Mais alto o coqueiro, maior é o tombo do coco, por Rogério Maestri

Porém para quem tem uma figura construída na aparente “perfeição humana”, algo inexistente e contraditória entre as palavras "perfeição" e "humana", simplesmente não entende o que passa com ele.

Mais alto o coqueiro, maior é o tombo do coco, por Rogério Maestri

A frase, “mais alto o coqueiro, maior é o tombo do coco”, é um lugar comum? Claro que é! É batida? É vulgar? É comum? Tudo sim, entretanto a uma pergunta que ainda não foi feita, se respondida, é a resposta que encerra a maior verdade:

– É um dito popular?

Sim, e exatamente aí é que está a sua força!

Por ser um dito popular encerra em si mesmo o mais potente dos argumentos, a sabedoria popular ou mais modernamente falando, a sabedoria do inconsciente coletivo.

Qualquer senhora e senhor sábio de vetusta idade, moldado pela experiência de vida, antecipa antes da queda do coco o passo seguinte, que indica em palavras mais cultas que a soberba, a autoadmiração e a vaidade daí resultante, que pessoas que simplesmente esquecem que todos somos falíveis, sujeitos a erros e sem a mínima dose de uma coisa que vale para o pequeno homem da cidade até o grande personagem uma verdade sem contestação. A falta de humildade e o orgulho são os pecados prediletos do demônio.

Moro, que sofreu a primeira saraivada de balas, dentro de uma prometida sucessão de mais rajadas, está firme na sua posição como diz outro ditado popular, mas desta vez gaúcho: “Mais firme que palanque em banhado”.

Enquanto políticos mais “safos”, que moldam a sua existência por uma oscilação de prestígio entre o bom e o sofrível, nunca somente no ótimo, tem muito mais resiliência as denúncias. Porém para quem tem uma figura construída na aparente “perfeição humana”, algo inexistente e contraditória entre as palavras “perfeição” e “humana”, simplesmente não entende o que passa com ele.

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Perfeição humana, é um atributo construído uma parte ínfima das características do próprio humano, e a parte complementar do atributo, simplesmente construída por aduladores ou simplesmente por pessoas que querem utilizar a falsa imagem da perfeição para proveito próprio.

Moro, foi assim, a partir de uma postura quase que autista, que imperturbavelmente se nega a responder as perguntas mais comprometedoras, tinha estas respondidas pela imprensa e o bando de aduladores e aproveitadores que o cercavam, aos poucos foi internalizando o pior dos pecados, a soberba e o orgulho.

Via nos seus bonecos infláveis representando-o como um super-homem como a imagem de si mesmo, porém esqueceu que simplesmente os bonecos eram infláveis, cheios de ar e que se perpassados por um simples prego, mostrariam que dentro deles havia somente ar.

Sim, o boneco inflável simplesmente foi atingido por um prego, um prego de boas dimensões, mas se ele fosse um pequeno boneco preenchido de um material macio que pelas dimensões e pelo enchimento demonstrassem o real tamanho da personalidade, este boneco precisaria ser minuciosamente demolido e carcomido para reduzir o seu tamanho, mas não, Moro aceitou a representação do grande boneco inflável, simplesmente porque este boneco é fácil de carregar pois é leve e vazio, mas como diz o dito popular:

“Mais alto o coqueiro, maior é o tombo do coco.”