Brasil aprenderia com Chile e Peru a responder à Lava Jato, por Roberto Simon

“A mitologia de grandes guerreiros contra a corrupção custou caro institucionalmente”, concluiu mestre em políticas públicas pela Universidade Harvard e em relações internacionais pela Unesp

Jornal GGN – Os custos da Lava Jato vão além da ilegalidade no relacionamento do ex-juiz Sergio Moro com os procuradores da força-tarefa. “A mitologia de grandes guerreiros contra a corrupção custou caro institucionalmente”, concluiu Roberto Simon, em sua coluna para a Folha de S.Paulo, neste sábado (22).

A enxurrada da Lava Jato se prendeu no redemoinho do personalismo, com Moro, Deltan Dallagnol, Lula e outros como grandes heróis ou vilões (a ordem dos papéis varia conforme o gosto ideológico do freguês). E quando o combate à corrupção é uma luta entre virtuosos e degenerados, o cerne sempre são indivíduos, nunca as instituições”, escreveu.

Nesse sentido, Simon, que é diretor sênior de política do Council of the Americas e mestre em políticas públicas pela Universidade Harvard e em relações internacionais pela Unesp, aponta dois exemplos na América Latina que ele acredita que deveriam ser exemplos ao Brasil: Chile e Peru.

O primeiro país viveu três escândalos de corrupção, e o governo se envolveu em uma agenda anticorrupção, criando uma comissão independente para analisar respostas, o que gerou 13 reformas no Congresso para melhorar o sistema de financiamento da política.

Também no Peru, o presidente Martin Vizcarra aproveitou o escândalo da Lava Jato que também atingiu o pais para aprovar referendos de mudanças na Constituição, incluindo maior transparência ao Judiciário.

Os presidentes Dilma Rousseff e Michel Temer nunca tiveram vontade, força ou capacidade política de liderar essas reformas. Com Jair Bolsonaro, isso nem sequer está na agenda. Aos que apostam na polarização política, a visão de heróis e vilões é muito mais útil”, concluiu Roberto Simon.

 

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