A pauta identitária e a divisão da esquerda, por Vitor Fernandes

Ilustração Medium

A pauta identitária e a divisão da esquerda, por Vitor Fernandes

Recentemente, em uma aula, após passar o documentário “The mask you live in” que discute os papeis de gênero, mais precisamente como a cultura do machismo afeta os homens também, um aluno reclama: “professor eu queria assistir um documentário de direita também”. O aluno, que se identifica como direitista, pressupunha que o documentário era “esquerdista”.

Em outra aula, essa de política, quando perguntei o posicionamento político dos alunos, o que majoritariamente foi apresentado como identificação política eram os posicionamentos frente às questões da “pauta polêmica” ou da “pauta identitária”: casamento lgbt, feminismo, legalização da maconha, “bandido bom é bandido morto”, cotas para negros em universidades, etc.

Esses exemplos, associados a vários outros, deixam claro, a meu ver, que a pauta identitária (a pauta polêmica de modo geral) têm se sobreposto de longe às pautas típicas da esquerda, ou seja, a pauta classista, focado nas questões econômicas, de promoção de uma revolução socialista (cada vez mais fraca) ou de políticas de redução das desigualdades sociais.

É só ir a uma manifestação política da esquerda que veremos a enorme força da pauta identitária e como os “novos” movimentos sociais (movimento feminista, negro, lgbt, etc.) têm muito mais força que os movimentos classistas. Isso é visível nas camisas dos manifestantes, na quantidade destes e principalmente nos seus discursos.

Têm se tornado cada vez mais comum os discursos começarem apresentado a “identidade” do falante. Ex.: “eu, mulher, negra, periférica, lésbica…”, “Eu, homem, lgbt…” ou “Eu, mulher, negra, favelada, socialista”, etc. Achei especialmente interessante essa última apresentação quando ouvi, pois o “socialista” foi apresentado por último e me fez pensar: por quê? Agora é claro para mim que não é por acaso a “identidade” classista ter ficado por último. É que ela é menos importante de fato em parte significativa dos “novos” movimentos sociais.

Lembro de o Mauro Iasi, grande intelectual marxista brasileiro, ex-candidato a presidente pelo PCB, ser acusado de racista por integrantes do movimento negro em uma palestra e que esses mesmos integrantes desse movimento disseram que “preferiam mais Obamas que Che Guevaras na América”. Isso deixa claro o quanto a pauta “racial” ou “racialista” é mais importante que a pauta classista para esse movimento.

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Em outra situação um coletivo Ana Montenegro, um coletivo feminista-marxista, tentou levar para a marcha das vadias (um importante ato do movimento feminista) no Rio de janeiro, uma faixa, com claro teor marxista dizendo: “gênero nos une, classe nos divide” (ou algo do tipo) e foi impedida pela liderança do movimento.

Em outra situação, um chargista (que foi meu aluno rs) Vini Oliveira fez uma charge em que criticava a cantora Beyoncé por explorar o trabalho de costureiras asiáticas que ganhavam um salário miserável para a sua grife famosa. Sua página foi atacada por membros do movimento negro e do movimento negro-feminista, que fizeram diversas denúncias ao facebook, e fizeram sua página sair do ar. O chargista foi acusado de racista, machista, etc.

Eu, quando escrevi o texto que viralizou no fim de 2016, “professor, o senhor é gay?”, em que relatava uma aula sobre gênero e sexualidade, fui acusado por várias pessoas de estar querendo tomar à frente na fala, pois sou um homem branco, hétero que estava falando sobre gênero e sexualidade e esse não era o meu “local de fala”.

O fortalecimento dos discursos identitários pode ser visto nos discursos e posts sobre a morte da vereadora Mariele Franco (PSOL/RJ), o que predominou foi o discurso que ela foi morta por ser mulher, negra e lésbica, o que considero no mínimo um enorme exagero e um erro de análise e apaga o seu importante trabalho como vereadora que investigava a ocupação militar e denunciava a violência policial em áreas pobres.

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Outro exemplo é o mapa de votos do deputado federal Jean Wylys, que é fortemente concentrado em áreas ricas da cidade do Rio de Janeiro, especialmente a zona sul. Embora o Jean seja do PSOL, um partido de esquerda, o seu eleitor, é o do movimento LGBT, contendo muitos com posicionamentos políticos à direita, que pressionam cada vez mais o Jean pela troca de partido.

