O bolsonarismo não morreu, mas sofreu um baque, por Francisco Celso Calmon
Esses bolsonaristas são covardes. Lembro da nossa geração, que enfrentou 21 anos de ditadura. Fui perseguido por mais de 21 anos, de 1964 a 1988, da adolescência à vida adulta. Chegaram a me oferecer a possibilidade de exílio no Chile, por meio do arcebispo do Espírito Santo, que considerava que eu deveria me exilar. Eu disse não. Fui enfrentar a vida e continuar militando, buscando novas modalidades de atuação. Não mais na luta armada, tínhamos perdido, mas, continuei atuando onde podia: formando associações de profissionais, escutando, escrevendo e dando entrevistas à mídia.
Lula, mesmo com condenação ilegítima, se entregou a permaneceu preso por 580 dias.
E eles, ao menor sinal de dificuldade, se escondem. Atuam como frouxos. Ou estão na prisão, ou são fugitivos da Justiça. Mas não estão mortos.
A presença da família Bolsonaro nas instituições confirma essa permanência. Nas eleições de 2026, Michelle Bolsonaro foi eleita senadora pelo Distrito Federal, Carlos Bolsonaro conquistou uma vaga no Senado por Santa Catarina e Jair Renan Bolsonaro foi eleito deputado federal pelo mesmo estado. Renato Bolsonaro, irmão do ex-presidente, também foi eleito deputado federal por São Paulo. Os quatro ocuparão seus cargos a partir de 2027.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, disputou o segundo turno da eleição presidencial contra Luiz Inácio Lula da Silva e foi derrotado. Questionou o resultado das urnas e fugiu do Brasil, porque está sendo investigado pelos crimes que cometeu. Fugiu da democracia porque deve na justiça, fugiu porque perdeu; o povo não lhe deu a presidência da república para libertar o pai prisioneiro e o irmão fugitivo e toda a irmandade do crime na qual está inserido.
E o decrépito do Trump, nas pesquisas ladeira abaixo, ainda da guarida a esse paspalho corrupto e extremista de direita.
O episódio da fuga e a proteção dos governos da Argentina e dos EUA colocam em descrédito o respeito ao direito internacional.
Esses resultados mostram que o bolsonarismo mantém capacidade de mobilização eleitoral e de ocupação dos espaços institucionais. Mesmo diante dos reveses políticos e judiciais enfrentados pelo grupo, o bolsonarismo preserva representantes, lideranças e uma base eleitoral. A derrota ou o enfraquecimento de uma liderança não significa, necessariamente, o desaparecimento do projeto político que ela representa.
As condições são de revesses para eles e de alvíssaras para nós. É continuar a luta, sem trégua, até que esse clã seja enxotado da vida pública, pois só trouxeram o mal à nação brasileira.
A minha geração enfrentou a ditadura e continuou lutando, mesmo sob perseguição. Essa experiência não pode ser esquecida quando avaliamos o presente.
O bolsonarismo continua ocupando espaços institucionais, mas o abalo social que sofreu abre espaço para questionamentos e mudanças.
A covardia do Flávio deixa órfãos seus seguidores, ficam sem liderança, e abala a confiança dos áulicos.
A unidade conquistada nas urnas deve também se traduzir em organização de comitês de defesa a democracia, visto que ainda está sem rede de proteção estrutural.
Não vamos relaxar, ainda não é hora; nem podemos viver de algoritimo, as ruas são é ainda serão o palco de operações da batalhas decisivas.
Não há salvadores da pária, senão o povo organizado!
Francisco Celso Calmon, Analista de TI, administrador, advogado, autor dos livros Sequestro Moral – E o PT com isso?, Combates Pela Democracia, 60 anos do golpe: gerações em luta, Memórias e fantasias de um combatente; coautor em Resistência ao Golpe de 2016 e em Uma Sentença Anunciada – o Processo Lula. Coordenador do canal Pororoca e um dos organizadores da RBMVJ.
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