10 de junho de 2026

Collor, destruidor da indústria nacional, por Francisco Calmon

Desmontou-se em 30 meses um arcabouço industrial-tecnológico que levou 60 anos para ser construído.
Reprodução

Governos Collor nos anos 90 desmontaram a indústria nacional, trocando produção por importados e shoppings.
Projeto pioneiro de carro elétrico da Gurgel foi abandonado, enquanto montadoras estrangeiras receberam benefícios.
Fábricas históricas fecharam e foram convertidas em shoppings, marcando o fim da indústria têxtil e calçadista nacional.

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Collor, destruidor da indústria nacional

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por Francisco Celso Calmon

A falácia do neoliberalismo dos anos 90 sabotou deliberadamente a soberania produtiva do Brasil, trocando fábricas por shoppings e engenharia por importados de baixa qualidade.

Sob o manto sedutor da “modernização” e do combate aos “marajás”, a gestão Collor executou um meticuloso desmonte da industrialização brasileira, criando uma abertura predatória que transformou o Brasil de produtor em mero consumidor.

O estopim simbólico foi a frase infame: “Os carros brasileiros são carroças”. Sua visão era a de que a modernidade residia no que vinha de fora. Enquanto a China, na mesma época, protegia ferozmente sua indústria com subsídios estatais maciços e planos quinquenais, o Brasil, sob seu comando, escolheu o caminho oposto: desproteger, desmontar.

 A abertura comercial abrupta, sem planejamento, sem contrapartidas, sem uma política industrial de transição, não foi modernização, mas, sim, entrega.

Tudo de que se é mais louvável e invejável das produções efervescentes de outras nações, nós tínhamos aqui, em território nacional, plena capacidade e prospectiva de produzir com tanta maestria quanto.

Por exemplo, enquanto hoje o mundo corre na febre dos veículos elétricos, o Brasil não apenas teve o projeto, como produziu comercialmente esse futuro quase 40 anos atrás. A Gurgel apresentou o Itaipu E150 em 1974 e colocou em série, a partir de 1981, o Itaipu E400, o primeiro carro elétrico da América Latina produzido em escala.

Enquanto a China investiu pesado, o governo brasileiro, especialmente na virada para os anos 90, desistiu. Em 1993, um empréstimo crucial de US$ 20 milhões para salvar a fábrica foi negado. No mesmo período, generosas isenções fiscais eram concedidas às montadoras multinacionais para os chamados “carros populares” 1.0, beneficiando Fiat e Volkswagen.

 A Gurgel, que exportou para mais de 40 países e manteve capital 100% nacional, o que seu fundador, João Gurgel, orgulhosamente chamava de “muitonacional”, entrou em concordata em 1993 e faliu em 1994.

Trocamos a liderança na tecnologia do futuro pela subserviência às montadoras estrangeiras.

O sapato Vulcabras 752, lançado em 1952, era um ícone: feito de couro com sola de borracha vulcanizada, era conhecido como “indestrutível”, calçando tanto os estudantes, quanto os trabalhadores.

 O Brasil produzia bens duráveis para seu povo, mas isso também foi ceifado por Collor.

 A invasão de calçados asiáticos, beneficiada pela redução tarifária e pela falta de defesa, forçou o fechamento de dezenas de fábricas, demissões em massa e a conversão de muitas empresas fabricantes em meras montadoras de componentes importados, principalmente da China. A Vulcabras (hoje dona da Olympikus) sobreviveu, mas o modelo 752 e a lógica por trás dele já não existe mais.

Pensemos também nas fábricas históricas transformadas em shoppings centers. A abertura de Collor, com a redução brusca das tarifas de importação de tecidos e confecções, foi a última prega no caixão de uma indústria que operava com maquinário mais antigo e não teve tempo, muito menos apoio, para se modernizar.

A Fábrica Bangu, no Rio de Janeiro, fundada em 1889, símbolo do progresso industrial, encerrou suas atividades em 2004/2005. Seu imponente prédio agora abriga o Bangu Shopping. A Companhia América Fabril (Nova América), outro gigante carioca, fechou em 1991, no auge do governo Collor, e se tornou um shopping. Onde se produzia tecido de qualidade exportada para a Europa, hoje se vende fast fashion e suas roupas de poliéster.

A Braspérola, no Espírito Santo, era referência mundial na produção de linho, dominando o ciclo completo do plantio à fiação. A abertura comercial a estrangulou. Entrou em crise aguda, fechou as portas em 2001 e teve sua falência decretada em 2005.

Collor deu um ataque frontal ao Estado, extinguindo empresas e agências, forçando a venda de ativos e iniciando um processo de privatização que, embora de implementação complexa, mudou o consenso sobre o papel do Estado na economia.

Desmontou-se em 30 meses um arcabouço industrial-tecnológico que levou 60 anos para ser construído.

Collor não foi um modernizador, foi um destruidor liquidatário dos mais corruptos, sem preparo e com uma equipe para lá de medíocre, porra-louco desde a adolescência continuou assim na presidência de um país gigante como o Brasil e a administrar como se fosse a casa da Dinda. 

Prisão domiciliar para ele é prêmio e vergonha para a justiça.

Francisco Celso Calmon, Analista de TI, administrador, advogado, autor dos livros Sequestro Moral – E o PT com isso?, Combates Pela Democracia, 60 anos do golpe: gerações em luta, Memórias e fantasias de um combatente; coautor em Resistência ao Golpe de 2016 e em Uma Sentença Anunciada – o Processo Lula. Coordenador do canal Pororoca e um dos organizadores da RBMVJ.

(Fontes de informação: RDNEWS, SciELO, Bonifacio, Autoesporte, Valor.)

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

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Francisco Celso Calmon

Francisco Celso Calmon, Analista de TI, administrador, advogado, autor dos livros Sequestro Moral – E o PT com isso?, Combates Pela Democracia, 60 anos do golpe: gerações em luta, Memórias e fantasias de um combatente; coautor em Resistência ao Golpe de 2016 e em Uma Sentença Anunciada – o Processo Lula. Coordenador do canal Pororoca e um dos organizadores da RBMVJ.

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2 Comentários
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  1. Sergio Navas

    30 de janeiro de 2026 10:57 am

    Não se esqueçam dos tucanos, que foram idolatrados e só agravaram a situação.

  2. Marcio

    30 de janeiro de 2026 11:42 am

    Eleito pelo sistema globo, contra Brizola que pregava EDUCAÇÃO!
    Uma dó o Lula ir para o segundo turno. A vez era do grande e saudoso LEONEL.
    Globo matou o País, e minhas esperanças.

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