O que fazer? Tudo, menos o que estamos fazendo, por Gustavo Conde

O problema agora já não é mais Bolsonaro. Bolsonaro vai passar. O que não vai passar é o sentimento coletivo e organizado - e armado - de ódio.

Foto: Ueslei Marcelino / Reuters

O que fazer? Tudo, menos o que estamos fazendo

por Gustavo Conde

Fascistas preparam mais uma manifestação em Brasília para o fim de semana, contra o STF e o Congresso. Falam em “300 caminhões”.

Estão fortemente financiados.

O problema agora já não é mais Bolsonaro. Bolsonaro vai passar. O que não vai passar é o sentimento coletivo e organizado – e armado – de ódio.

Eu prossigo avisando: enquanto eles investem na guerrilha extremista, a gente vai se encostando no discurso da “Constituição” e vai querendo linchar Lima Duarte.

Nós estamos PEDINDO para ser esmagados.

É muita irresponsabilidade.

Os progressistas com síndrome de tutela perguntam: mas então, o que fazer?

Vou dar uma resposta bem direta: TUDO, menos o que estamos fazendo.

A gente ainda vai morrer de bom comportamento (estamos morrendo doce e disciplinadamente).

Querem o português correto? O que temos nesse momento é medo. Medo do vírus, medo da morte, medo de perder o famigerado e insuportável ‘lado certo da história’ que não serve mais para nada, a não ser experimentar a ilusão de uma morte “certa” – é como o pedestre que só atravessa a rua na faixa e pensa: se alguém me atropelar e me matar, pelo menos eu morro “certo”.

Eu alerto e peço que se ative a memória: Revolução Francesa, Revolução Russa, Revolução Chinesa, Revolução Cubana.

Vozes supostamente progressistas respondem: “era outro momento histórico”.

Era outro momento histórico? Tem certeza?

Eu rio, porque ainda tenho espírito sádico. O grau de ingenuidade e de inocência desse simulacro de esquerda bem comportada que contamina o país talvez seja mais aterrorizante que a direita fascista.

Há também um processo devastador que já comprometeu a interpretação de texto desse simulacro de “esquerda disciplinada”: eles se mostram incapazes de ousar leituras impetuosas, de codificar metáforas, de reinstalar o componente ético em seus discursos.

Ética para eles é respeitar a Constituição e só. Vidas humanas? “Eu faço a quarentena e cumpro com a minha parte”.

Reclamam que não há liderança, mas se negam a liderar – e se mostram fracos para serem liderados.

Esse segmento é tudo, menos esquerda. Que se re-estabeleça a semântica de esquerda – estruturalmente impetuosa – e cada um destes que se nega a ‘cogitar’ um gesto revolucionário, correrá para a sua casinha de proteção conservadora.

Enquanto isso, vamos continuar atravessando a história na faixa de pedestre.

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