Esses exemplos que dei acima mostram o quanto a pauta identitária têm suplantado as pautas classistas na esquerda e a própria esquerda têm usado essa estratégia de focar parte significativa de seu discurso e de sua ação nessa pauta, que está em voga.

A meu ver, isso mostra o quanto o capitalismo é triunfante em nosso momento histórico e até parte significativa da esquerda têm se esquecido cada vez mais da pauta classista e focado na pauta identitária e é um dos muitos fatores que explica o voto da esquerda se concentrar nas camadas médias e raramente penetrar a classe baixa. Mas esse ponto, eu desenvolverei em outro artigo, junto com a questão ideológica (no sentido marxista) dos novos movimentos sociais.

O foco na pauta identitária acaba funcionando como um véu que esconde, de certo modo, as contradições de classe na sociedade e afasta parte do “cidadão médio”, geralmente conservador, da esquerda e o entrega de mãos beijadas para a direita conservadora ou até fascista como Bolsonaro e cia.

Não estou aqui criticando esses “novos” movimentos sociais de modo geral, mas o que para mim são os seus “excessos”. Esses movimentos são extremamente importantes e explicitam outras opressões que historicamente a esquerda também negligenciou, e isso precisa ser corrigido.

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No entanto, o clima de acusação, de “caça” ao branco, machista, hétero, de classe média, onde parte da esquerda parece estar o tempo todo chamando uns aos outros de “esquerdomacho”, “transfóbico”, “heteronormativo”, fazer “coisa de branco”, etc. não ajuda em nada… mesmo que eu reconheça a legitimidade dessas pautas.

Enquanto isso, a direita está passando o rodo em todos nós, o golpe vai muito bem, obrigado, Bolsonaro está com quase 20% de intenções de voto, nossos direitos trabalhistas e previdenciários históricos estão indo pro ralo, estamos regredindo vinte anos em 2, etc..

Mas setores da esquerda ou da “esquerda” querem colocar no centro do debate se Anita cometeu ou não “apropriação cultural” com o seu último corte de cabelo…

Precisamos retomar a questão de classe, pois a direita está passando o “rodo” em nós e na esquerda fica um chamando o outro de “esquerdomacho”, “transfóbico”,

Ah, claro que serei acusado de ter escrito esse texto por ser homem, hetero, machista, homofóbico, branco, etc. por ter escrito esse artigo. Afinal, o que importa é a identidade, no é?

 

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23 comentários

  1. O dominante discrimina o dominado, que reproduz o ato no s/ meio

    Penso que não há como desvicular uma pauta da outra. A discriminação racial, por exemplo, tem várias fontes, inclusive religiosa. Mas entendo que a causa principal de se discriminar a cor da pele ou a etnia é de corte econômico, ou seja, tem suas raízes na luta de classes. O grupo dominante discrimina o grupo dominado para justificar a espoliação e o domínio.

    O domínio “de fato” (físico, de pose) e o domínio jurídico também é transposto para as relações de gênero, sexualidade, etc.

    Como as ideias dominantes são aquelas da classe dominante, os dominados tendem a repoduzir a discriminação em seu próprio meio. Aí, exemplificando, o proletário/assalariado age com violência em relação à sua companheira, ou descrimina seu colega de labuta negro.

  2. Unidade

    É interessante como o discurso da “unidade da esquerda” é sempre pautado na moderação (temos de apoiar o candidato menos esquerdista, senão estamos “dividindo a esquerda”) e na exclusão (vamos fazer a unidade, mas sem discutir a sua pauita específica).

    E é esse discurso bitolado que dá pedal para a direita jogar uma coisa contra a outra. As “pautas identitárias” tem classe, e não é a classe dos donos do mundo. A discriminação interessa a eles, a competição entre trabalhadores interessa a eles, a mão-de-obra barata interessa a eles. Se deixarmos de ser tolos, e entendermos que o direito ao aborto é fundamental para a classe trabalhadora (a redução das taxas de natalidade é uma verdadeira greve reprodutiva branca dos trabalhadores), se entendermos que o direito a moradia digna é uma pauta central para o movimento dos trabalhadores, logo vamos ver os discursos que buscam contrapor a mulher, o negro, o favelado, o travesti contra o trabalhador se esfumarem.

