Os esporos do ódio se espalham rapidamente
por Fábio de Oliveira Ribeiro
A dinâmica da guerra começa criar o gás sutil que a alimentará por muito tempo.
O governo dos EUA doou dinheiro para a Ucrânia comprar armamentos. Ao fazer isso eles transformaram o conflito contra a criatura nazista da CIA na Europa numa guerra dos EUA contra a Rússia em território europeu. Causa e consequência. Agressão e retribuição. Os norte-americanos jogam gasolina na fogueira e podem acabar provocando uma guerra nuclear que inevitavelmente chegará ao território dos EUA.
Os mortos verão o fim da guerra, disse Platão. A IV Guerra Mundial será lutada com porretes e pedras afirmou Einstein. Os americanos tentam desesperadamente reconquistar a hegemonia global, mas após o Fim da História apenas os escorpiões radioativos dominarão o planeta.
A chanceler da Alemanha tentou convencer os diplomatas chineses a retirar o apoio à Rússia. Ao agir como “bicho de estimação” dos EUA, Annalena Baerbock provavelmente demonstrou toda a fragilidade de um país que precisa do gás russo e que, no entanto, não consegue se livrar do trauma dos bombardeios americanos e ingleses que destruíram e incendiaram as cidades alemães de 1943 a 1945. Esse movimento da diplomacia da Alemanha não será interpretado como amigável pelo Kremlin.
E para piorar, a Alemanha decidiu fornecer armamentos à Ucrânia dizendo que eles serão usados para combater Putin e não a Rússia. A distinção enfatizada pela DW é ridícula e irrelevante. Os soldados mortos com armas alemãs serão russos. Os parentes deles obviamente exigirão que a Rússia se vingue dos alemães. A espiral de violência tende a crescer, pois a Alemanha faz parte da OTAN.
O presidente da França fará uma reunião com seu gabinete militar. Macron parece disposto a enviar tropas para combater os russos. A ousadia dele será interpretada pela Rússia como o ressurgimento da ‘Waffen Grenadier Brigade of the SS Charlemagne’ – a famigerada tropa de franceses que colaboraram com o III Reich – ou, pior, do grande exército napoleônico.
Todas as vezes que os franceses entraram em guerra com a Rússia as coisas desandaram na França. Mas quem realmente precisa estudar História? Francis Fukuyama é o herói dos neoliberais em todos os lugares.
Eterno retorno do passado com uma reencenação da Batalha do Lago Peipus (1242). Dessa vez os cavaleiros teutônicos da OTAN parecem acreditar que vencerão os russos, porque o príncipe Alexandre Nevsky está cochilando no seu túmulo. Os russos provavelmente sabem que isso não é verdade e encaram a vitória como uma inevitabilidade histórica.
O cheiro mofado da história militar europeia pode ser sentido na pretensão da OTAN de se expandir até a fronteira da Rússia e depois dela. Mesmo que para isso tenha que provocar uma guerra nuclear. O que nos leva à inevitável questão? Isso só pode ser palhaçada, porque não há vencedores quanto todos são igualmente condenados à aniquilação.
E já que estamos falando de palhaços, é lamentável o comportamento da imprensa europeia. BBC, DW e RFI estão engajadas na defesa da Ucrânia e se esforçam para demonizar o esforço russo para conter a violência contra civis em Donetsk e Lugansk que foi silenciosamente tolerada pelos europeus desde 2014.
Analistas supostamente isentos apontam seus dedos para a Rússia acusando-a de violar a integridade territorial da Ucrânia. Eles são os mesmos que aplaudiram a fragmentação da Iugoslávia e exigiram o bombardeio da Sérvia em defesa do direito do Kosovo de se tornar independente daquele país.
A Rússia foi acusada pela BBC de monitorar as redes sociais e reintroduzir a censura. Mas no Brasil eu fui intimado pelo Twitter a pedido de autoridades da Alemanha porque ousei criticar o jornalismo feito pela DW em defesa do regime bestial que a CIA criou no coração da Europa para atormentar a Rússia e garantir o monopólio da venda de gás à Alemanha.
“A primeira máxima da guerra é a verdade”, essa máxima atribuída a Ésquilo continua verdadeira.
Mas a verdade é que a guerra também é capaz de matar a liberdade de expressão à medida que campos antagônicos irreconciliáveis são criados pela imprensa. A constituição brasileira e a legislação internacional garantem a liberdade de expressão, mas nada disso tem valor quando um governo estrangeiro pode simplesmente criar uma rotina para impedir os brasileiros de criticar o trabalho dos jornalistas alemães.
Se a crítica equivale ao terrorismo que significados podem ter as palavras “democracia”, “liberdade”, “Estado de Direito”, quando elas são utilizadas pelos jornalistas que querem desesperadamente agrupar as pessoas para combater um suposto regime bestial russo enquanto eles mesmos ficam ao lado do Batalhão Azov dos nazistas ucranianos?
O esquecimento seletivo é o ganha pão dos jornalistas e estelionatários religiosos, o instrumento político dos líderes sanguinários, a maldição dos historiadores e o motivo de riso dos filósofos. Todavia, o estado de guerra criado e alimentado constantemente contra a Rússia é extremamente perigoso.
Nesse momento todos somos vítimas em potencial de uma guerra nuclear. Ninguém deve ter o direito de silenciar ninguém.
Antes do fim da História, uma ironia. O Clowndämmerung – queda do palhaço que governa a Ucrânia – deveria ser vista com alívio por Emmanuel Macron, Boris Johnson, Olaf Scholz e Justin Trudeau. Mas não é isso que está ocorrendo. Eles são líderes medíocres governados por um ódio racial não declarado contra os russos.
Felizmente não sou jornalista. Se fosse, nesse momento eu estaria pesquisando o preço das ações das fábricas de armamentos norte-americanas para saber se ele aumentou ou caiu em decorrência da guerra na Ucrânia? Isso é importante, pois muitos gringos parecem acreditar que não há prejuízo verdadeiro quando alguém lucra com a guerra. Bem… no momento em que também forem bombardeados eles perceberão o mal que fizeram a si mesmos.
Fábio de Oliveira Ribeiro, 22/11/1964, advogado desde 1990. Inimigo do fascismo e do fundamentalismo religioso. Defensor das causas perdidas. Estudioso incansável de tudo aquilo que nos transforma em seres realmente humanos.
O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN
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