Da Lava-Jato a Bolsonaro: a barbárie a serviço do Império Norte-Americano, por Alexandre Tambelli

O Império quer tirar até o último respiro de vida em sociedade da gente. E Bolsonaro cria o clima de divisão social extremo, de cizânia entre brasileiros, pró-radicalismo religioso, de costumes e de violência estatal e até miliciana

Foto El País

Da Lava-Jato a Bolsonaro: a barbárie a serviço do Império Norte-Americano

por Alexandre Tambelli

Bolsonaro é o personagem ideal de uma engrenagem que quer manter o controle do Capitalismo brasileiro na direção dos interesses do Imperialismo Norte-Americano.

Foi o Imperialismo quem produziu o caos brasileiro e elegeu Bolsonaro via Lava-Jato.

A Globo era Wall Street, portanto, Hillary e não Trump, mas há uma hierarquia no comando dessa engrenagem, não aceitar Lula e o PT de nenhum jeito, porque ele fez um processo revolucionário dentro do Capitalismo e que iria desembocar no abalo do Imperialismo e de Wall Street no comando da engrenagem em um futuro não muito distante. Trump venceu e o Brasil teve que se adaptar não só à subserviência econômica e social, mas à extrema-direita e seu reacionarismo nos costumes e na religião.

Bolsonaro foi posto na disputa pelo Imperialismo, porque ele destrói os alicerces civilizatórios e quaisquer impulsos competitivos do Brasil na América sem nenhuma cerimônia e com a sabujice de ser mais Trump que o próprio Trump.

Antes de Bolsonaro, já haviam destruído a política institucional, a sociabilidade e autoestima dos brasileiros com a Lava-Jato e o Golpe, e precisavam destruir outros alicerces civilizatórios como a Educação, os movimentos sociais, a Cultura em suas diferentes facetas e, assim, impedir qualquer processo revolucionário produtivo e lúcido de defesa do Brasil diante do Império.

Bolsonaro, um homem de pouca Cultura e invejoso do conhecimento alheio e cheio de preconceitos, bobalhão e machista se tornou a aposta ideal, um homem de radical intransigência com o diferente, sem noção de civilidade e bons modos e despreparado para relações interpessoais. Acabou sendo um perfeito títere dos interesses do Imperialismo e de Trump e da extrema-direita mundial. O Slogan: – Estados Unidos acima de tudo, no meio social dele, deve ser comum, ainda mais pelo belicismo e culto às armas no Império do Norte.

Com o fim do projeto ultra neoliberal, via PSDB, através da Internet e o “suposto” combate à corrupção capitaneado por “Sérgio Moro”, que o desnudou, claro que não intencionalmente, e com Temer no Poder e o crescente desemprego e desmantelamento do Estado e pífio crescimento econômico, acabou o monopólio do discurso, fabricado pela velha mídia oligopólica com o Lawfare e as Fakenews diários contra o PT, Lula e Dilma, de corrupção e incapacidade de governar ser exclusividade do PT, afinal, todas as siglas partidárias ficaram associadas à corrupção, ao desemprego e incompetência para governar no seio da sociedade, contemplada a imagem negativa da Política e dos políticos pela maioria dos brasileiros, ligados às fontes jornalísticas exclusivas da Velha Mídia capitaneadas pela Globo e Revista Veja ou da Extrema-Direita virtual via o Antagonista e a rádio Jovem Pan, expandida com sucesso para a plataforma virtual da Internet; sem contar a força dos pastores das Igrejas evangélicas neopentecostais eletrônicas e padres e comunidades católicas conservadoras e Bolsonaro surgiu como o “antissistema”, o que iria consertar o Brasil dessa praga chamada políticos tradicionais, afinal, tudo era culpa dos políticos e não do projeto Imperialista para o Brasil.

Leia também:  A estratégia bolsonarista é transparente, por Francisco Celso Calmon

Imaginemos um país em que o seu povo acredita piamente que acabando a corrupção viramos uma Dinamarca. Este país não está preparado para as grandes ambições, mas está preparado para Bolsonaro.

Bolsonaro: um anti político. Um anti PT. Um “antissistema”. Um “caçador de corruptos”. Um candidato do marketing pró “Família e o Deus Cristão”.

Como a Lava-Jato havia criado uma estrutura vertical de Justiça, organizada em torno dela e com garras passando por MP do Paraná, 13° vara da PF de Curitiba, Polícia Federal do PR, TRF4, STJ, PGR e STF para prender Lula e impossibilitá-lo de disputar a Eleição, de sequer abrir a boca para contrapor o discurso Oficial da Lava-Jato e juntar forças para vencer a engrenagem, impedindo de o PT, depois de 2 anos e meio do Golpe voltar ao Poder Central, e tendo os partidos da direita e políticos desacreditados para além de Lula, venceu Bolsonaro, o “antissistema”, candidato que na Eleição desbancou até o PSDB com Alckmin na preferência do Império e de Wall Street. Extrema-direita com Bolsonaro que garantiu apoio de Wall Street se associando radicalmente ao Mercado via Paulo Guedes.

Inicialmente, o candidato da engrenagem era Alckmin, mas sem crescer nas pesquisas eleitorais e para Haddad não perigar de vencer, ele assistiu seu partido ser atacado de frente, também, pela Lava-Jato, que prendeu até Governador do partido no período eleitoral. A Lava-Jato precisou mudar para a extrema-direita com Bolsonaro para o PT não vencer.

