Manifesto de Policiais Civis indica última dança de Bolsonaro, por Rogério Maestri

A representatividade desta manifestação está em que durante toda a vida política de Bolsonaro ele tentou atrair para o seu lado a categoria

Parece que definitivamente a Morte do Urubu (e não do Cisne) será brevemente dançada por Bolsonaro

Por Rogério Maestri

Vamos antes de qualquer coisa colocar uma imagem retirada do site da Cobrapol, a Confederação Brasileira de Trabalhadores Policiais Civis.

É uma singela imagem de um pequeno grupo de profissionais que estão fazendo duas coisas, protestando contra a reforma da Previdência e segundo se preparando para uma manifestação nacional de uma confederação que representa nada mais nada menos do que 400 mil policiais civis que será levado a cabo dia 21 de maio do presente ano em Brasília. Não vemos policiais militares, pois por lei eles não podem ser sindicalizados, porém certamente a maioria deles são solidários aos seus colegas, que por mais atritos que existam entre as duas corporações eles estão no mesmo barco.

Mas a importância não está na manifestação em si, outros presidentes em situação normal, poderiam chamar os representantes da categoria e assimilariam a manifestação atendendo ou não as reivindicações. Porém no caso de Bolsonaro, esta manifestação representa um baque tão sério como um intenso movimento de estudantes ou de outras centrais sindicais como a CUT.

Não é o caso de pensar que estes profissionais sairão armados ainda neste dia contra o Palácio do Alvorada, nem é o caso de pensar que neste momento eles entrarão em greve por tempo indeterminado, mas sim que o último ponto de apoio do governo Bolsonaro foi perdido.

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A representatividade desta manifestação está em que durante toda a vida política de Bolsonaro ele simplesmente adulou e tentou atrair para o seu lado as polícias civis, militares, bombeiros e soldados e oficiais de baixa patente. Porém em 30 anos de vida parlamentar, só valorizou as bravatas da polícia e elogiou atos que fogem da alçada destes pensando que policiais estão na corporação pois tem o prazer de atirar em civis, porém fazer algo para valorizar o cidadão policial, nada ele fez e nada ele fará.

Em todo o mundo, quando a polícia é forçada a assumir posições violentas contra o resto da população, alguns com desvio de personalidade gostam da posição que lhes é atribuída, e estes depois de ganharem medalhas e condecorações da direita parlamentar, inclusive da família Bolsonaro, geralmente mais cedo ou mais tarde se excedem e terminam sendo expulsos das mesmas e entrando para o crime. Porém muitos deles, vendo que foram enganados pelos governantes, que os querem somente como cães de guarda, terminam se suicidando.

Este último fato é uma constante na polícia de todo o mundo, na França a política de Macron de violência contra a população está tornando um problema de saúde pública pelo aumento de suicídios dos policiais.

Não podemos esquecer que os policiais geralmente vem de camadas mais desfavorecidas da população, e eles possuem famílias e amigos que sofrem da própria violência policial, sem contar que eles terminam sendo alvos dos criminosos que os perseguem e como para estes a vida é “barata” e curta, quando deparado numa situação de crise reagem com violência.

Porém o objeto do artigo não é este relato sobre avida de policiais em países que os presidentes, governadores e deputados cultuam morbidamente a morte, mas sim a descrição de um dos talvez últimos capítulos do governo Bolsonaro.

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Já há meses sempre chamei atenção que a principal base eleitoral do Bolsonaro estava nas corporações armadas e o que se vê é que diante a política econômica recessiva imposta pelos governos Temer e Bolsonaro, a economia se retrai, a capacidade monetária do Estado brasileiro como um todo diminuiu e a União, estados e municípios simplesmente não tem o mínimo recurso para bancar salários e outras reivindicações.

Além de toda a ausência de uma pauta econômica para a polícia, o governo Bolsonaro atinge a aposentadoria dos policiais.

Perdendo os últimos grupos consistentes de apoio de Bolsonaro, ele ficará completamente a descoberto de qualquer ação, e os outros Urubus da direita parlamentar comerão rapidamente o seu fígado, restando ao mesmo a renúncia ou o impedimento.

Por isto tudo, vejo claramente que a dança clássica da Morte do Cisne, será interpretada por um Urubu, desajeitado, sem ritmo e sem a mínima graça.

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