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    À beira de uma nova recessão, por José Luis Oreiro

    Aqueles que, como eu não acreditam na “fada da confiança”, por absoluta falta de evidência empírica, observam que o governo está tomando medidas que irão reduzir ainda mais o nível de demanda da economia.

    À beira de uma nova recessão (Diário do Comércio e Indústria, 16/05/2019)

    por José Luis Oreiro

    O Banco Central do Brasil divulgou no último dia 15 de maio a variação do IBC-Br referente ao mês de março de 2019. O indicador apresentou uma queda de 0,28% em março na comparação com fevereiro do corrente ano. No primeiro trimestre de 2019, a queda foi de 0,68% na comparação com o último trimestre de 2018. Tudo indica, portanto, que o PIB do primeiro trimestre irá apresentar uma contração na comparação com o último trimestre de 2018. Esses números confirmam o que vários analistas econômicos não infectados pelo “otimismo irracional” do mercado financeiro com o projeto liberal Bolsonaro-Guedes já vinham alertando a muito tempo: a economia brasileira está sofrendo de um problema crônico de insuficiência de demanda, a qual impede que as empresas se sintam estimuladas a aumentar a produção e reiniciar seus projetos de investimento. Nesse sentido, não é de se estranhar que, segundo pesquisa divulgada recentemente pelo BTG Pactual sobre os principais obstáculos a realização de investimentos, o item “fraqueza da demanda” seja citado por 47% dos entrevistados como o principal ou o segundo principal entrave a realização dos investimentos.

    A equipe econômica insiste no discurso que a redução do ímpeto de crescimento deve-se às incertezas ainda existentes sobre a aprovação da reforma da previdência. Na ata da última reunião do COPOM, a diretoria do BCB afirma que o avanço das reformas fiscais teria um efeito expansionista sobre a economia, pois reduziria a incerteza, levando assim os empresários a investir.

    Essa posição se baseia no que podemos denominar de “mito da contração fiscal expansionista”, ou seja, a ideia de que quando o governo faz um ajuste fiscal significativo, isso gera um aumento da confiança dos agentes econômicos que se expressa em queda dos prêmios de risco, redução da taxa de juros de longo-prazo e apreciação da taxa de câmbio. A melhoria do índice de condições financeiras levaria os empresários a aumentar seus investimentos e as famílias a aumentar os gastos de consumo com bens duráveis. O aumento do investimento e do consumo privado seria mais do que suficiente para compensar a queda do gasto público de forma a produzir um aumento líquido da demanda agregada e, dessa, forma, uma expansão do nível de produção e de emprego.

    Esse resultado é, contudo, uma petição de princípio; nunca tendo a sua validade demonstrada tanto a nível teórico como a nível empírico.

    Aqueles que, como eu, não acreditam na “fada da confiança” por absoluta falta de evidência empírica; observam que o governo está tomando medidas que irão reduzir ainda mais o nível de demanda da economia. No lado da política fiscal, o ministério da economia anunciou em meados de abril um contingenciamento de R$ 30 bilhões nas despesas discricionárias do governo; o qual, se confirmado, representará um choque fiscal negativo para a economia no segundo semestre de 2019. Do lado da política monetária, o COPOM vem sinalizando a manutenção da taxa Selic em 6,5% a.a, mesmo no caso em que a Reforma da Previdência venha a ser aprovada, em função dos supostos efeitos expansionistas que a mesma teria sobre a demanda do setor privado. Sem estímulos adicionais de demanda pelo lado monetário e fiscal é bem provável que o PIB do segundo trimestre também apresente contração. Se assim for, o Brasil terá entrado numa recessão técnica.

    José Luis Oreiro – Professor Associado do Departamento de Economia da UnB. joreiro@unb.br.

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