5 de junho de 2026

Responsável por juros altos, Campos Neto agora quer entregar reservas cambiais

Ao banco BlackRock, o presidente do Banco Central afirmou estar disposto a terceirizar a gestão das reservas cambiais 
Gestão de Campos Neto está descontentando desde os desenvolvimentistas ao mercado. Foto: Agência Câmara

Em uma entrevista concedida ao banco de investimentos estrangeiro BlackRock, o presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, afirmou estar disposto a terceirizar a gestão das reservas cambiais brasileiras. 

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Na prática, um banco definiria onde seriam investidas as reservas nacionais e não mais o Estado. Por exemplo, a própria BlackRock ou qualquer outro que tenha interesse pelos US$ 380 bilhões do Brasil em reservas cambiais.  

“A gente está aberto a essa terceirização. Hoje a grande parte da gestão não é terceirizada, mas a gente está aberto a fazer isso nessa área, principalmente, porque a gente está olhando agora para novas classes de ativos”, afirmou.

Campos Neto afirmou que alguns programas de gestão terceirizada podiam ser feitos dentro do Banco Central, o que seria “positivo” porque o Banco Central ia aprender sobre ativos “e aprender sobre ativos ajuda muito a atividade do dia a dia do Banco Central”, disse.

Sabotador da economia 

Seguindo a cartilha do ex-ministro Paulo Guedes, Campos Neto preside o Banco Central para o mercado – que não está muito satisfeito com ele. Ele vem sendo acusado por parlamentares e lideranças de sabotador da economia e do país (leia abaixo). 

É sua a insistência por uma das mais altas taxas de juros do mundo, a do Brasil, e em sua gestão à frente do Banco Central as reservas cambiais chegaram ao mais baixo patamar em 11 anos. 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem criticado abertamente a gestão de Campos Neto no BC por conta da alta taxa básica de juros da economia. A Selic está hoje em 13,75% ao ano. Isso, segundo Lula, atrapalha o crescimento da economia.

As reservas internacionais do Brasil caíram em outubro de 2022 para a casa dos US$ 326 bilhões, conforme dados do Banco Central. Foi o patamar mais baixo em 11 anos.

As reservas internacionais subiram nos governos de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Dilma Rousseff (PT). Também tiveram um saldo positivo no governo de Michel Temer (MDB). Com Jair Bolsonaro (PL), elas começaram a cair. 

O que são as reservas cambiais

O país tem US$ 380 bilhões em reservas cambiais, algo em torno de R$ 1,8 bilhão. São usadas para aliviar a alta do dólar, por exemplo. 

Funcionam como uma espécie de seguro para o país fazer frente às suas obrigações no exterior e a choques como crises cambiais e interrupções nos fluxos de capital.

Como o Brasil adota o regime de câmbio flutuante, esse “seguro” é usado pelo Banco Central para atenuar oscilações bruscas do real. 

Fala causa revolta

A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, escreveu em sua conta no twitter que “Campos Neto, responsável pelo Brasil ter o maior juro do planeta, agora quer terceirizar ativos do BC. É isso, tirar do Estado e deixar ao bel prazer do mercado. E o que acontece com as reservas de US$ 340 bilhões?”. 

O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) acusou Campos Neto de sabotagem em vídeo. “Na mesma semana em que tentou censurar os diretores do BC, ele aparece em entrevista à BlackRock dizendo que planeja dar a gestores privados a administração das reservas internacionais do Brasil”, postou. 

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Renato Santana

Renato Santana é jornalista e escreve para o Jornal GGN desde maio de 2023. Tem passagem pelos portais Infoamazônia, Observatório da Mineração, Le Monde Diplomatique, Brasil de Fato, A Tribuna, além do jornal Porantim, sobre a questão indígena, entre outros. Em 2010, ganhou prêmio Vladimir Herzog por série de reportagens que investigou a atuação de grupos de extermínio em 2006, após ataques do PCC a postos policiais em São Paulo.

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Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

1 Comentário
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  1. Fábio de Oliveira Ribeiro

    21 de julho de 2023 7:19 pm

    Em 1980 o Brasil era a sexta maior economia mundial, a Índia estava então em nono lugar a frente da China. Em 2022 a Índia foi a a terceira economia mundial e a China a segunda. O Brasil caiu para o lugar que a India ocupava em 1980. A população indiana é jovem, a brasileira começou a envelhecer. A Índia segue se industrializando e já começou a desenvolver uma indústria de TI sofisticada. A desindustrialização acelerada durante os governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro e o gargalo dos juros altos praticados pelo BC comandado por Roberto Campos Neto são problemas graves no Brasil. De fato, o Brasil pode estar sendo condenado a afundar na lama enquanto a Índia sai dela. A única coisa que realmente atrapalha a Índia é o sistela de castas. Mas se o presidente do BC não for imediatamente tirado do cargo em breve a população brasileira estará vivendo num país pobre com sistema sem mobilidade social que para todos efeitos será semelhante ao sistema de castas indiano.

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