O Império com Bolsonaro está atrasando o inexorável destino de potência do Brasil, e, dentro desse jogo da nova bipolaridade mundial: EUA X China/Rússia, onde o Brasil se aliou com Lula e Dilma a este campo, menos impositivo e mais solidário na Globalização.

O Brasil foi sabotado por dentro, corrompida parte das mentes e dos personagens da Justiça brasileira, castas socialmente conservadoras e excludentes e preconceituosas; e como não temos uma Elite e nem classes médias e médio-altas cultas e capacitadas em quantidade para entender o que é o Capitalismo, a Geopolítica e suas nuances imperialistas e de Wall Street ficou fácil o domínio do Brasil por forças externas ligadas aos interesses do Império e do “Mercado”. E ao invés dessa gente, que se uniu em torno do Impeachment nas ruas e varandas gourmets, virar globalizada, se refestelar nas compras de enxoval em Nova Iorque e de passear na Disney e Miami, ela está sendo destruída e se proletarizando para jamais encontrar identidade com o nacional. Parcelas sociais inteiras que tiveram sua fonte de informação e notícia associada à Globo e Veja e similares, à-serviço do Império por décadas, ao menos desde o término da 2ª Guerra Mundial.

Leia também:  Governo Guedes-Bolsonaro joga fora os trunfos de uma política de Estado de uso do poder de compra, por Álvaro Rodrigues dos Santos

Lembrando que ao formar uma casta salarial dentro do funcionalismo público: a da Justiça, nos mandatos petistas, a nossa sociedade criou uma pequena elite estatal, a que produziu a estrutura vertical da Justiça que abalroou Lula.

Veio do antipetismo esta Justiça, das classes médias e médio-altas tradicionais e seus preconceitos para com os pobres e o medo da ascensão social dos de baixo na Era Lula/Dilma. Eles que tinham a capacidade de passar nos concursos da Magistratura pelo tempo livre para estudar, ambiente familiar propício para desenvolvimento físico, leitura e formação intelectual nas melhores escolas do país.

A Magistratura passou a ser um serviço de rentabilidade enorme, com salários muito acima da média, e com pouco tempo de Profissão, advogados na Magistratura já têm renda mensal que um Advogado pode levar 30 anos para auferir na iniciativa privada. Deixou-se de praticar a Justiça, de se dedicar à Magistratura por vocação e se produziu em escala, um Judiciário de classe, de individualismo extremo e aculturado pela lógica do Sucesso e da fama.

Então, ao misturar Justiça com salário, sucesso, fama, mídia e reconhecimento internacional de órgãos do Departamento de Estado dos EUA no combate à corrupção a Lava-Jato e seu Chefe Moro se justifica e pôde nos levar até Bolsonaro, o antipetismo elevado à enésima potência. A Justiça parcial feita por quem desde sempre pertence aos 20% de incluídos socialmente numa sociedade de casta como a brasileira.

E hoje, dentro deste processo de construção da Lava-Jato em benefício dos Estados Unidos, estamos sendo ideologizados ao ponto de nos fomentar interiormente o desejo de fugir daqui, de desistir da Luta, para criarmos um niilismo absoluto e que nos faz abandonar qualquer sentido coletivo e de busca por outro Brasil. É a barbárie. E parcelas inteiras das classes médias e médio-altas tradicionais exacerbam o conceito de individualismo e descaso para com o país e o desemprego gigante fortalece o empreendedorismo desorientado dos mais pobres num “salve-se quem puder”.

Neste caos programado de fora do país e executado de dentro, por brasileiros, a Lava-Jato com seu resultado, Bolsonaro, criam um país sem espaços de conhecimento, produção de Ciência & Tecnologia e Engenharia e Indústria de Ponta e ficamos estagnados na economia, sem contar a incapacidade de consciência do que acontece e sem meios de ação, por ampla maioria da sociedade brasileira, alienada por décadas por uma mídia oligopolizada, como já disse anteriormente, e à-serviço dos interesses do Império, do “mercado” e das grandes potências.

Leia também:  Marcelo Zero: Gandhi decerto não gostou de ter o seu túmulo profanado por Bolsonaro

Lava-Jato, Operação em declínio, após o The Intercept começar a desnudá-la via reportagens contendo conversas e áudios e documentos privados dos procuradores, Moro e outros personagens da Operação. Declínio que não se traduz em freio das suas intenções de destruição da nossa economia, capacidade produtiva, Educação, Ciência & Tecnologia, Cultura: em suas diferentes formas de manifestação, dos movimentos sociais e esquerdas em geral.

O Império quer tirar até o último respiro de vida em sociedade da gente. E Bolsonaro cria o clima de divisão social extremo, de cizânia entre brasileiros, pró-radicalismo religioso, de costumes e de violência estatal e até miliciana para consertar o caos, que ele próprio e a engrenagem produzem X o processo civilizatório, sem o Poder Central nas mãos.

Processo civilizatório que a Elite Nacional e a Velha Mídia capitaneada pela Globo não apoiam, porque se sustentam na lógica ultra neoliberal e precisam garantir a todo custo uma reforma da previdência e após a tributária, hierarquicamente, mais necessários que o Brasil civilizado. Preferem o caos absoluto, contanto que a economia seja a mais canibal das economias contra o povo brasileiro e não corram o perigo de entregar o Poder de volta à centro-esquerda com um Impeachment.

E Bolsonaro é o bárbaro exato para a gente se digladiar entre si e se comer como se estivéssemos na pré-história e fôssemos canibais, alimentada, para sempre, a fome insaciável dos já empanturrados de dinheiro e Poder: Imperialismo e Wall Street.

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor

Assine e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Assine agora