

Na visão de Kakay, a delação premiada é um “instituto importante, mas que foi estuprado” pela força-tarefa de Curitiba.

“Eu não [trabalhava com delação porque não] podia me submeter a procuradores que coordenavam a delação, mandavam falar A, proteger B, mandavam falar de fulano. Aquilo se transformou em um mercado. Eles não investigavam esse mercado porque faziam parte,” disparou, lembrando que há casos como o do procurador Diogo Castor de Mattos, que é irmão do advogado Rodrigo Castor de Mattos, que trabalhou para réus da Lava Jato em Curitiba.

Kakay chegou a revelar, ainda, que clientes seus tiveram de trocar de advogado para obter mais vantagens nos acordos com os procuradores de Curitiba.

“Eu tive um cliente importante que me procurou e disse: ‘Kakay, olha, eu fui procurado por um advogado de Curitiba que me disse que se eu pegar ele como advogado, os procuradores o protegerão’. Eu falei ‘pegue, eu vou sair, eu não faço esse tipo de coisa’. Então eles faziam um mercado de delações.”

O sigilo profissional também impediu Kakay, e outros advogados que atuam na Lava Jato, de denunciarem tais episódios.

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