    • Perfeito, Luís.
      A esquerda

      Perfeito, Luís.

      A esquerda tem que entender que não é uma questão de qual minoria defender, mas que a maioria a ser defendida são os trabalhadores. Quando emanciparmos o proletariado, salvamos as minorias automaticamente.

       

  3. Avaliação correta

    Temos discutido isso aqui no blog, tentando priorizar a disputa pela nação soberana e com viés social e deixar para depois, para discutir dentro de uma nação que possamos chamar de nossa, os seus aspectos comportamentais. O pior de tudo é que fizemos o jogo neoliberal tornando a esquerda uma coisa caricata e carnavalesca. A Globo apoiou o PSol, no RJ, contra os pastores da Record, limitando a política carioca a isso (e todo o Brasil corre o risco de caminhar para aquilo). Criou-se resistência de gente conservadora de costumes, embora pobre, que antes votava no Lula e que hoje foi capitalizada pelos “pastores”. Devemos focar o debate privilegiando o que está em jogo: a soberania do Brasil e a justiça social.

      • E verdade Analú

        E você, lamentávelmente, tem contribuido para chegar à situação que hoje se discute neste post.

        Por favor, pensa nisso.

        Da minha parte, sempre farei um esforço para ser uma pessoa melhor, embora isso não esteja agora em jogo, nestas eleições.

    • Que troca “inteligente”

      Vc quer que percamos o apoio de negros politizados, mulheres politizadas, homossexuais conscientes para nao perder alguns pobres alienados que aderem ao discurso evangélico de direita? Eles nao nos apoiariam de qualquer maneira, e a idéia de abandonar pautas justas e que afetam A MAIORIA da populaçao (some mulheres — já maioria — com negros e homossexuais) em troca de nao perder o apoio de alguns alienados é de um OPORTUNISMO atrós. Trocar defesa de princípios por votos, e ainda por cima menos votos do que teríamos sem isso. Você torce as coisas para tentar justificar seu próprio conservadorismo.

      • Está equivocada

        Não acredito que “negros politizados, mulheres politizadas, homossexuais conscientes” desejem a entrega do Brasil para os EUA, desejem acabar com a Previdência, exterminar a legislação trabalhista, vender a Petrobrás, manter Lula preso e etc.

        A gente não perde eleitores por conta de defender o Brasil e, ainda, na esquerda é onde mais apoio encontram as causas das minorias, pois, nos governos do PT, foram permanentemente apoiadas.

        O cidadão consciente dos grandes problemas do Brasil é também: negro politizado, mulheres politizadas, homossexuais conscientes 

        • Deixa de TORCER O RACIOCÍNIO! Haja má-fé!

          Claro que nao os perderíamos por defender o Brasil. Mas sim pelo fato da esquerda abandonar as pautas deles, que sao assuntos de JUSTIÇA SOCIAL (que os governos do PT sempre defenderam sim, mas que VC está querendo que deixem de ser defendidas). Ou vc acha que justiça social só tem a ver com renda? O que interessa uma “justiça” social que nao defende negros da morte e da discriminaçao, continue a proibir o aborto e nao combata a violência contra mulheres e homossexuais? Nada impede que as defesas dos interesses econômicos do Brasil, dos direitos trabalhistas e da Previdência, além da imparcialidade do sistema jurídico,  coexistam com as pautas identitárias. Vc é que está defendendo que elas sejam abandonadas em nome de nao desagradar a alienados conservadores, que nao nos apoiariam de qualquer maneira. Ainda por cima, além de um abandono vergonhoso de princípios, isso seria UMA BURRICE.

          • Não mude minhas palavras

            Vc é que está defendendo que elas sejam abandonadas ….

            Por favor não mude o contexto da discusão. Falamos aqui de prioridades, de discurso para eleição, cuidando que os nossos rivais não utilizem esse discurso comportamental em favor do oscurantismo religioso, por exemplo.

            É evidente que um bom programa de governo de esquerda deve trazer essas bandeiras, mas, devemos ter cuidado. Justamente as cusparadas do Wyllys e as brigas com Maria do Rosário deram forte impulso ao Bolsonaro. 

