Maternidade e outros temas, por Ricardo C. Fraga

Maternidade, paternidade, dignidade e Trabalho são questões a nos exigir um tratamento mais evoluído.

Maternidade e outros temas

por Ricardo C. Fraga

As 2 músicas dos vídeos adiante, apesar do título, talvez ficassem melhor em outro dia, mais distante do “dia das mães”.

E também 

 

São temas difíceis: maternidade e, um pouco menos, paternidade.

Ainda mais complexo é o tema da dignidade. 

No ano passado, ouvi em algum vídeo o seguinte depoimento:

“Mataram minha humanidade. Já morri. Faz tempo. Mas todo dia eu tenho que ressuscitar. Tenho *uma filha* da mesma cor”.

Um quarto tema já poderia estar solucionado, ou melhor, já poderia ter avanços significativos. No mínimo, avanços significativos no entrelaçamento com estes outros três.

Maternidade, paternidade, dignidade e Trabalho são questões a nos exigir um tratamento mais evoluído.

Nestes dias, soube-se de decisão do Supremo Tribunal Federal, Ministro Alexandre de Morais, tentando desfazer certa confusão sobre maternidade e trabalho em atividade insalubre

No ano retrasado, teve-se a elevação do número de dias para a licença paternidade. Sobre o tema, o texto do Juiz do Trabalho Rodrigo Trindade de Souza.

Ao final ano passado, 2018, teve-se notícia em sala de audiência, sobre cidade de nosso Estado, de porte médio, com dificuldades econômicas e mais de cem novos processos judiciais de investigação de paternidade. Descabe nominá-la aqui.

Nossa evolução em questões de menor relevância podem nos trazer conforto pessoal e melhor convívio social.

A evolução nestes temas mais complexos é verdadeira condição para a evolução e, cada vez mais, para a própria sobrevivência da humanidade.

Ricardo C Fraga – vice-presidente do Tribunal Regional do Trabalho – TRT RS

 

