Andamentos e movimentos, uma crônica política, por Rui Daher

Fico confuso se prestissimo para impedir a destruição do País, ou larghissimo para que o funeral de quem nos trouxe essa catástrofe seja lento

A qual presidente do Brasil eles olham estupefatos. Revista Fórum

Por Rui Daher

Algumas fontes dão como 20 os tempos, andamentos e movimentos considerados na música, medidos em bpm – batidas por minuto – e com auxílio de um metrômono. Os valores associados a cada um servem apenas como referências. Vão do extremamente lento (larghissimo), no máximo 20 bpm, aos extremamente rápidos presto e prestissimo, 180/200 ou mais bpm.

Passa-se pelos largo, adagio, andante, moderato, allegro, vivace, e sutis variações entre eles. Como o allegro ma non troppo (116/119 bpm), que levado à política nacional me parece o atual andamento da manada de eleitores do 17.

No 2º turno das eleições presidenciais, as elites reacionárias e ignorantes do país se puseram, como manada, em andamento prestíssimo a apoiar Jair Bolsonaro. Outros, mais informados, acrescentaram uma letra ao hashtag #Ele(S)Não. Movimentavam-se em presto, incluindo Fernando Haddad como opção abominável como a de Jair Bolsonaro.

O que percebo, nem tanto pelas conservadoras folhas e telas cotidianas (ainda entre o Murão e o Mourão), mas sim pelas atrocidades políticas, econômicas e sociais cometidas pelo governo, uma ópera bufa composta em andamento molto vivace. O material histriônico é imenso.

Há ainda estrumes em cabrestos e andamento prestíssimo, que hoje em dia assim se justificam: “Com o outro seria pior”. Aí, o caso não é de “vai de rosa ou vai de azul”, mas de “vai de frango, suíno ou bovino”? Tais bostas têm diferenças de características e propriedades.

Tenho, no entanto, percebido muitas defecções (não confundir com defecações; estas, contempladas no parágrafo anterior) entre aqueles do #ElesNão.
Riem, criticam ou dizem não acreditarem nas façanhas de Bolsonaro e filhos, aqui ou em suas viagens ao exterior.

Ernesto Araújo, um dos piores quadros do Itamaraty já a nós apresentado, desajusta o setor exportador para os promissores mercados árabes, asiáticos, africanos. Chanceler que escreveu enaltecendo sua política externa que faria os EUA apoiarem o Brasil a ser admitido na OCDE, fato desmentido pelo próprio comitê, no dia seguinte. Barrados num baile que só nos traria prejuízos na OMC.

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Baba-ovos de Paulo Guedes, entregando a Trump 700 mil toneladas de trigo sem sobretaxa, e aflição aos produtores de leite de Santa Catarina. O ministro da Economia, nem mesmo neoliberal consegue ser. Acha termos única bala de prata, a Reforma da Previdência, que compensará os cortes nos aparelhos de educação, saúde, ciência, tecnologia e cultura.

“Ah, mas ainda temos o agronegócio”. Qual? Aquele a ser financiado diretamente com os bancos em taxas livres? Ou o de insumos com preços cartelizados? O ajuste fiscal falacioso impede qualquer investimento em infraestrutura e favorece o povoado rentista.

Sabem quanto caíram as cotações da soja na Bolsa de Chicago nos últimos 12 meses? 20%. Nada que este colunista não tivesse previsto no GGN e em CartaCapital. Sem compensação correspondente na variação cambial.

Na minha sonata ao que virá, fico confuso e em dúvida. Se prestissimo para impedir a destruição do País, ou larghissimo para que o funeral de quem nos trouxe essa catástrofe seja, por definição, extremamente lento.

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