          • Sei Defendamos essas pautas, mas só no banheiro…

            E com a janela fechada pro vizinho nao ouvir… Haja má-fé 2. Nao há necessidade de priorizar nada, vc é que nao deseja q essas pautas sejam defendidas.

            Além do mais, nao raciocina. O que vc defende nao é só imoral (do pv de esquerda) e burro, mas completamente impossível. Vc acha mesmo que pode determinar o que motiva as pessoas e as faz lutar? Acha que o Wyllys ia deixar de defender o que é importante p/ ele pessoalmente e para o principal nicho do eleitorado dele para nao desagradar os pastores? Que de qualquer maneira nao o aceitam, por ser homossexual. Ou entao, quem sabe, vc acha que os partidos de esquerda nao deveriam aceitar candidatos homossexuais? Vc é patético.

  4. Falta de política

    Prezado professor Vitor Fernandes.

    Muito oportuna sua observação, mas tudo pode se resumir em; falta de política!!!!

    Outro dia li um discurso de importante figura pública que execrava Bolsonaro e no final propunha . . . democracia!!!

    Na fábrica ao  levar a questão meus companheiros responderam; mas foi a democracia que nos trouxe a esta situação!!!!!!!!!!!

    Lula, depois de tudo tentar pelo legalismo fez, finalmente, um discursi denunciando a corrupção jurídica que nos abate e  o oportunismo casuístico de nossos magistrados (casuísmo me faz lembrar a ditadura cívico militar) e propoem o que?

    Nada!!!!

    A esquerda não estuda, não pensa e  “resiste”, isso significa sempre correr atrás do rabo, sempre  vociferar contra os ataques, mas nada propor, não ser ousado, nãop ser moderno e não surpreender os opressores (como fizeram Marx, Engels, Lenin, Trotski que eram homenms modernos e ainda o são nos dias de hoje infelizmente), isso repete a primeira metade do século XX depois da derrota do processo revolucionário mundial nos anos 20 e o surgimento da burocracía stalinista e que, apesar de atacar  (resistir) ao Roda Viva, infelizmente a intrevistada do PC do B, Manuela, não deu respostas, ou realizou auto crítica do stalinismo e outros burocratas assassinos de revoluções e assim demonstra que não aprendeu nada nos últimos 100 anos.

     

     

     

    • Não simpatizo com a Manuela, mas fazer autocríticas ……..

      Não simpatizo com a Manuela, mas fazer autocríticas do Stalinismo, do Maoismo, do raio que o parta, seria simplesmente colocar a discussão num fórum de incompetentes para o assunto, que simplesmente ficariam dizendo bobagens sobre o assunto, ela agiu corretamente. Quem quiser autocríticas que vá procurar artigos sobre isto e não pensar que num programa fuleiro daqueles poderia ser feito algo melhor.

      Ninguém cobra autocríticas dos milhões de mortos executados em nome da democracia burguesa.

  5. Juntar os fragmentos

    São as vivências que formam o caráter do ser humano. Portanto, a participação em grupos identitários é louvável, porque permite que as pessoas reconheçam a dominação a que são submetidas. No entanto, quanto mais os dominados estiverem isolados, fragmentados em grupos com demandas específicas, e rivalizando uns com outros, tanto melhor para os dominadores.

    Penso que é preciso ligar o específico com o geral, para poder compreender as causas e finalidades. Portanto, precisamos recorrer e refletir sobre os Princípios e Valores que são os fundamentos de toda ação humana. Quem luta contra o racismo, contra a homofobia etc. está SIM fazendo uma luta típica de esquerda, pois a esquerda defende para todos a Liberdade, a Diversidade, a Igualdade, a Solidariedade… Os valores da direita são a antítese destes.

  6. Exagero é proprio da imaturidade

    Sem muito tempo para discorrer sobre o assunto e o artigo esta bem claro, acho que um dos fatores para esse hermetismo dos movimentos é que o brasileiro não estava muito acostumado a lutar por essas questões, como identidade e classe social, logo tudo é levado aos extremos e pensam que uma “pauta” esta desvinculada de todo o resto ou do seu contexto. O caso Mariele realmente é um bom exemplo e um dos maiores erros das feministas em querer levar esse assassinato para a questão de gênero e étnico quando ele é muito mais uma questão social-politica. 