1 comentário

  1. Felicitações as mães indesejadas!

    No comercial e falso dia das mães, inventado pelo comércio para amplificar as suas vendas, saem todas pessoas a expor seus complexos de Édipo ou para felicitar as carinhosas mãezinhas.
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    Não é porque todos guardem as mais carinhosas lembranças de suas progenitoras, mas mais por necessidade social todos apregoam e buscam no passado distantes e muitas vezes raros momentos de ternura. Mesmo aqueles que foram filhos indesejados e tratados assim pelas suas progenitoras, escrevem, declamam loas as suas mãezinhas, num espetáculo quiçá tão deprimente como o falso Espírito de Natal.
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    Sei que uma percentagem significativa, pequena, mas existente, de filhos não guardam recordações tão carinhosas de suas mães, porém para que não pensem que foram maltratados e desprezados em relação a outros filhos, todos falam bem de suas mães, principalmente as já falecidas.
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    Mãe velhinha e abandonada por seus filhos é um espetáculo deprimente, principalmente quando é abandonada tanto financeiramente como emocionalmente.
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    Programas de TV populares acham algumas vezes uma mãe abandonada a sua própria sorte e fazem uma verdadeira tragédia sobre o seu destino. Porém ao assistir ao meio dia, quando vinha do trabalho e almoçava em casa e para conseguir tirar um pequeno cochilo antes de ir cumprir mais um longo expediente da tarde/noite, ligava a TV nestes horríveis programas e me deparei com uma pequena série de capítulos tipo mundo-cão sobre uma “coitada” de uma velhinha que estava morando num barraco atrás da casa da sua vizinha após a sua ter sido demolida por um temporal.
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    A vizinha, como toda a boa brasileira de classe social mais baixa, acolheu e tomou a sua conta a guarda da velhinha, que diga de passagem ganhava um auxílio da previdência social que ao meu juízo ajudava bastante no orçamento da vizinha. Porém a velhinha ficou meio adoentada e provavelmente sua pensão não cobria todas as despesas, neste momento chamou a reportagem do programa popular e neste momento foi colocado para toda a cidade a desgraça que estava ocorrendo na vida da pobre velhinha.
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    Nos lares porto-alegrenses e riograndenses em geral, deve ter começado uma fantástica comoção pública culpando-se o Estado pelo não provimento daquela senhora e pensando sobre o que fazia a sua família. Uns dois ou três dias depois, aparece no programa duas ou três filhas daquela senhora idosa que simplesmente não viam a mãe há mais de trinta anos, ou seja, na realidade quem tinha sido abandonada eram as filhas que no caso eram três, pois aquela velhinha que deveria ter algo em torno de uns sessenta e tantos anos, não via as suas filhas desde que tinha no máximo uns trinta e tanto anos.
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    As filhas que apareceram no programa, recuperaram a sua mãe e uma delas levou para sua casa. Parece que aí parou o interesse do canal de TV em divulgar a tragédia, logo passaram para outra, pois o que não falta no mundo é tragédias para programas popularescos.
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    Como na época minha mãe estava doente, e naturalmente seus quatro filhos se revezavam intensamente para lhe dar cuidados e presença, fiquei pensando:
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    Por que esta senhora estava abandonada?
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    Aí me veio a grande revelação. Velinhas carentes e abandonadas com família, podem ser produto de um passado de mãe que abandonou e/ou maltratou os seus filhos, e se eram más mães jovens durante no mínimo mais de uma década, qual o motivo que com a idade se transformariam em mães carinhosas!
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    Psiquiatras e psicólogos ganham fortunas tratando pessoas durante décadas que se tornaram problematizadas por sentirem rejeição de suas mães durante a infância e adolescência, e a maior parte dos profissionais, para não perder o cliente não fazem a verdadeira revelação que encurtaria o tratamento para dez por cento do tempo simplesmente dizendo:
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    – Meu caro (ou minha cara) a tua mãe não gostava de ti e por isto ficasse com raiva dela, algo perfeitamente natural!
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    Seria um tratamento estilo a figura desenvolvida por Luis Fernando Veríssimo no seu pequeno e fantástico livro publicado em 1981, “O analista de Bagé”. Meio grosso, mas resolveria noventa por cento dos casos, porém o psiquiatra ou o psicólogo perderia o cliente e mais uma fonte de renda.
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    Certa feita procedi como o analista de Bagé para um dado meu amigo, ele se queixava que sua mãe tratava com mais carinho e atenção seu irmão, não ocorrera no passado nenhum abandono, muito menos mau tratos, mas simplesmente ele notava uma forte preferência de sua mãe pelo seu irmão, e como toda conversa sobre irmão vem as preferências dos segundo mais amados.
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    Ao conhecer seu irmão veio a mim a revelação e que como analista de Bagé resolvi a charada.
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    – Fulano, a tua mãe gosta mais do teu irmão porque tu és muito mais feio do que ele!
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    Foi um santo remédio, ele olhando as fotos de bebê dos seus álbuns refletiu e concluiu:
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    – Realmente, meu irmão foi um bebê muito mais fofo do que eu! Provavelmente eu também teria mais alegria de cuidar de um bebê mais lindo.
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    Daí por diante ele aceitou a posição de segundo mais amado, e economizou uma fortuna no psiquiatra que ele nunca foi.
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    Mas voltando a uma real tragédia, não uma pequena farsa de irmão preterido, se não houvesse esta divinização cínica da figura materna, provavelmente as mães biológicas, que não tem vontade de ser mães afetivas, entregariam a adoção a pessoas que desejam ter filhos e procuram desesperadamente uma criança para adotar e seriam mães ou até pais sem mães cobririam de amor e de atenção um filho desejado, criando um mundo muito mais feliz com pessoas menos recalcadas.
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    Quanto a felicitação as mães indesejadas, como elas não são mães, não tem motivo para felicitá-las.

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