  7. Precisão

    O autor captou com precisão o momento ‘sanatório geral’ que o país vive, poderia inclusive tranquilamente ter incluído entre os casos citados a abominação e ignomínia cometida por certas lideranças do Movimeno Negro contra a Fabiana Cozza. Brasil vive um momento Pinel Geral. 

    Enquanto isso, a direita está passando o rodo em todos nós, o golpe vai muito bem, obrigado, Bolsonaro está com quase 20% de intenções de voto, nossos direitos trabalhistas e previdenciários históricos estão indo pro ralo, estamos regredindo vinte anos em 2, etc..

  8. É por essas e outras que a
    É por essas e outras que a Globo posa de liberal nos costumes (novelas, entrevistas, debates, etc), pois é uma perfeita cortina de fumaça para os interesses econômicos dos donos dela e seus colegas de classe, assim também como no poder de dominação.

  9. Protesto capitalista

    “Oras, temos também o direito de sermos explorados por patrões! Ou de sermos patrões e explorarmos o trabalho alheio! De uma forma ou de outra, queremos a exploração e o atravessamento, agenciamento do trabalho! Só porque somos mulheres, negros, homossexuais é que temos que ficar fora da festa do consumo? Temos direito às vulgaridades coloridas que o capital produz! É a aquisição dessas vulgaridades que garantem nosso pertencimento! Queremos, enfim, ser como todo mundo: sermos nós mesmos!”

    Esse negócio de capitalismo é uma doença mental esquizóide profunda. Não é à toa que psicotrópicos legais e ilegais são tão queridos nessas paragens.

    https://diplomatique.org.br/a-austeridade-deteriora-a-saude-mental-dos-gregos/

  10. O importante
     

    O  importante é fazer o cidadão sentir-se desconfortável seja qual for a posição que ocupe na sociedade.

    Fomentar dissenções é uma das mais eficazes armas do poder, e funciona desde o inicio da divisão celular.

     

  11. Passei os meus 45 anos

    Passei os meus 45 anos defendendo pautas de esquerda para, um dia, uma feminista EXIGIR que eu me desculpasse , no twitter, por TODO O PATRIARCADO… logo eu, que acho o patriarcado um completo desastre mas, por ser homem, branco, cis… era a priori, o inimigo.

    Me senti completamente sem esperanca lendo aquilo… ser atacado por gente que SEMPRE defendi, apenas pq pedi moderacao na questao dolinchamento virtual (nao estava defendendo ninguem exatamente, mas eles/elas entenderam que eu estava defendendo os brasileiros do caso “b***** rosa).

    Decidi que nao adianta discutir muito.

    Existem varios movimentos que nao lutam por uma questao politica, societaria, ou pela dignidade humanda…LUTAM POR SI MESMOS e fodam-se os outros, ainda,  so aceitam que a luta seja nos termos que eles elegem.

    Eh muito,muito triste.

    Vou ficar mais quieto, menos combativo… mas a luta continua, e eh pela dignidade humana, independente de cor, genero, crenca ou qualquer outro motivo que pregue a exclusao.

  12. Questoes “identitárias” sao DE VIDA E DE MORTE

    A quantidade de jovens negros mortos pela polícia à menor suspeita, simplesmente porque sao negros (e pobres, claro, mas alvos preferenciais entre os pobres) e que enchem o sistema penitenciário, as mulheres que morrem de abortos mal feitos, sem falar da violência doméstica cotidiana, os homossexuais mortos ou surrados… Que esquerda seria essa que se afasta dessas pautas? Ser contra a desigualdade social nao abarca apenas desigualdade econômica. Nao há como priorizar umas questoes sobre outras, até porque nao é necessário, nao sao incompatíveis.

     

     

    • Tá falando besteira, tá

      Tá falando besteira, tá falando besteira. Nós, comunistas, defendemos a emacipação dos povos e isso só pode ser possível com a destruição do capitalismo e a dissolvição de toda a velha ordem, isso também acabará com os antagonismos de classe vegentes só por conta do capitalismo, e sabe o que acontece quando acaba o antagonismo de classe? a união dos povos, independentemente de raça ou gênero, essas pautas esquecem esses PORMAIORES e acabaram se tornando meros desvia-foco.

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